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Tag: Sonho

A Escola dos Meus Sonhos

A Escola dos Meus Sonhos

Publicado em:
18/04/2008 – www.cacador.net

Lá no fundo dos meus sonhos existe uma escola com amplas portas sempre abertas, onde encontram-se os professores, no início do turno, recebendo seus alunos com um caloroso abraço e um sorriso sincero de boas-vindas.

Na escola dos meus sonhos, que fica lá no fundo da minha mente e num cantinho todo especial do meu coração, existe um amplo jardim, onde crianças e jovens interagem com a natureza amando-a, respeitando-a e preservando-a de uma forma tão sólida que se reflete em seus lares voluntária e naturalmente… Lá não se vê nenhum papel no chão e todo o lixo é reciclado…

Nesta escola situada lá nos confins do meu cérebro utópico e bem no meio do meu coração apaixonado pela educação, cada professor tem a sua sala personalizada e a cada troca de turma, vai esperar, na porta, aqueles que são a razão de seu trabalho, cumprimentando-os novamente com um sorriso sincero estampado em seu rosto… Lá os professores e funcionários não se importam em “perder” parte do tempo com o relacionamento humano…

Na minha “escolinha”, o professor torce e luta pelo crescimento pessoal dos seus alunos que ocupam o lugar reservado a grandes amigos em seu coração e não se importa de fugir do conteúdo e aconselha-los de vez em, quando de uma forma despretensiosa e sincera… No educandário dos meus sonhos só se aceita professores que tenham, além da formação acadêmica, o amor ao próximo no seu currículo…

Na escola dos meus sonhos não existe livro-ponto, pois as pessoas que lá trabalham, amam o que fazem, nunca faltam e quando precisam ausentar-se por motivos inevitáveis, sentem uma grande angústia por estarem longe da sua paixão… Nesta escola, o professor é valorizado e respeitado, trabalha com uma estrutura completa, sabe fazer uso de todas as tecnologias e nunca se cansa de aprender…

Na minha escola, escondida no meio das minhas utopias, tem uma biblioteca ampla, arejada, mobiliada e (principalmente) cheia de livros, onde o aluno encontra-se com seus mestres, pois é lá que eles estão na tal “hora atividade”.

Na escola dos meus pensamentos grandiosos, não se usa mais o divã da sala dos professores, aliás nem existe tal lugar, somente um ambiente altamente agradável onde professores, alunos e funcionários passam o mesmo recreio, comem o mesmo lanche e participam das mesmas conversas…

Lá no fundo da minha mente e bem no meio do meu coração, tem uma escola onde todos lutam pelos mesmos ideais, caminham na mesma estrada, rumo ao conhecimento que não se importa com a quantidade de dias letivos, acessível a todos de forma eclética e dinâmica…

De repente minha mente pára, meu coração retoma o compasso monótono, volto para a realidade e percebo que parte da escola dos meus sonhos já existe… Só a casca… Ainda está verde… E as intempéries não a deixam amadurecer como deveria.

Márcio Roberto Goes
Sonhando só

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Esperança

Esta foi por encomenda. Uma aluna me fez o pedido para escrever uma crônica sobre esperança, espero que ainda não tenha perdido a dela, pois já faz tanto tempo!

É uma palavra muito eclética para ser resumida em poucas linhas. A cada dicionário que consulto surge uma definição diferente… Penso que a esperança é para sentir e não para definir, porém utopicamente carrego a esperança de um dia defini-la.

Desde que “me conheço por gente”, vejo as pessoas ao meu redor alimentando a esperança de ver um país e um mundo melhor e mais justo, sem guerras, intrigas ou desigualdades sociais, porém, os protagonistas deste sentimento, são os pequenos, que não podem ter nada, além da esperança de que aqueles nada esperançosos, que um dia receberam seu voto e foram eleitos engordando utopias do povo e seus próprios bolsos, façam algo por estes pequenos que sonham em um dia ser grandes aos olhos das autoridades, e não só em ano de eleição.

Os anos passam, as autoridades mudam, o mundo muda, o país muda… Só não muda a esperança, porque os digníssimos e os excelentíssimos continuam com os mesmos objetivos, onde o povo não cabe, afinal, ainda existem outras prioridades mais prioritárias na visão deles (perdoe-me a redundância).

