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Ursinho de pelúcia

 

Quer passar por diversas experiências inusitadas e incrivelmente envolventes?… Participe do cotidiano de uma sala de aula… Foi lá que tive minhas maiores surpresas… E foi lá que coletei muitos subsídios para compor meu conceito de ser humano, principalmente no que tange aos jovens…

Em sala vi meus amados e queridos jovens descobrirem seus talentos, alegrarem-se com seu crescimento pessoal, interessarem-se e desinteressarem-se, animarem e se desanimarem, amarem e desamarem, gostarem e desgostarem, alegrarem-se e entristecerem-se, fazerem e desfazerem…

Pois esta semana vivi mais uma destas inusitadas e incríveis experiências… Ao chegar na classe para expor minha brilhante e maçante aula preparada madrugada adentro, deparo-me com um ser estranho, peludo, olheiras profundas, corpo preto e branco, um pouco acima do peso, porém inerte, nos braços de uma de minhas alunas de primeiro ano de ensino médio… Será que esta criatura está com algum problema e minha aluna resolveu dar consolo e alento no momento da angústia?… Pensava comigo enquanto preparava-me para fazer a chamada…

Sou muito curioso, minha mente fértil e criativa exigia que eu questionasse aquela situação.

 – O que é isso?… Perguntei arregalando os olhos para minha aluna psicóloga de bichinhos estranhos…

É um urso, professor!

Há! Tudo estava esclarecido!… Os pelos preto e branco, as olheiras penetrantes, a cara de tristeza profunda e desoladora, a obesidade… É um urso mesmo! Aliás, um urso panda…

Enquanto eu tomava minhas conclusões, o pobre ursinho triste, certamente por estar longe de seu habitat, passava de colo em colo e todos o abraçavam, consolavam e davam carinho… Ele levava nas mãos (ou patas dianteiras para ser mais exato) um coração escrito: “Amo você”, o que me levou a crer que o pobre animal estava apaixonado e pela feição do vivente, não estava sendo correspondido… Pobre criaturinha silvestre!… Estava sofrendo do mal de amor. Este sentimento paradoxo que assola os corações humanos e, pelo visto, os animais também…

Não pude conter minha emoção. Não só pelo sentimento do bichinho, mas pela solidariedade de minhas queridas alunas que pararam a aula em função do pobre animal bicolor apaixonado… E ainda tem gente que acha que nossos adolescentes não têm sentimentos… Se são capazes de se solidarizar com um ursinho panda, com certeza comovem-se com os outros problemas dos corações humanos buscando soluções, principalmente no que diz respeito aos sentimentos mais sublimes…

Não me contive, precisei pegá-lo também a fim de emocionar-me ainda mais e abrir meu coração comovido e irônico para a solidariedade do amor perdido… Mas minhas narinas, excessivamente sensíveis não gostaram nada da ideia e imediatamente se pronunciaram contra aquela pelúcia apaixonada e apaixonante através de uma sequência de espirros, representando a rejeição vida moderna, invisível a olho nu…

Quando a rinite alérgica começa a agir, nem os corações mais apaixonados resistem às suas reações, mesmo tratando-se de um animalzinho em extinção… Aliás, será que o amor fraterno também não é uma espécie em extinção?…

 

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

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Jornal Informe – O diário Regional

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