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Tag: Pátria

Quem ama, cuida

 

Semana da Pátria é para festejar a data da nossa independência, quando cortamos o cordão umbilical que nos ligava a Portugal… É bem verdade que agora dependemos de outros países, mas também, muitos deles dependem de nós… Nunca gostei do tal desfile do dia sete de setembro: Tiramos nossas crianças cedo da cama no feriado para bater o pé na frente das autoridades que, quase sempre, abusam de nossa paciência e inteligência, haja vista tudo o que nos mostram os noticiários cotidianos… Mas tem um lado bom: o protesto. Muitas instituições, ou grupos de pessoas usam o desfile para protestar. Infelizmente, ainda a única forma dos pequenos serem ouvidos é através do protesto, um grande exemplo disto é o “Grito dos excluídos” que a cada ano revela um sistema que, apesar de ter melhorado muito nos últimos anos com a redemocratização, ainda fortalece quem já é forte…

Esta semana me faz lembrar uma viagem que fiz até a vizinha Argentina, ainda quando era acadêmico de Letras. Fui com a turma da faculdade a fim de praticar nosso Espanhol. Lá ficamos três dias sem poder falar nossa Língua materna, justamente quando os argentinos comemoravam o cumpleañios de sua Pátria… Visitamos algumas escolas e vimos todas as crianças com fitinhas azul e branco no peito, expondo orgulhosas as cores de seu país… Foi inevitável a comparação como o Brasil, onde só lembramos do verde-amarelo durante a copa do mundo, esta semana da Pátria, ainda não vi ninguém vestindo as cores da bandeira, é verdade que não vi nem a bandeiras por aí, só durante a execução do Hino Nacional, prática ainda exercida no Wandão. E o pior de tudo é que pouquíssimas pessoas sabem a letra completa do nosso Hino, tampouco sabem o sentido daquelas palavras escritas pelo Joaquim e musicadas pelo Francisco.

Tenho certeza que tanto o Joaquinzinho quanto o Chiquinho não imaginaram um povo “despatriotizado” no século vinte e um, também não consigo imaginar os autores do Hino Nacional projetando uma música maravilhosa para ser cantada com fervor apenas nos momentos que antecedem a um jogo de futebol, ainda assim sem saber a letra toda… Fatos lastimáveis que revelam o quanto somos relapsos com a Terra que nos viu nascer…

Voltando a falar de minha primeira viagem internacional: Ao voltarmos, paramos na fronteira para identificação, mais ou menos uma hora para conferir todos os documentos de todos os passageiros, isso de madrugada, todo mundo bêbado de sono… Logo depois vivi uma das cenas mais emocionantes de minha vida: Quando o ônibus recém cruzou a fronteira, algumas pessoas lá do fundão começaram a balbuciar o Hino Nacional Brasileiro e, em poucos segundo já se formava um coro de vozes universitárias homenageando a “Pátria Amada, Mãe Gentil” que nos recebia novamente em seu berço esplêndido, à luz do céu profundo…

Voltamos a nossa Terra natal com amor maior do que na partida, pois foi preciso ficarmos três dias na terra de nossos rivais futebolísticos para aprendermos o verdadeiro respeito à nossa Pátria. Isso não consiste apenas em subir a avenida com alegorias e pelotões, nem no fato de vestir a camisa da seleção brasileira para torcer durante a copa do mundo chingando o juiz e o Dunga. Amar a Pátria é cuidá-la e respeitá-la, diminuindo a emissão de gazes poluentes, reciclando o que é reciclável, deixando a natureza agir no ciclo da vida, dividindo as riquezas de forma igualitária, buscando soluções para os grandes problemas da sociedade moderna, votando conscientemente após analisar as propostas de cada candidato a um cargo público e sabendo cantar o Hino Nacional…

Já diz a canção: “Quem ama, cuida”… Assim deve ser também com nossa Pátria…

 

