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Tag: pneu

Cinco homens e um pneu

pitstopDizem, e eu concordo, que professor é a profissão mais completa que existe, pois para que se tenha uma educação de qualidade, é preciso que os educadores tenham um mínimo de conhecimento sobre tudo. É claro que não podemos ser mestres em absolutamente tudo, mas uma boa leitura, prática continuada e um pouco de “cara de pau” podem nos trazer avanços consideráveis em todos os ramos do conhecimento.

Lógico, estou falando daqueles professores, grande maioria,  que estão comprometidos com uma educação de qualidade, para ajudar seu aluno a ser alguém melhor, apontando-lhe a direção da pesquisa e da prática… Não vou destacar aqui, aquele professor que tem aversão às tecnologias e não luta para vencer seus medos, não aprende, tampouco quer aprender, nem mesmo instalar um projetor multimídia, quem dirá, usá-lo: coisa básica nos dias atuais. Também não falo daquele que não leva seus alunos na sala informatizada por preguiça de redigir um projeto, ou por medo de “saber” menos que o aluno… Certamente, este mestre amedrontado não leu o que diz Paulo Freire: “Não há saber mais, ou saber menos. Há saberes diferentes”, e o saber diferente do aluno pode somar no processo ensino-aprendizagem. A este professor, “dador de aulas”, prefiro não dar atenção neste momento.

Tem professor pra todo gosto: O carrasco, o gente boa, o brincalhão, o amigo da turma, o matão, o crítico de cinema que só passa filme, o arcaico que só usa saliva e giz, o chorão que só reclama de salário, o conformado que não luta por seus direitos… E assim poderíamos elencar muitos outros tipos de educador, alguns positivos, outros, nem tanto. Mas o que vivi esta semana, me fez pensar que a cada dia surge uma experiência nova levando-me a descobrir um novo tipo de professor… Já viu falar de professor borracheiro?… Pois é, acabo de encontrá-lo, aliás, um só não,  cinco… e de péssima qualidade…

Tudo começou numa manhã nublada de outono, saída do matutino, na Escola Wanda Krieger Gomes, quando um de nossos colegas surpreendeu-se com um pneu de seu carro furado. Logo juntou gente, a maioria para olhar, é claro… Mas alguns deles, cheios de boa vontade, resolveram dar sua contribuição ao colega que vivia momentos angustiantes. Um deles, já foi arregaçando as mangas e pegando o macaco, outro, grudou na chave-de-roda e logo chegaram mais dois solidários ao mestre que não teria como voltar para sua residência naquele estado… Ergue daqui, torce de lá, segura acolá… E o veículo não subiu o suficiente para a troca do pneu… E agora? O que houve? Será que “a Terra subiu ou o céu desceu”?…

Ao descer as escadas, percebi o tumulto e me aproximei… Ofereci meu jacaré, que talvez erguesse mais que o macaco, porém não foi o suficiente. Organizamos um calço com uma pedra, e quando finalmente conseguimos erguer o carro o suficiente para tirar o pneu, surgiu outro problema: Não havia Cristo que rosqueasse o estepe, somente depois de alguns minutos de sofrimento, recebemos, do proprietário do veículo, a notícia de que naquele buraco, já havia um parafuso quebrado, o que tornaria impossível nossa missão de empurrar mais um atrás. Pois bem, parafusamos os outros três, a fim de rodar até a borracharia mais próxima…

Missão cumprida! Os cinco professores borracheiros demoraram, nada menos que meia hora pra trocar um pneu… Repito: CINCO homens fortes, viçosos e robustos trocaram UM pneu em MEIA HORA… Realmente, os cinco saberes diferentes não contribuíram muita coisa para o bom andamento do processo… Infelizmente, nem toda prática funciona de acordo com a teoria…

Márcio Roberto Goes
www.cacador.net
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Jornal Informe – O diário Regional

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