“A esperança é a última que morre” e por isso é a que mais sofre, vendo o sepultamento dos objetivos e sonhos mais justos e sublimes dos seres humanos, que por mais felizes que sejam, sempre regam uma nova utopia, um novo objetivo, um novo sonho…

Um espera emprego, outro não está contente com seu trabalho e gostaria de ganhar mais e trabalhar menos, como fulano ou bertano… Outro, igual a milhares, espera um grande amor, outro ainda, prefere vários amores, e há aquele que se contenta em viver sem amor… Quem já tem uma paixão, espera nunca perdê-la… Quem perdeu, espera recuperar o velho amor ou viver um novo, afinal, não se vive sem amor, seja qual for sua concepção ou razão.

São várias as esperanças criadas e alimentadas pelo ser humano. Mesmo o desesperado, tem a pseudo-esperança de morrer e findar seu sofrimento, porém o suicídio não acontece, porque ainda existe um sonho esperançoso.

No mundo atual, em que ao sairmos de casa, temos apenas trinta por cento de chance de voltarmos ilesos, física, mental ou ideologicamente (estou sendo otimista), estar vivo e não deixar que nenhum desesperado mate nossas esperanças já é uma vitória merecida para aquele espermatozóide microscópico, cuja esperança maior foi chegar por primeiro ao óvulo e fecundá-lo, celebrando assim, o milagre da vida.

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O SONHO DO JOAQUIM

As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico...”.

Colocada na ordem direta, essa frase que compõe os dois primeiros versos do Hino Nacional Brasileiro, nos faz perceber o que o “seu Joaquim Osório Duque Estrada” estava querendo dizer aos brasileiros que não tiveram a mesma regalia daquelas margens serenas que ouviram de tão perto o grito da independência, proclamado retumbante e estrondosamente pelo povo, na pessoa de Dom Pedro I, que pagou ao próprio pai: o Dom João VI, rei de Portugal, um mensalão simbólico de cinco mil libras esterlinas, uma moeda tão importante naquela época, quanto o dólar hoje (Isso que naquele tempo ninguém usava cuecas!)…

Desta forma, o então proclamado imperador do Brasil conquistou, não com braço forte, mas com bolso cheio, o penhor da nossa terra que agora deixava de ser colônia, para igualar-se a Portugal na condição de nação, com uma diferença: já nascia com uma impávida dívida externa que aos poucos se tornava colossal e retumba até hoje em nossos ouvidos, mudando unicamente os credores, que hoje USAm e abUSAm do Brasil e do mundo.

De qualquer forma, foi um ato heróico, desabafado através de um brado retumbante, semelhante à torcida do hexa, que merecia bandeiras nacionais e fitas com o verde-amarelo inconfundível do país do futebol, execução do hino nacional e amor incondicional à “Pátria amada, mãe gentil” exteriorizado espontaneamente de uma forma que não se presencia na semana que antecede o dia sete de setembro.

Onde está o verde-louro de nossa flâmula? (Aliás, cadê a flâmula?)… O lábaro estrelado que ora ostentávamos pela seleção canarino?… Quem lembra das glórias do passado?… Cadê a esperança de paz no futuro?… Que destino teve a clava forte da justiça?… (provavelmente, queimou junto com aquele avião)… Onde estão aqueles que desafiavam a própria morte no seio da liberdade?… Será que morreram, junto com o sonho do hexa?… Aliás, é este nosso “sonho intenso de amor e de esperança” que desce em nossa Pátria em forma de raio vívido, atualmente?…

O que vale mais: Uma bola buscando a rede adversária, ou um povo buscando justiça e vida digna que não tem um milésimo das regalias daqueles estrangeiros nacionais que defenderam (ou quase) o verde-louro da flâmula brasileira nos campos da Alemanha?…

Seu Joaquim que me desculpe, mas a coisa por aqui não está nem um pouco do jeito que ele sonhou: Não se ouve mais sua composição passional de uma beleza inenarrável, ecoando nos lares e escolas na semana da Pátria. Não se vê mais o lábaro estrelado nas casas, edifícios e repartições públicas, tremulando por amor à nossa “mãe gentil”. Perdeu-se a consciência deste florão, pedra preciosa da América. Apagou-se o “sol do novo mundo” no total descaso por este “gigante pela própria natureza”, que adormece, “deitado em berço”, já não tão “esplendido”, “ao som do mar e à luz do céu profundo”, esperando para despertar no dia em que seus filhos retomem “da justiça, a clava forte” e percam a vontade incessante de fugir da luta por uma Pátria amada… Mais amada e idolatrada. Salve! Salve!…

Márcio Roberto Goes
Impávido, colosso e modesto

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