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Tag: professor

Desabafo de um professor imperfeito

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Em todas as profissões existem pessoas dedicadas e outras, nem tanto… Existem profissionais comprometidos com o ser humano ao redor e outros preocupados só com o contracheque… Com o magistério não poderia ser diferente… Fazemos o que podemos em sala de aula para manter a qualidade de educação que as autoridades tanto confabulam, debatem, mas raramente sentem o chão de uma escola para conhecer os verdadeiros anseios da educação pública…

Nós que estamos na linha de frente, sabemos muito bem o que é lidar com o ser humano nas suas mais variadas situações, tentando tratá-lo com o respeito, dedicação e amor que merece e, esperando que assim seja retribuído… Mas nem sempre acontece: Constantemente, sofremos duras críticas em nosso trabalho, normalmente vindas de pessoas que não estão por dentro do que está acontecendo… São os juízes da educação pública, têm solução para tudo, desde que eles não precisem arregaçar as mangas, afinal, sua função é só julgar aquilo que “tá todo mundo comentando”…

Ainda assim, a sala de aula continua sendo, a meu ver, o melhor lugar do mundo para se conhecer pessoas fantásticas, mesmo diante da perfeição cobrada de seres imperfeitos por outros seres imperfeitos, mas que se julgam melhores por causa dos títulos que carregam… De que valem os títulos de um professor diante da imperfeição daqueles que cobram dele a perfeição absoluta?

Professor deve ser exemplo de moral, ética, cidadania, exatidão, pontualidade, empenho, dedicação, enfim, alguém sobrenatural, diante da humanidade cheia de defeitos… Infelizmente, acho que não tenho cumprido todos estes requisitos, afinal sou um bocó que busca melhorar a cada dia, mesmo que, às vezes o faça a passos de tartaruga, já que muitos obstáculos procuram empurrar o profissional de educação para baixo, desmotivando, condenando, xingando e deseducando…

Quando investimos nosso conhecimento, empenho, tempo e dedicação num projeto e o fazemos com o coração, certamente teremos bons resultados, mas fica difícil continuar a caminhada quando as imperfeições do nosso modesto trabalho são amplamente divulgadas e os acertos ignorados…

Buscamos melhorar o ser humano que está diante de nós na sala de aula, para tanto é necessário, primeiramente, buscar melhorias para nós mesmos… Até que ponto somos perfeitos no mesmo nível que cobramos dos nossos alunos e colegas?… Nosso nível de empenho é o mesmo que esperamos de educandos e educadores ao nosso redor?… Ou refletimos nos outros nossos desafetos? Afinal, medimos as pessoas ao nosso redor com as nossas medidas…

Amados alunos, queridos colegas, respeitáveis gestores, perdoem este professor meia boca… Perdoem a falta de perfeição neste profissional que só busca uma escola mais humana, aberta ao debate e a discussão da aplicabilidade de tudo aquilo que se “ensina”…

Por fim, perdoem pelos títulos que carrego, de uma utilidade tão inútil que não servem nem mesmo como parâmetro para uma maior valorização moral e financeira da profissão, aliás, de nada adiantam os diplomas se não percebemos que pertencem a um ser humano imperfeito…

Márcio Roberto Goes

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Desabafo na licença

 

Apesar de tudo, é bom saber que muitos dos direitos adquiridos pelos trabalhadores ainda permanecem intactos… Como funcionários públicos do magistério estadual, também temos alguns direitos e, ao contrário do que se pensa, outros (muitos) nos foram furtados: não temos fundo de garantia e não somos regidos pela CLT (consolidação das leis trabalhistas), ou seja, a assembleia legislativa e o senado podem brigar até altas horas pelo ridículo aumento do salário mínimo que não nos afetará diretamente, até porque não temos a mesma periodicidade de reajuste salarial e precisamos “viver na luta” para ter nossos direitos garantidos e cumpridos na prática…

