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UM ENCONTRO MUITO BEM MARCADO


01/11/2007

CAÇADOR ONLINE
03/11/2007
JORNAL INFORME

Esta semana, vivi um dos momentos mais marcantes na minha modesta vida de professor de Língua Portuguesa e Literatura: Trata-se do “Encontro Marcado” com o escritor catarinense Amilcar Neves, um projeto da UNIMED em convênio com a 10ª GEECT.

Durante um mês e meio trabalhamos, analisamos e criamos em cima de suas crônicas que são publicadas às quartas-feiras no Diário Catarinense. Já havia conseguido resultados fantásticos em sala-de-aula, no que tange à leitura e produção de texto com ênfase no conto e na crônica, porém, a conclusão do trabalho, com a visita do escritor que aconteceu na escola de minha infância: Dom Orlando Dotti, me reservava novas e maravilhosas surpresas…
Dois dias de evento: Na quarta-feira à noite e na quinta-feira pela manhã, vivenciamos a maravilhosa construção de conceitos e do gosto pela Literatura, despertada através de um trabalho simples, mas que surte efeitos imediatos na educação de nossos jovens de ensino médio.
À hora marcada, lá estava eu, “paizão coruja”, com seus anjinhos da EEB Wanda Krieger Gomes e outros professores, prontos para o evento, com alma e coração abertos e curiosos, cheios de dúvidas sobre o autor e sua obra.
Meus alunos (desculpem o exagero do pronome possessivo), residem na periferia da cidade, esquecida e abandonada pelo poder público, num bairro que, por muitas vezes foi protagonista de notícias não muito agradáveis, estudantes que usam da garra e da coragem juntamente com seus professores, para construir o conhecimento numa escola nova, porém sem a estrutura necessária e prometida pela descentralização… Estes alunos, muitas vezes olhados com desconfiança, fizeram um trabalho maravilhoso baseado na obra do autor, apoderando-se de vários recursos tecnológicos de multimídia para “recriar” a partir das crônicas de Amilcar Neves, que observava tudo admirado, como a maioria do público, além de terem demonstrado especial atenção e o respeito merecido a um evento deste porte.
De forma alguma estou desprezando os trabalhos das outras oito escolas envolvidas no projeto, que aliás foram muito além das expectativas e tenho certeza que realizaram trabalhos tão ou mais surpreendentes, mas como professor “coruja”, cansado de ouvir maus comentários sobre a comunidade onde trabalho, sinto-me na obrigação de fazer jus ao trabalho e à dedicação desta garotada que não poupou esforços para participar do evento, mesmo com dificuldades de transporte, visto que a escola localiza-se a mais de oito quilômetros do local do evento. Tenho absoluta certeza, que todo este esforço terá resultados imediatamente perceptíveis, no trabalho dos professores, no boletim e na vida cotidiana destes alunos, que, na sua maioria já despertou para a leitura diária: uma grande prova disso foi o aumento imediato de empréstimos de livros em nossa truncada biblioteca provisória.
Quero expressar, em nome dos meus “anjinhos”, meu profundo agradecimento ao cronista que nos deu o prazer de sua presença para debaternos sobre a leitura e produção de texto, à UNIMED e à Gerência de Educação, que apostaram e acreditaram no potencial de alunos e professores que juntos somam mais de oitocentas pessoas de Caçador e região, em favor da educação pública de qualidade.
Márcio Roberto Goes
Professor, com muito orgulho
http://marciocronicas.blogspot.com/

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