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Tag: religião

Preconceito religioso

Fonte: www.google.com.br
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 Numa destas tardes ensolaradas de inverno, quando o frio intenso resolve dar uma trégua, resolvi sair pelas ruas do centro a pé e de roupa social: Sapato preto com meias combinando, calça, camisa e colete azuis, paletó preto… Só faltou a gravata roxa que ganhei do pessoal de Pedagogia quando estive fazendo uma visita a eles…
 Pois bem, nestes trajes saí, “bem bicudo” pelas ruas da cidade, assoviando uma canção qualquer, despreocupadamente olhando as vitrines… Encontrei um conhecido aqui, outro alí, um aluno prá cá, um colega acolá… Quando adentrei numa destas lojas chamadas de “shopping de pobre”, daquelas que, antigamente vendiam tudo a um real, ou a um e noventa e nove, mas agora têm esses valores como preço mínimo, estes estabelecimentos que vendem tanta coisa, na maioria inútil, mas que a gente encontra uma razão de ser…
 Entre uma gôndola e outra, encontrava alguma coisa que me chamava a atenção e parava por alguns segundos, quando aproxima-se um senhor aparentando seus sessenta e poucos anos de paletó creme, camisa verde, calça azul, sapato marrom e puxa conversa comigo:
– Tá encarecendo tudo, né?
– Verdade!
– Você é crente?
 Aquilo me soou meio estranho naquele momento e naquele lugar, mesmo assim, respondi seguramente:
– Sim!
– A gente percebe pela vestimeta… De que Igreja?
– Católica Apostólica Romana…
– Então você não é crente!
 Dizendo isso, pegou a cestinha, continuou fazendo suas compras e me deixou, como a maioria das pessoas desconhecidas que se aproximam de mim, pensando em suas palavras… Ao voltar para minha residência oficial de toda estação, peço ajuda para meu amigo Aurélio digital para entender o sentido da palavra “crente”:
 “Que, ou quem crê”… É o que diz o dicionário. Então por que um católico praticante como eu não é considerado crente?… Infelizmente, convencionou-se no Brasil que crentes são só os evangélicos, que só eles leem e seguem a Bíblia, só eles sabem orar… E o pior, relaciona-se isso a toda pessoa que veste paletó numa tarde normal de inverno… Chamo isso de preconceito religioso, que ao lado do racial, do social e do político, são os piores que a humanidade já alimentou até hoje. Sei que aquele senhor não tem total culpa de pensar assim, alguém enfiou aquilo na cabeça dele…
 Tenho muito carinho e respeito pelos nossos irmãos evangélicos, mas não acho justo que eles monopolizem o adjetivo “crente”, sei que existem muitas Igrejas sérias e bem fundamentadas em suas doutrinas, mas existem muitas por aí, de fundo de quintal, que nem doutrina têm, pregando a Palavra de uma maneira discriminatória, desrespeitando os outros seres humanos que não têm a mesma placa.
 O fato de uma pessoa não acreditar do mesmo jeito que outra, não significa que ela não crê… Existem formas diferentes de cer no mesmo Deus, e tenho a convicção de que Ele não discrimina nenhum de seus filhos, porque então os seres humanos o fazem?… Não importa o lado que bebemos da fonte, o importante é beber da mesma Água Viva…

 

Márcio Roberto Goes

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