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe – O diário Regional

jornalinformediario@blogspot.com

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Desfile de contrastes

 Desde que me conheço por gente, vejo falar em desfiles do dia sete de setembro em homenagem à Pátria… É o dia em que todos se encontram na avenida principal para ver, ou apresentar-se, ao ar livre em homenagem à terra que os viu nascer. Começa sempre com aquela melodia maravilhosa de Francisco Manuel da Silva que deu vida, ritmo e sentimento ao poema de Joaquim Ozório Duque Estrada… O hino Nacional, julgo ser um dos mais bem construídos textos poéticos de todos os tempos em Língua Portuguesa, fazendo aquilo que só os poetas e os cronistas mais abusados fazem: dar às palavras um sentido e um sentimento que a maioria dos seres ao seu redor não dariam, usando de recursos como as figuras de linguagem ou a inversão da ordem direta.
 Porém, já faz cerca de três anos que não compareço nem para assistir, nem para desfilar… Depois que descobri o verdadeiro sentido da palavra Pátria: “O país onde nascemos, o torrão natal…”, de acordo com o dicionário Aurélio digital… Isso quer dizer que a minha Pátria não é a mesma de “los hermanos al rededor”, ao passo que eu amo esta terra, mas não preciso amar as fronteiras vizinhas, apesar de fazerem parte do mesmo continente e do mesmo planeta, e estarem repletas de seres humanos como eu e você…
 Permitam-me discordar do Aurélio e de mim mesmo, já que me contradigo em relação a outros textos que escrevi com os olhos fechados pelo preconceito nacionalista. Sou brasileiro, agradeço a Deus por isso, amo meu país, me emociono cada vez que canto ou ouço o hino nacional que sei de cor e de coração, mas amo também a humanidade, sem acepção de cor raça, nacionalidade ou Pátria, afinal, um brasileiro não pode valer mais que um argentino ou estadosunidense, nem menos… As fronteiras são o resultado da bestialidade e do egoísmo humanos…

Fonte: www.google.com.br
Fonte: www.google.com.br

 Está na hora de convencermos nossa consciência de que nossa Pátria é o planeta, e que devemos tratá-lo com amor e cuidado… Não era isso que eu via no final de cada desfile de sete de setembro, quando ainda participava: Latas e garrafas ao chão, guardanapos que só foram valorizados enquanto úteis para proteger as mãos da sujeira que se dirigia até a boca e depois eram descartados nas vias públicas… sujeira para cá, sujeira pra lá… Tudo isso depois de prestadas homenagens lindas e emocionantes à “Pátria amada mãe gentil”… Que mãe, por mais gentil que fosse, ficaria feliz com um tratamento desses?… Tiramos nossos filhos da cama muito cedo no feriado para levá-los até a avenida, expostos a todo tipo de intempérie, para vê-los desfilar só para termos o orgulho de dizer depois: “Olha, aquele é meu filho!…” Que lindo ver nossas crianças batendo o pé para aquelas gravatas infetas que compõem o palanque oficial, cheio de discursos bonitos, mas igualmente fétidos!… Que maravilha saber que, enquanto desfilamos e mostramos nosso amor incondicional à Pátria, milhões de pessoas passam fome ao redor do mundo, mas não nos interessa, pois não fazem parte desta faixa de terra que chamamos de nossa Pátria… Aliás, aqui também, muitas pessoas não têm o suficiente para manter uma alimentação digna e tudo o que fazemos é sentir pena e continuar a bater o pé na avenida, amando e idolatrando a terra, mas desprezando a maioria do povo que nela vive…
 Porém, neste ano as crianças não precisaram ser obrigadas e desfilar na avenida que idolatra os contrastes sociais, somente as forças armadas e alguns outros segmentos. Ainda bem! Mas a intenção continua a mesma…
 Infelizmente, a bandeira nacional e a Pátria só são lembradas nas solenidades oficiais e na Copa do mundo, no restante do tempo, a mãe gentil e o planeta são esquecidos e maltratados desumanamente pelos seres humanos…

Márcio Roberto Goes
www.cacador.net
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Jornal Informe da tarde – O diário Regional

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Um ponto pelo Hino

 

 Todo ano, na semana da Pátria, desafio meus amados e diletos alunos a cantarem o Hino Nacional Brasileiro de cor, sem errar, nem gaguejar: aquele que consegue, recebe um ponto a mais na média bimestral…
 Parece mentira, mas em oito anos de magistério, só consegui contemplar um único aluno de ensino médio com este prêmio… É impressionante, como decoramos facilmente as canções “populares” em cinco velocidades diferentes, que na maioria das vezes têm um padrão de letra e vocabulário que não exigem o mínimo conhecimento de poesia nem de música. No entanto, parece infinitamente difícil decorar e sentir a letra do Hino Nacional Brasileiro composta por Joaquim Ozório Duque Estrada, externando uma impressionante e inigualável declaração de amor por esta terra, inclusive intertextualizando outra obra de um grande escritor chamado Gonçalves dias, neste trecho:
 (…) “Nossos bosques têm mais vida, nossa vida” no teu seio “mais amores” (…)
 Vamos combinar que nosso modesto país sofreu grandes mudanças após a composição do seu Hino oficial, tanto estruturais, como políticas e culturais, porém, a letra ainda é capaz de nos provocar reflexão e “arrepiar até as unhas”: uma canção passional que exprime tantas belezas e riquezas de uma terra que ainda é amada e cobiçada pelos estrangeiros… Só falta ser amada e cobiçada pelos nativos.
 – “Mas é muito difícil” – Me dizia um aluno. Sim! Nosso Hino Nacional pode ter um aspecto meio rebuscado, cheio de palavras que não fazem parte do nosso cotidiano e algumas frases fora da ordem direta, mas são justamente estes aspectos, que a meu ver, o tornam o poema em homenagem a um país, mais bonito do mundo.
 O “Joaquinzinho” teve um cuidado todo especial na métrica e na rima: detalhes merecidos de um país com dimensões continentais que fala e escreve a Língua mais linda do mundo: o bom e amada Português que agora tentam unificar com os outros países lusofônicos, através da reforma ortográfica que vigora a partir de 2009… Bem! Podem até fazer uma tentativa frustrada de unificação ortográfica, porém o Português do Brasil, Jamais deixará de ser o mais bonito e versátil do mundo… Não é uma reformazinha meia-boca que vai nos fazer enrolar a língua e falar igual aos outros lusofônicos.
 Vivemos num país lindo, com um hino maravilhoso, variações lingüísticas incomensuráveis e a maioria do povo não conhece a letra do Hino feito à “Pátria amada, mãe gentil”, que mais tarde se tornou Hino oficial do país…
 É uma lástima perceber que se reconhece perfeitamente o sentido morfológico da palavra “créu” e não se tem a mínima curiosidade em descobrir o sentido do substantivo “lábaro”, do verbo “ostentar”, dos adjetivos “garrida” e “colosso”, da própria flâmula verde-louro e de outras palavras que compõem o Hino e encontra-se facilmente em qualquer dicionário.
 Meu Brasil, quero amar-te, mas para amar-te é preciso conhecer-te… E para conhecer-te é preciso, entre outros aspectos, compreender teu poema oficial: o Hino Nacional.
Márcio Roberto Goes

