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Tag: união

Equipe de mudança

Fonte: www.educacional.com.br
Fonte: www.educacional.com.br

 

Sabemos, o professor que é realmente educador, obriga-se a aprender de tudo um pouco e exerce várias profissões dentro da educação. Tem professor que é psicólogo, marceneiro, contorcionista (para poder se virar com o pouco material dispensado à escola pública), palhaço (tentando chamar a atenção de um público, muitas vezes, desinteressado com aquilo que quer e precisa mostrar) e o mais frequente: artista… Essa é uma característica inerente a quase todos os educadores, pois um professor de verdade, precisa ser criativo e usar de todas as artes para fazer da escola um ambiente agradável…

Fora da escola também encontramos vários educadores que exercem os mais diversos tipos de profissão secundária, ou “bico” mesmo para ajudar no orçamento: Vendedor de artigos importados (muamba mesmo), produtos de limpeza e de beleza, produtor de áudio, artesão, montador de móveis, fotógrafo, e tantos outros ofícios dignos de quem estudou para ser mestre, mas é remunerado com aprendiz e quase sempre está na última opção dos gestores públicos no que tange a valorização profissional e remuneração…

Mas o Wandão até nisso inovou totalmente. Temos uma equipe de mudança. Quando sabemos de um colega, amigo, ou conhecido que está prestes a mudar de endereço, lá estamos nós, prontos a ajudar despretensiosamente e gratuitamente, só pelo prazer de reunir a equipe para ajudar uma família que precisa carregar seus móveis e utensílios para um novo lar…

Nosso diferencial é o bom humor, que nos faz trabalhar um ou dois dias inteiros numa mudança sem sentir o cansaço típico de quem carrega peso durante muito tempo… Além do mais, temos um profundo respeito pelos pertences de outrem, inclusive chamando pelo nome. Compomos até uma musiquinha para chamar os móveis: No início, a equipe está com todo gás e canta em auto e bom tom: Fogão! Ta… na… na!… Balcão! Ta… na… na!… Cama box! Ta… na… na!… Mas com o passar do tempo e vendo um a um os móveis subirem no caminhão “saltando a veia do pescoço” de tanto fazermos força, o ritmo fica cada vez mais lento e o ânimo também não é mais o mesmo: G e l a d e i r a ! Ta… … … na… … … na… … … na! Porém, quando vemos descer o derradeiro dos móveis, nossos ânimos se renovam e cantamos mais forte batendo palmas: Uhú!… Fogão a lenha!… Ta… na… na!… Aêêê!!!…

O importante nisso tudo é a convivência e a amizade que brotou no momento em que nos efetivamos numa escola cujo prédio próprio acabara de ser construído e com o passar do tempo acolhemos os contratados temporários como membros da família, formando um círculo de amizade tão grande que a cada ano que passa, dificilmente muda um professor ACT, fazendo-nos sentir todos iguais… Infelizmente, nas várias escolas por onde passei, vi em muitas delas, um terrível apartheid, entre efetivos e ACTs, chegando ao cúmulo dos efetivos terem o direito exclusivo ao sofazinho confortável da sala dos professores enquanto os contratados deveriam se contentar com as cadeiras duras de madeira, sendo olhados dos pés a cabeça com ar de superioridade daqueles que compõem o corpo docente efetivo…

Mas o Wanda foge a regra fétida e selvagem do jogo de poder. Lá temos uma família que trabalha e se diverte sempre unida. Quando existe um fio de discórdia, ou intriga, logo se dissolve, pois não há mal que resista a união, e se precisar, estamos abertos às mudanças, tanto no real, como no abstrato, tanto no físico, quanto no psicológico…

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