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Tô voltando pra ficar

Todo trabalhador tem direito ao descanso, a fim de revigorar suas forças
para uma nova jornada de trabalho. Além de ser um direito, a folga é
uma necessidade humana e combate o estresse…

Mas o ócio nem sempre é agradável, principalmente quando se ama a
profissão abraçada e se dedica a cumprir seu dever da melhor forma
possível…

Estive gozando de uma licença prêmio durante três longos meses da minha
vida, logo depois das férias de fim de ano, o que somam quase cinco
meses… Meu Deus! Cinco meses longe da escola!… Cinco meses
“azedando” na cama!… Cinco meses sem me comunicar com alunos e
professores!… Cinco meses de descanso. Verdade?… Mentira!…

Quando saiu a portaria da minha licença, pensei que não iria aguentar
tanto tempo longe da escola. Ao decorrer dos dias comprovei que minha
angústia era verdadeira, pois não deixei de visitar o educandário
que me faz feliz, periodicamente, apesar de alguns colegas
incomodarem-se e me mandarem de volta pra casa descansar: “Quando
eu pegar licença, não quero nem passar perto da escola.” Dizia
um… “Não vejo a hora de me aposentar!” Ponderava outro! “Você
é louco. Vá viajar, se distrair…”

De fato, segui o conselho deste: viajei, me distraí, passei uns dias
fora da cidade. Porém ao retornar, o primeiro lugar que mereceu
minha visita foi a alface gigante do Martello, meu querido Wandão…
Está certo que precisamos descansar, porém alimentar ódio pela
escola durante a folga é preparar a desgraça moral e intelectual
futura de professores e, principalmente, alunos…

Durante minhas férias prolongadas, muita coisa mudou ao meu redor: mudei de
jornal impresso, temos pela primeira vez, uma presidenta da
república, uma mulher também esteve a frente do executivo municipal
durante quase trinta dias, presenciamos uma inédita cassação de
prefeito e vice, e uma eleição indireta também inédita. A
oposição e a situação tiveram uma relevante e surpreendente
mudança de posição. Nomearam nova direção para nossa escola e
para a gerência regional de educação. Quiseram calar minha voz…
Quiseram me ouvir…

Para as más línguas, fui diretor de duas escolas estaduais aqui da nossa
cidade, traí e fui traído, quiseram minha retirada… Porém nenhum
fato comprovado, já que todos sabiam detalhes dos acontecimentos
cujo protagonista era eu, que não sabia de nada… Todos me
perguntavam, mas ninguém ouvia a minha resposta, ninguém sabia
minha versão, ou aversão…

Já as boas línguas orientaram os bons e maus ouvidos para me ouvir…
Conversei com jovens e adultos, alunos do CEJA de Caçador e Rio das
Antas… Iniciei um trabalho voluntário no projeto PESCAR CDL…
vivi grandes experiências… Ri e fui rido, Chorei e fui chorado…
Alegrei e fui alegrado… Li e fui lido… Ouvi e fui ouvido… Vivi
e fui vivido… Morri e fui morrido… Estudei e fui estudado…

Agora, estou de volta… Reinicio o trabalho que sempre me realizou e,
apesar de alguns me julgarem utópico e sensacionalista, sinto-me
extremamente feliz em poder ser este grão de areia na construção
de uma sociedade um pouco melhor… Dei a volta ao mundo sem sair das
redondezas: falei novas palavras e descobri algumas antigas, chorei
novos choros, sorri novos sorrisos, senti novos sentimentos, conheci
novos desconhecidos e desconheci velhos conhecidos… Errei novos
erros e acertei novos acertos, acertei velhos erros e errei velhos
acertos… Quebrei paradigmas, iludi, desiludi… Transformei e fui
transformado… Fui e voltei.

Voltei ao melhor lugar do mundo para se conhecer pessoas. Voltei para o
local de onde nunca deveria ter saído: A sala de aula, mas não é
qualquer sala, ela pertence a uma escola pública, o que a torna
ainda mais nobre…

 

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Folha da Cidade – Caçador, SC

 

One Comment

  1. Suelen Alves
    Suelen Alves 9 de maio de 2011

    Tenho certeza que todos sentiram muitas saudades de você…
    Você é insubstituivel…sem dúvida!

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