Mas os trabalhadores do magistério público estadual têm a possibilidade de usufruir da licença prêmio de três meses após cada quinquênio trabalhado… Que coisa boa! Apesar de sentir muita falta da sala de aula, estou feliz no gozo de uma delas. Quando soube que foi aprovado o pedido de licença, já comecei a fazer planos: Viajar, visitar meus parentes, estar mais com meus amigos e familiares e fazer algo pelas pessoas que, por ventura, precisarem da minha ajuda neste período… Mas muitos dos meus planos necessitam de dinheiro para serem concretizados e os vi despencarem no abismo do desânimo quando conferi meu contracheque…

Acontece que nossos governantes que têm aposentadoria vitalícia milionária garantida depois de deixarem o cargo, pensam que um professor em licença não precisa de dinheiro: não lhe faz falta a regência de classe, não lhe importam as aulas excedentes e não precisa comer, pois até o vale alimentação garantido por lei, some da folha de pagamento… O pior de tudo é que, em nenhum momento, li no estatuto do magistério público estadual de Santa Catarina, qualquer parágrafo que dissesse que um profissional usufruindo de licença prêmio perderia honorários, nem mesmo os abonos… Enquanto isso, o Luizinho, o Pininho, o Pavão Misterioso e tantos outros, usufruem de uma “modesta” aposentadoria vitalícia de mais de vinte mil reais mensais como ex-governadores. Uma para cada mandato, ou seja, quem foi re-eleito recebe em dobro…

O que será que passa pela cabeça destas autoridades quando veem um cidadão obrigado a trabalhar sobre condições precárias durante trinta e cinco longos anos para conseguir uma aposentadoria miserável de R$ 545,00?… Pelo jeito, não passa nada em suas mentes, pois já perderam a noção de justiça, mergulhados no dinheiro do povo que nunca vai lhes faltar, pois eles mesmos já garantiram seus direitos em tempo vergonhosamente recorde…

Tenho muito orgulho em ser professor da rede pública, sinto-me feliz em poder contribuir com o futuro de nossas crianças e jovens. Estou nesta profissão, que chega a ser uma filosofia de vida, por amor… E é o amor pela escola que me permite continuar nesta jornada, porém dependemos das decisões lá de cima e, quase nunca, o povo aqui de baixo é consultado e raramente têm seus direitos garantidos sem precisar lutar…

Já escrevi milhares de vezes e vou escrever de novo: “Até hoje, não vi nenhum político, eleito por nós que trabalhasse, realmente pelo povo”… O que vejo são vitrines eleitorais que, no fundo, valorizam seus “amiguinhos” que financiaram a campanha esperando o (des)merecido retorno daqueles que já foram eleitos “com o lombo” cheio de encostos e compromissos firmados longe das vistas dos eleitores…

A eles, nosso voto de confiança… A nós o descaso deles… Quem não acredita, faça uma visita às nossas escolas públicas e verá prédios praticamente novos interditados, cursos técnicos sem a mínima estrutura necessária para um bom aproveitamento, uma merenda terceirizada cujos funcionário que a fazem raramente recebem salário… Claro que o lanche é de qualidade nunca vista na escola pública, mas os trabalhadores que a produzem deveriam ser merecidamente valorizados… Sem falar na desvalorização dos profissionais da educação, cuja recompensa por uma vida inteira de estudo é um salário que, nem de longe se equipara com outros profissionais com o mesmo nível de formação… E durante a licença, do pouco que nos foi garantido, metade é abortado… Uma lástima!…

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Jornal Folha da Cidade – Caçador, SC

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A professorinha

 

Era uma vez uma escola quase tradicional, quase moderna e o meio termo ficava por conta do tratamento dado aos seus alunos, que cresciam em sabedoria e graça, às custas de muita exigência através da “psicologia do cagaço”… Naquela escola, problemas do cotidiano, principalmente os comportamentais eram facilmente resolvidos no grito e no chingamento. Os alunos já estavam convencidos de que eram uns “retardados” e não conseguiam aprender nada direito… Acomodaram-se e passaram a ter o mesmo comportamento com os colegas e professores. Mas tudo ficava em paz depois de alguns chingamentos por parte dos gestores, mesmo que este processo precisasse ser repetido diversas vezes durante o dia para manter a paz e a harmonia naquele renomado e bem conceituado educandário público…

