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UM DIA DAQUELES

PUBLICADO EM: 07/12/2006
JORNAL INFORME

Quem nunca teve um dia daqueles?… É! Daqueles que acorda atrasado para o trabalho e ao levantar, já resvala no tapete, cai de boca em cima da meia suja de “tresontonte”… Em cima da hora, meio com cara de ontem, com a florzinha da fronha estampada na bochecha, vai lavar o rosto e tirar a remela, percebe que faltou água, quebra a escova de dentes e perde a chave do carro… Ou ainda vai tomar café e derruba o açúcar, quebra a xícara que ganhou dos seus sobrinhos com a escrit:a: “Para uso exclusivo do meu super tio”… No caminho para o trabalho, encontra à sua frente, uma carreta carregada de tora, à cinco por hora em dois quilômetros de faixa contínua… etc… etc… etc…

Pois é!… Dia desses passei por uma inusitada e desesperada experiência semelhante… Ao tentar lavar roupas (sou um cara prendado), não percebi nenhum sinal de vida por parte da minha máquina, ou melhor, barulho ela fazia, mas não turbilhonava nada… E lá estava eu, diante de uma máquina cheia de roupas sujas, água fresca e uma porção daquele sabão em pó que só faz milagres nos comerciais da TV, onde até o Leonardo ajuda a dona de casa a lavar suas roupas, que aliás, já estão bem branquinhas e não precisam de tanta esfregação. Já não lavo roupas ouvindo rádio para não ser surpreendido por um cantor desses na minha área de serviço. Já fiz a experiência de lavar roupas ouvindo Vanessa Camargo, Ivete Sangalo e Shakira, mas nada aconteceu, e com elas eu não me importaria nem um pouco de me esfregar… mas acho que só funciona com o Leonardo mesmo, e esse eu dispenso… prefiro ficar só ouvindo.
Só tinha uma solução: Enfiar a lavadora no porta-malas e levá-la a uma assistência técnica. Foi o que eu fiz: “Esvaziei a bicha véia”, tirei o carro da garagem, abri o bagageiro, deitei o banco traseiro, coloquei a “pestiada” lá e fechei a tampa… Passei a chave na porta da casa, agradei o cachorro e parando a olhar meu carro, tive alguns segundos de melancolia, lembrando daquele comercial, cujo bordão diz: “sua vida te trouxe até aqui”… É, a vida não me trouxe nenhum prisma, mas é minha única fortuna material e serve para me locomover por terra, sem grandes esforços, para qualquer lugar…
Entrei naquele meu sonho de consumo, ano 91, motor 1.6, que anda como 1.8 e gasta como 1.0 (baita carro!), fechei a porta e, ao dar a partida, ouço uma buzina insistente… Mas não era qualquer buzina, era o meu automóvel, que pelo jeito também estava num dia daqueles… sempre foi temperamental, mas nunca ele tinha disparado a buzina desse jeito… Mexi em tudo o que eu sabia (ou não) para resolver o problema, mas nada adiantou… Tive que andar a cidadee toda buzinando. As pessoas me olhavam, alguns sorrindo, outros, nem tanto e eu acenava (fazer o quê?…). E assim foi até a oficina de refrigeração… Entreguei a máquina comprometendo-e em buscá-la no outro dia, entrei no carro, dei a partida… Silêncio!… Ué!? Não disparou a buzina!?… Ma também não funcionaram nem as setas… Paciência! Levei minha única fortuna também para a oficina. O eletricista deu seu diagnóstico: “tem que trocar a seta”… e após desmontar o volante e metade do painel, descobre que a peça em questão está em falta…
E agora, José?…
Só na segunda-feira. Vou remontar o volante para você poder rodar por enquanto, só que a seta não vai retornar depois de fazer uma curva…
Tudo, bem, pensei comigo, minha paciência já tinha sobrevivido a tantas coisas naquele dia, não custava fazer mais um sacrificiozinho… Lembrei-me dos sonhos azuis do João, que nunca desanima, apesar de a miseresma insistir em acompanhá-lo. Até meu personagem me ensina a viver e vencer… Não é fácil o criador estar na pele de sua criatura…
Márcio Roberto goes
Lavando roupa no tanque e ouvindo buzinaço

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