 

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O SONHO DO JOAQUIM

As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico...”.

Colocada na ordem direta, essa frase que compõe os dois primeiros versos do Hino Nacional Brasileiro, nos faz perceber o que o “seu Joaquim Osório Duque Estrada” estava querendo dizer aos brasileiros que não tiveram a mesma regalia daquelas margens serenas que ouviram de tão perto o grito da independência, proclamado retumbante e estrondosamente pelo povo, na pessoa de Dom Pedro I, que pagou ao próprio pai: o Dom João VI, rei de Portugal, um mensalão simbólico de cinco mil libras esterlinas, uma moeda tão importante naquela época, quanto o dólar hoje (Isso que naquele tempo ninguém usava cuecas!)…

Desta forma, o então proclamado imperador do Brasil conquistou, não com braço forte, mas com bolso cheio, o penhor da nossa terra que agora deixava de ser colônia, para igualar-se a Portugal na condição de nação, com uma diferença: já nascia com uma impávida dívida externa que aos poucos se tornava colossal e retumba até hoje em nossos ouvidos, mudando unicamente os credores, que hoje USAm e abUSAm do Brasil e do mundo.

De qualquer forma, foi um ato heróico, desabafado através de um brado retumbante, semelhante à torcida do hexa, que merecia bandeiras nacionais e fitas com o verde-amarelo inconfundível do país do futebol, execução do hino nacional e amor incondicional à “Pátria amada, mãe gentil” exteriorizado espontaneamente de uma forma que não se presencia na semana que antecede o dia sete de setembro.

Onde está o verde-louro de nossa flâmula? (Aliás, cadê a flâmula?)… O lábaro estrelado que ora ostentávamos pela seleção canarino?… Quem lembra das glórias do passado?… Cadê a esperança de paz no futuro?… Que destino teve a clava forte da justiça?… (provavelmente, queimou junto com aquele avião)… Onde estão aqueles que desafiavam a própria morte no seio da liberdade?… Será que morreram, junto com o sonho do hexa?… Aliás, é este nosso “sonho intenso de amor e de esperança” que desce em nossa Pátria em forma de raio vívido, atualmente?…

O que vale mais: Uma bola buscando a rede adversária, ou um povo buscando justiça e vida digna que não tem um milésimo das regalias daqueles estrangeiros nacionais que defenderam (ou quase) o verde-louro da flâmula brasileira nos campos da Alemanha?…

Seu Joaquim que me desculpe, mas a coisa por aqui não está nem um pouco do jeito que ele sonhou: Não se ouve mais sua composição passional de uma beleza inenarrável, ecoando nos lares e escolas na semana da Pátria. Não se vê mais o lábaro estrelado nas casas, edifícios e repartições públicas, tremulando por amor à nossa “mãe gentil”. Perdeu-se a consciência deste florão, pedra preciosa da América. Apagou-se o “sol do novo mundo” no total descaso por este “gigante pela própria natureza”, que adormece, “deitado em berço”, já não tão “esplendido”, “ao som do mar e à luz do céu profundo”, esperando para despertar no dia em que seus filhos retomem “da justiça, a clava forte” e percam a vontade incessante de fugir da luta por uma Pátria amada… Mais amada e idolatrada. Salve! Salve!…

Márcio Roberto Goes
Impávido, colosso e modesto

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