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Utopia de educador

Encontro marcado 2009
Encontro marcado 2009

Uma aluna lendo… compenetradamente… O mundo ao seu redor não importa, só existe o livro a sua frente, só as palavras rodeiam sua mente… Palavras escritas, grande invenção da humanidade que revolucionou e transformou nossa história…

Ela “nem pisca”… estática, concentrada, vez por outra mexe no cabelo, ajeita-se naquela cadeira desconfortável de escola, apoia os cotovelos na mesa… Alguns colegas conversam ao seu redor, mas seus ouvidos encontram-se anestesiados para o mundo exterior, nem mesmo os passos do professor conseguem mover suas bigornas…

Às vezes, dá um suspiro, seus olhos e sua feição refletem tímidas reações que as palavras escritas provocam no mais íntimo de sua percepção…

Lá fora, uma turma em educação física: bola, apitos, gritos, barulho de todo gênero, aqueles sons próprios de qualquer esporte coletivo. Nada disso existe em sua mente de exímia leitora momentânea… Repentinamente sorri, indigna-se, ama, balança a cabeça, “desama”, anima, desanima… Parece hipnotizada, está em outra dimensão, a das palavras, a da literatura, das mentiras reais, da ficção, da verossimilhança, dos sonhos, da vida perpetuada através dos signos linguísticos, do conhecimento e do prazer que só a leitura solitária é capaz de proporcionar…

De repente, fecha o livro, levanta seu olhar para o mundo, como quem volta a mentira da realidade, troca algumas palavras com o professor sobre o objeto lido, dá uma olhada ao redor, visivelmente se desagrada com a situação, abre o livro mais uma vez e volta a ler compenetradamente, volta a viajar nas mentiras verdadeiras, emocionar-se, indignar-se, sorrir, amar, desamar…

Um sonho para qualquer professor de Língua Portuguesa, chega a ser utopia… Mas foram as utopias que revolucionaram o mundo, que fizeram os gênios, pensadores, revolucionários e “metidos” em geral, a serem o que são. Alguém insistiu mais de duas mil vezes numa utopia para recriar a luz… e recriou através da eletricidade que hoje já é uma constante no planeta e não é possível imaginar o mundo sem ela… Será que estou diante da versão feminina e brasileira de Thomas Edison?…

O mais incrível é que este sonho de educador tornou-se realidade diante dos meus olhos… Um momento único na vida de um professor… É possível termos alunos leitores… Digo leitores, não vomitadores de palavras, mas sim aqueles que leem, formam opinião e produzem novas ideias a partir da leitura e através da escrita.

Sei que existem várias formas de se conseguir bons resultados na educação, haja vista as inúmeras teorias praticáveis, ou não das quais tomamos conhecimento na graduação. Porém, quando nos desarmamos das regras vãs e descartáveis da gramática pura, elitista e desumana, conseguimos resultados surpreendentes.

A aluna em questão, estava lendo crônicas, este gênero textual feito para quem quer gostar de ler, de um escritor chamado Fábio Bruggemann, num livro disponibilizado por um projeto chamado Encontro Marcado, promovido pela UNIMED e a 10ª GERED de Caçador. O escritor, em visita a Caçador, mais precisamente na Escola de Educação Básica Wanda Krieger Gomes, viu todo tipo de contextualização de seus escritos, porém, mal sabe ele da revolução intelectual acontecida na vida daquela aluna e de muitos outros estudantes que manusearam, leram, analisaram e produziram novas ideias instigados por sua obra… Utopia de educador?… Não foi o que pareceu a meus sentidos passionais pela educação…

 Márcio Roberto Goes

Um Comentário

  1. Sara
    Sara 7 de julho de 2011

    De fato. De fato é possível ler e pensar, entender a partir de si mesmo sob análises textuais observadas, que podemos dinamizar e criar. Quanto à gramática da qual devemos fazer uso, sim poderia ser simplificada, mas é tão bela assim mesmo, não obstante haja o “imaginário culltural-financeiro” do país Brasil.

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