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Tag: pão caseiro

Pão caseiro

 Sempre que se torna oportuno, falo para meus alunos sobre a importância de aproveitarmos o tempo que temos com nossos pais para aprendermos com eles, pois nossos progenitores não são eternos… Aliás, ninguém o é…
 Foi com meu pai que aprendi lições básicas de carpintaria, como Jesus aprendeu com José: Bater nível, tirar o prumo, cortar uma tábua no esquadro, saber usar um martelo e um serrote de forma que se possa aproveitar mais de seus potenciais, inclusive alguns cuidados com a ferramentaria… Hoje, as duas mesas que tenho em minha residência foram construídas por mim e parte da própria casa foi reformada por minhas mãos, alterando o que meu pai construiu há quase quarenta anos com a ajuda sofrida de meus irmãos…
 Com minha mãe, aprendi a lavar louça, ajudando-a a enxugá-la; a varrer o chão, olhando de longe; a lavar e passar roupa insistindo em fazê-los… Aprendi a fazer bolo de fubá e bolinhos de queijo, este já esqueci a receita, mas ainda posso retomá-la… E tantas outras coisas que tornam minha vida mais prática e confortável, tudo ensinado por minha mãe que lá no fundo de seu coração sabia que um dia isso seria útil para minha vida. Ela estava certa, hoje me viro graças aos seus conselhos e exemplos de vida.

 Papai e mamãe já se foram, ficaram apenas lembranças e os seus ensinamentos. Mas eles vivem em mim, cada vez que construo uma mesa ou uma prateleira, faço um bolo, ou lavo e passo roupa… Porém uma coisa deixei de aprender com minha mãezinha: Fazer pão… Aliás, isso toda mãe do meu tempo sabe muito bem… E cada uma delas tem um pão exclusivo e inigualável. Depois que a dona Áurea faleceu, já provei muitos pães caseiros, todos saborosos, mas nenhum igualou o sabor daquele pão que eu comia na minha infância e juventude…
 Pois bem, depois de trinta e cinco anos de vida, e cinco sem minha mãe, resolvi aprender a fazer pão. Pedi ajuda a muitas pessoas e cada uma me passou uma receita diferente: Numa usa-se óleo de soja, noutra margarina, ou nata… Nesta acrescenta-se um ovo, naquela não… Uma pessoa deixa a massa descansar por meia hora, outra por uma hora, outra ainda não a deixa descansar, mete na forma cansada mesmo… E assim por diante… A verdade é que mesmo não me interessando antes em observar minha mãe fazer pão, ao tentar fazê-lo, minha mente resgatou muitas lembranças que estavam de molho no meu cérebro, como as mãos daquela senhora simples preparando a massa, mesmo sem a ajuda de um cilindro… Inclusive, tive a honra de usar a mesma bacia para misturar os ingredientes…
 Penso que nossa vida seja semelhante ao pão caseiro: A essência, água, farinha e fermento, não muda, mas cada um acrescenta aquilo que considera importante para melhorar o sabor e a consistência. Aprende-se a fazer pão com outras pessoas e a cada receita aprendida, acrescenta-se aquele toque pessoal. Incrível isso!… Até mesmo os pães industrializados têm características diferentes em cada panificadora… Tudo depende das mãos que o fazem.
 Nossa vida é uma massa de pão: está em nossas mãos amassá-la e batê-la para deixá-la crescer, ou meter no forno de qualquer jeito, o que pode ser um desastre. Para tudo o que se quer ter bons resultados, é necessário esperar o tempo certo, fazer a coisa certa, a mistura certa, para que possamos degustar um pão saboroso e fofinho no futuro… Nunca esquecendo, porém da experiência daqueles que vieram antes de nós. Para melhorá-la, é necessário conhecê-la…

 

Márcio Roberto Goes
www.cacador.net
www.portalcacador.com.br
Jornal Informe – O diário Regional

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