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“Tô enem aí!”

 

 

Este ano, trabalhei no ENEM… Prestei um trabalho que dignifica qualquer pessoa, afinal, não é para qualquer um monitorar uma prova que mede o conhecimento de alunos concluintes do ensino médio em nível nacional… Porém, vi muita coisa que nunca esperava presenciar num exame desta estirpe…

Sábado, estávamos todos presentes à reunião inicial, nós, a polícia militar e os malotes que mais pareciam o saco do Papai Noel, pontualmente às dez horas, horário de Brasília. Recebemos todas as orientações para que as provas fossem realizadas de forma mais justa e inviolável possível…

Já na sala, ao meio dia, esperávamos ansiosos pelos protagonistas daquele evento: os alunos, que chegavam um tanto apreensivos, meio ressabiados, sem saber o que lhes esperava… Na verdade, nem nós sabíamos. Tão grande era o segredo daquelas provas, que nem mesmo o MEC tinha conhecimento do que nos esperava…

À hora marcada, demos as instruções para os pupilos. Coisas do tipo: Não pode usar celular, nem qualquer outro tipo de aparelho eletrônico durante a prova, para ir ao banheiro seria necessário a presença de um fiscal, só até a porta, é claro!… E outras coisas mais, já ditas em rede nacional pelo “Gabriel o Pensador”…

Faltando cinco minutos para o início das provas, abrimos os envelopes após a certificação de que estavam realmente lacrados e de lá saltaram cadernos brancos, rosas, azuis e amarelos, estes últimos já marcados com o selo da discórdia… Tudo transcorreu normalmente, até que alguém notou que os títulos do gabarito estavam invertidos… E agora?… Liga pra Brasília!… O que fazer?… Não sei! Só sei que fomos orientados a orientar os alunos a seguir a numeração das questões, sem se preocupar com o título no gabarito…

Mas peraí!… como seguir a numeração se ela também estava errada no caderno amarelo?… Substitui o caderno!… Não tem caderno certo para todos!… E agora?… Registra em ata!… Tudo bem, mas como ficam as questões não respondidas?… Não foram respondidas porque não existiam… E a 21 e a 23 que eram iguais?… No fim das contas, muita gente foi, com certeza, prejudicada, só por causa de um erro gráfico primário que levou a ser impresso e encadernado uma mistura de caderno amarelo com caderno branco… Como é que ninguém conferiu isso?… Está me cheirando a sabotagem…

À noite, a imprensa já divulgava os enganos gráficos que, segundo autoridades não prejudicou nem um por cento dos alunos… Mas esse um por cento existe e não deve ser ignorado, principalmente para o aluno que está nele enquadrado…

No domingo, todos os alunos adentraram a sala com medo da maldição do caderno amarelo e quem o recebia não fazia uma cara muito bonita… Mas, ao contrário do sábado, tudo correu bem… Felizes foram os três adventistas que, protegidos por lei, esperaram no local da prova até o por do sol de sábado para começar a responder as questões, tempo suficiente para os erros serem reparados e ficarem livres da azaração amarela…

Amarelo é a cor do sol, do ouro e do azar! Graças a esta prova que, no dia seguinte foi anulada pelo ministério público, o amarelo passou a ser a cor da vergonha! Tudo isso por causa de uma meia dúzia de engravatados que querem desmoralizar um exame nacional criado para facilitar a vida dos estudantes de ensino médio que pretendem cursar uma faculdade… Infelizmente, os seres humanos julgam-se uns melhores que outros e se acham no direito de boicotar uma prova que os torna iguais, os coloca diante das mesmas oportunidades, independente de classe social, cor, raça, ou crença, pois presenciei até os aspectos religiosos sendo respeitados, provando que a melhor forma de se diminuir as diferenças é a democracia… Mas, infelizmente, alguns dos “poderosos” não tá “enem” aí com a democracia…

Márcio Roberto Goes

 

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