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Tag: Santo Damo

Os terceirões da minha vida – parte I – Santo Damo

 

Durante minha modesta vida de onze anos de educação, já passei por várias turmas de formandos de ensino médio, nas escolas por onde andei. Quase todos os anos sou escolhido como regente de terceiro ano, portanto, quase sempre cabe a mim a difícil tarefa de apaziguar as relações de turmas que se conhecem muito bem, portanto sabem qualidades, defeitos e pontos fracos, uns dos outros… Porém, este ano foi diferente. Em virtude da licença prêmio usufruída por este que vos escreve nos três primeiros meses letivos, eu não estava presente, portanto não fui votado como regente… Este fato me dá, enfim, condições de escrever sobre meus pupilos formandos de forma imparcial. Mas, como convivo com seis turmas de terceiro ano em duas escolas públicas e uma particular, um só texto seria pouco para falar de todos, portanto resolvi dividir em partes, de forma que se torne mais confortável para os leitores e se encaixe neste espaço aqui ó… Sem sobrar, nem faltar…

 
Pela primeira vez, trabalho na Escola Estadual de Educação Básica Dr João Santo Damo, onde convivo com uma “galerinha sangue bom” de dois terceiros anos… Lá, vejo de tudo: professores sonhadores como eu, que se sentem indignados com a situação da educação pública, companheiros, parceiros para todas as horas e alunos mais ecléticos ainda…

 
Entre os estudantes é que encontramos grandes exemplos de vida: Os gênios de óculos (ou não), que lutam contra sua deficiência, leve, ou grave em busca do conhecimento (ou não)… Tem aqueles que sempre estão a postos para ajudar seus mestres no carregamento do conhecimento a tiracolo, na organização da sala, apagando o quadro negro e até escrevendo nele quando o professor é portador de rinite alérgica e não pode ter uma relação amigável com o giz, que na verdade, já deveria estar extinto dos educandários do século vinte e um…

 
Encontra-se, lá no fundão, uma turma que gosta de trabalhar sempre em equipe, mesmo que não seja para fazer aquilo que o professor pede… À frente, grupo quase sempre composto por meninas, estão as mais interessadas (Pelo menos aparentemente), que sempre têm disposição para responder os questionamentos, apontar soluções e revelar sugestões sobre o assunto proposto, além  de, nos dias cinzas do cotidiano escolar, encarregarem-se de distrair o professor para que ele escreva o mínimo possível e alongue o debate sobre o que for: fato que não é de todo mau quando se trata de Língua Portuguesa, disciplina que trabalha também a comunicação e expressão…

 
Na sua maioria, nossos alunos Santodamenses são pró-ativos, o que revela uma excelente base filosófica e de cidadania, mérito de todos os outros professores antecedentes. Vivemos juntos, muitas alegrias: projetos, discussões, produções de texto magníficas, socializações de trabalhos, integração com os anos iniciais do ensino fundamental através da obra de Monteiro Lobato, festa julina, entre tantas outras…
Porém, um fato me deixou flutuando de satisfação (é assim que fica um professor quando vê um aluno caminhando com as próprias pernas): Uma aluna, mais precisamente a Ellen, da turma 302, conhecida por todos, amada por uns e odiada por outros, me procurou durante a reposição de aula no dia da proclamação da república, com caderno, lápis e borracha em mãos: “Queria que desse uma olhada num texto que produzi durante a viagem ao congresso da UBES”…

 
Para tudo!!!… Eu não pedi que os alunos participantes do congresso produzissem textos sobre o assunto… Isso quer dizer que ela escreveu por livre e espontânea vontade, sem pressão, sem promessa de nota (até porque já garantiu seus vinte e oito pontos)… Ou seja, escreveu com o coração!… Já gostei!… Gostei mesmo!…Sem ler, já gostei!… Pois o ser humano escreve bem quando o faz com o coração… Li e gostei mais ainda: palavras que revelam uma aluna consciente e cheia de vontade de lutar pelos seus ideais e pelos direitos das pessoas que a cercam… Uma escritora em potencial…

