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Uma exceção

 João dos Sonhos Azuis transitava despreocupadamente com seu fusquinha da cor de seus sonhos, num bairro qualquer da cidade, destes esquecidos pelo poder público que não tem tempo de atendê-lo, pois tem um parque central para cuidar e estruturar, afinal, no centro é outra vida, não pode ter o mesmo tratamento da periferia, pois ali estão os sangues azuis que “mamam e são mamados”… E os menos abastados, se quiserem usufruir dos benefícios do coração verde da cidade, terão que desembolsar quase duas “verdinhas” e viajarem até o centrão de busão…

Pois bem. Andava nosso amigo João na segundinha, subindo um morro quando avista pelo retrovisor o carro da polícia militar com dois guardas que o mandam parar… João sua frio, treme até os dentes, pois sempre foi uma pessoa correta, mas infelizmente deixou atrasar a documentação de seu besourinho azul de estimação… O guarda se aproxima:

– Por favor, desça do carro… As mãos sobre o capô… Vamos revistá-lo…

Colocaram as mãos em lugares onde nunca antes, nosso protagonista imaginou que seria tocado por outro homem… Mas tudo bem, não estava portando nada ilegal, portanto, este não era o grande motivo de seu medo…

– O que é isso no teu bolso?

– Balas…

– Hã?

– De hortelã… Quer uma?

A autoridade militar pareceu não gostar muito do humor negro do João naquele fatídico momento…

– Seus documentos e os do veículo, por favor…

Aquilo atingiu em cheio os nervos do João que não conseguia mais parar de tremer, mesmo assim cumpriu a ordem e mostrou seus documentos e o do Herb:

– Tá atrasado, né?

– Já paguei as tachas, só não fui na delegacia pedir o documento…

– Nosso objetivo agora não é o trânsito… Mas estamos por aí. Então regularize este veículo ainda hoje, senão poderá ser apreendido…

Falando isso, os guardas liberaram nosso sonhador sem ele saber a razão de ter sido revistado, porém agradecia a Deus pela segunda chance que nem sempre é dada para as pessoas de bem… O negócio agora era regularizar a situação antes que acontecesse o pior, pois a justiça, pelo menos na teoria é igual para todos e não pergunta se o cidadão errou por descuido ou por falta de vergonha, aliás, é para o segundo caso que criaram a propina…

Márcio Roberto Goes

2 Comments

  1. Rodrigo
    Rodrigo 10 de fevereiro de 2010

    Márcio, bom dia!

    Não concordo plenamente com a colocação de que o executivo preocupou-se somente com o centro de Caçador. Hoje meus pais moram no Figueroa, loteamento D’ágostini. Tenho a grata lembrança que essa administração construiu uma praça para nossos vizinhos e em outros bairros que nunca foram lembrados por nossos administradores. Como estou a 1,5 anos fora de caçador não lembro exatamente dos locais, mas cito a praça do Scapinelli e uma próxima do hospital Maice. Tenho plena certeza de que, se não fosse essa iniciativa, hoje esses locais seriam o mesmo terreno baldio, que sempre foram. Porém, concordo com muitos caçadorenses que clamam por atendimento à população rural.

    Ficam aqui meus votos de elevada estima.

    Rodrigo José Reia

  2. Henrique Oliveira
    Henrique Oliveira 8 de fevereiro de 2010

    Muito bom o seu texto!
    Demonstra com simplicidade e bastante criatividade como algumas “coisas” do nosso cotidiano se desenrolam.
    Parabéns!

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