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Tag: pipoca

Pipoqueiro de meia tigela

 

 Fritar pipocas: uma ação fácil e corriqueira para qualquer ser humano que tenha um pingo de noção sobre culinária, porém exige mais que a habilidade necessária para ferver um lámen, ou equivalente ao nível necessário de destreza para fritar um ovo. Apesar disso, as dificuldades diminuem consideravelmente quando se trata de pipoca para microondas, que já vêm em embalagem própria, com quantidade e tempero na medida certa. Basta colocar o pacote com a parte escrita “este lado para cima” virada par ao infinito e digitar a tecla “pipoca”, em seguida o botão “ligar” e esperar o resultado.
 Numa destas terças-feiras, em que adentrava a minha sexta série querida, uma de minhas alunas queridas, me faz uma sugestão igualmente querida:
 – Professor, você sabe como estourar pipoca normal no forno microondas?
 Algo me dizia que eu iria me arrepender por dar continuidade à conversa, mas respondi, educadamente:
 – Não! Como faz?
 – Basta pôr a pipoca e acrescentar duas colheres de água e programar o forno para um minuto e vinte segundos em potência alta…
 Pareceu-me algo extremamente absurdo, mas resolvi fazer esta terrível e inesquecível experiência… Ao chegar a minha residência oficial de verão, outono, inverno e primavera, meus olhos não conseguiam desviar da prateleira onde descansava em paz a tal pipoca… Uma força mais forte que eu, me impulsionava para esta experiência inenarrável.
 Não resisti à tentação e tive que me entregar ao pecado da curiosidade: Peguei logo um pote daqueles que a gente compra em qualquer seção de 1,99, joguei a pipoca dentro, acrescentei duas colheres de água, meti tudo no microondas, acionei o botão do desespero e aguardei… aguardei… aguardei…
 Um minuto e vinte segundos depois… Nenhum resultado… Repeti o mesmo procedimento… De novo… Novamente… Outra vez… Mais uma vez… Até que consegui ver algumas míseras sementinhas virando no avesso… Na verdade, o único resultado marcante que tive foi o derretimento do fundo do pote e um microondas quase queimado que demorou a funcionar novamente e ficou algum tempo com o BIP meio rouco.
 Alguns dias depois, minha aluninha querida (futura chefe de cozinha) acrescentou mais um detalhe: eu deveria ter feito isso num prato e não num pote plástico, apesar de este ser próprio para microondas. Por via das dúvidas ainda não tive coragem de arriscar.
 Bem feito! Quem mandou eu não escutar com atenção a receita? Porque fui procurar o caminho mais curto e fácil?…

 

Márcio Roberto Goes
Aceita uma pipoca?

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