 

 

 

 

 

Márcio Roberto Goes

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Visitas interativas

 

Tenho um sonho de educador e escritor: Sempre quis visitar diferentes escolas e participar um pouco do cotidiano de cada uma delas, presenciar diferentes realidades e costumes, conhecer novos alunos e professores, enfim, interagir com o mundo escolar que sempre será eclético e muito rico artística e culturalmente. Penso que a escola seja o berço das grandes personalidades e é lá que está o meu mundo, em sala de aula, cara a cara com o aluno, sem máscaras nem joguinhos de interesse. Um único compromisso: Lutar por uma educação pública cada vez melhor…

Finalmente, este sonho está sendo realizado… Em 2006, já fazia um ano que escrevia semanalmente, fui convidado para palestrar para alunos da Escola Paulo Schieffler, onde, orgulhosamente concluí o curso de magistério em 1999… Depois disso, visitei a escola Tabajara, O Irmão Leo e Domingos da Costa Franco, sempre a convite das professoras de Língua Portuguesa.

Nas últimas semanas, por conta das olimpíadas da Língua Portuguesa, tenho feito muitas visitas para alunos de oitava série de ensino fundamental e primeiro ano de ensino médio, cujo gênero abordado pelo concurso é Crônica, para realizarmos uma conversa sobre a importância da leitura, análise e produção de texto na vida cotidiana do ser humano.

Primeiramente, a convite da professora Suely, visitei a escola Alcides Tombini, no bairro onde vivi por trinta e cinco longos e felizes anos, conversei com a garotada de oitava série sobre alguns escritos meus e de tantos outros escritores por este Brasil afora. Em seguida, atendendo ao pedido da professora Marlise, pela primeira vez, realizei uma palestra no Wandão do meu coração, fato que me deixou muito emocionado, pois derrubou aquele dito de que “Santo de casa não faz milagres”. Da mesma forma, trocamos figurinhas sobre a prática da leitura e produção dentro e fora de sala…

 

Alunos recebem escritor
Alunos do Santo damo recebendo escritor

Por fim, fiz duas visitas à escola João Santo Damo, uma no matutino e outra no vespertino que incluiu a sétima série na equipe, a convite da professora Maristela que fez um trabalho maravilhoso com seus pupilos a partir dos meus textos… Ao chegar, já fui abraçado por alguns alunos que, receberam um abraço de quebrar os ossos como retribuição, diante de um pequeno mural dando-me as boas-vindas e um recorte do texto que fiz em homenagem ao meu amigo fiel, Bilú… Conversamos, interagimos, trocamos experiências, cantamos, respondi muitas perguntas que revelaram a leitura crítica dos meus escritos e tive a imensa satisfação de autografar alguns cadernos e receber palavras edificantes por parte daqueles adolescentes que se revelaram dinâmicos, críticos, leitores e escritores em potencial…

Visita ao Santo Damo
Visita à Escola João Santo Damo

Mas a minha surpresa maior foi a tarde, quando falava do meu primeiro texto publicado há cinco anos: “O grande condutor”… Ao perguntar se alguém o tinha lido, uma mão se levantou na pequena multidão daquela sala que transbordava juventude: Era a Bianca, uma aluna que estudava na escola Tabajara visitada por mim, quatro anos atrás. Contou-me detalhes do texto que nem eu lembrava e me encheu de palavras edificantes e emocionantes. É pela Bianca e por tantos outros jovens leitores que continuo escrevendo, pois se as palavras escritas por este utópico professor, permanecem na memória de uma jovem estudante por tanto tempo, é porque de alguma forma tocaram e revelaram alguma emoção… Enquanto isso acontecer, continuarei escrevendo… Enquanto escrever, continuarei vivendo, enquanto viver, continuarei presenciando cenas como esta que me dão o combustível necessário para continuar escrevendo…

Bianca
Aluna da 8ª série recorda primeiro texto de Márcio Goes

Márcio Roberto Goes

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Jornal Informe – O diário Regional

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