E eis que foi trabalhar naquela escola, uma professorinha jovem, universitária, cheia de novas ideias e boas intenções. Fazia um curso superior de Artes Visuais por dois motivos: Amor às artes e amor à educação. Ao ser apresentada para a direção, ela que aparentava menos idade do que tinha, foi olhada da cabeça aos pés pela gestora que lhe perguntou: “Tem certeza de que vai dar conta?”… Sua resposta, apesar da pergunta humilhante, foi positiva, afinal, estava cheia de novas ideias para pôr em prática, sonhava com cada trabalho, planejava cada aula, mesmo antes de ser contratada… A diretora, meio ressabiada, aceitou a professorinha e encaminhou a papelada para o contrato temporário para cobrir uma licença…

E eis que a professorinha começou a trabalhar… Na primeira turma que entrou, foi calorosamente recebida, a maioria dos alunos fez as atividades propostas com louvores. Estava realizada, era aquilo mesmo que queria para sua profissão. Sentia-se feliz… Já na segunda turma, foi preciso a interferência do setor pedagógico que resolveu o problema no “cagacionismo”. A professorinha assustou-se, ficou com a voz daquela mulher zunindo na bigorna, imaginando que os alunos deveriam estar sentindo o mesmo… Naquela turma, não conseguiu realizar um trabalho satisfatório, não foi respeitada pelos alunos por não usar de chingamentos e ameaças. Queria propagar o amor as artes, não lhe agradava deixar as crianças fazendo um desenho “nadavê” só para mantê-las ocupadas e em silêncio. Mas era somente isso que dava resultado, aliás, resultado só para a comodidade do professor, pois os alunos, após alguns gritos, permaneciam quietinhos, comportadinhos e vazios… Vazios de conhecimento, aprendizado e de exemplos… A professorinha agora entendia a razão de tanta rebeldia daquelas crianças, elas só estavam retribuindo o tratamento “vip” a elas dispensados e seria quase impossível consertar vários anos de estrago em apenas três meses de trabalho.

E eis que a professorinha pediu ajuda… Mas também usaram a “psicologia do cagaço” com ela. “Esses alunos são assim mesmo, se mostrar os dentes, eles tomam conta”… Dizia a diretora: “Tem que entrar na sala de cara amarrada e ser bem ruim com eles”… Mas a professorinha ainda acreditava que poderia mudar aquela situação… Sei lá!… Fazer alguma coisa por estas crianças que só serviam para os poderosos comprovarem seu poder através das ameaças…

Ao terminar o turno, um aluno apontou para a professorinha e disse: “amanhã vamos fazer esta professora chorar”… E eis que no dia seguinte, a professorinha chorou… Chorou indignada, chorou desconsolada, chorou por não poder fazer nada por aqueles seres humanos que já tão cedo estavam calejados pelas agressões morais… A professorinha então desistiu. Não teve mais forças para lutar contra um estrago causado desde o primeiro dia do primeiro ano de escola daquelas crianças… E eis que contrataram outra substituta que seguia feliz, dando desenho para passar o tempo e mantendo a ordem da desordem de uma escola que só dá apoio ao professor, quando utiliza o método do “cagacionismo”…

Era uma vez uma escola…

Márcio Roberto Goes

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Jornal Informe – O diário Regional

jornalinformediario.blogspot.com

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Não sou jornalista

Certo dia em que fui a um certo supermercado: destes que têm de tudo, desde xampu até pneu, encontro com um atendente que tenta me vender uma cafeteira… E conseguiu, mas isso não vem ao caso… O que me chamou a atenção foi o papo dele, confundindo minha profissão e minha função por aqui :

“Você ganha bem, é jornalista!”…

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