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Hei! Como está o seu salário?

Por: Professor Paulo Sergio de Moraes

Ah, o meu está legal porque o governo diz que o meu salário mínimo nunca teve um aumento tão real… Segundo o prefeito em seu discurso, o meu salário como professor nunca teve um aumento tão significativo e é um dos mais altos do estado…

Bom, o meu salário agora sim está ótimo mas tive que ficar sessenta dias em greve… Olha só!!!… vamos falar baixinho porque para o meu salário eu pedi 90% de aumento. Não ganhei, porém, depois que a polêmica foi desfeita, diminuí para 28% e com a maior facilidade consegui, e agora juntando com as mordomias que a lei me permite chego a faturar mais de cem mil reais por mês e ninguém contrariou.

Que beleza!!!!!… Eu não tenho do que me queixar pois, não possuo curso superior, mal fiz a quarta série e como vereador ganho mais de quatro mil reais por mês tendo o compromisso oficial de me encontrar pelo menos uma vez por semana conforme funcionamento das câmaras, assembléias e senado…

Epa!!! Pera aí… vamos mudar o rumo da prosa e discutir a relação… de salário! Será que estamos vivendo no mesmo país?… Por incrível que pareça estamos e somos injustiçados na mesma nação onde um trabalhador urbano que é a força–motriz da geração de renda recebe em geral R$ 600,00 por mês, um agricultor que produz todo o alimento que nos dá força para trabalhar e viver tem que se contentar com R$ 380,00 depois de uma vida inteira porque a previdência está quebrada, um professor que é responsável por muitos indivíduos assalariados necessita trabalhar de manhã, à tarde e à noite com um rendimento de R$ 1.800,00 reais já com os descontos e ainda tem que se dirigir angustiantemente aos seus alunos com o discurso de que o estudo é importante “para obter vaga no mercado de trabalho” e não para contribuir para a real independência do país e de si mesmo em todos os aspectos.

Por esta situação, sem menosprezar cada cidadão que tem um salário baixo ou alto, imagino que o nosso Brasil não pode avançar no campo social, econômico, técnico–científico, cultural com esta e tantas outras diferenças, e enquanto a maioria do povo não for valorizada.

Em pleno século XXI em todos os setores público ou privado é a dominação de poucos que emperra a mudança e o crescimento e há a preocupação, em maior escala, com os interesses de pequenos grupos em detrimento de um povo que soma mais de 180 milhões de pessoas.

Por outro lado, há um discurso rançoso que ainda reluta em manter–se vivo de que algo nunca esteve tão bem quanto está hoje, mesmo após quinhentos e sete anos da invasão pelos portugueses e como sempre um pequeno grupo no domínio da situação.

Essa insistência no discurso e não na prática tem feito absolutamente nada de concreto para que a maioria da população viva em condições de igualdade e acesso, a não ser, migalhas que ao invés de nos alimentar por completo vão nos sufocando e deixando – nos sem força para reagir.

Por todas estas razões e argumentos, gostaria de conclamar a sociedade para uma reflexão sobre algumas diferenças que são escandalosamente insustentáveis para uma nação que é economicamente dependente de pequenos grupos mundiais e assim, quando perguntarem como está o seu salário você tenha autonomia para dizer que está ótimo e que você vive em um país onde a igualdade e o acesso são garantidos realmente para cada um dos 180 milhões de brasileiros.

E viva a igualdade e as oportunidades…

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