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Tag: morte moral

Morte moral

“Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego…”

Nunca me agradou o fato de escrever sobre fatos ou ideias que já são amplamente divulgadas pela mídia, porém, resolvi abrir uma exceção… Meu coração apaixonado pela educação pública e minha mente viajante não me deixam ficar calado diante de tão grande sucesso que leva a nossa música a todos os cantos do mundo… Já existem versões em inglês, alemão, italiano, entre outras e agora, acabo de ver na tela do “plim plim”, a mais nova versão em japonês…

Me parece uma valorização exagerada da banalização do sexo através de uma letra vergonhosa encaixada numa melodia muito bem construída que mereceria um poema de verdade… Trinta e uma palavras diferentes, o resto é só repetição e, o pior: Estas palavras tomam conta de nossa mente e dificilmente desgrudam dos pensamentos por um bom tempo. Basta ouvi-la uma única vez para contaminar o cérebro durante um dia inteiro…

É claro que existem muitas outras músicas com letras muito piores, mas nenhuma delas tem sido tão divulgada como esta que ora ganha o mundo e me faz duvidar da casualidade do fato, pois as grandes redes de TV só divulgam o que lhes dá retorno, portanto, exitem pessoas muito interessadas em divulgar o rebaixamento da cultura, pois, provavelmente dá lucro…

O Brasil é um palco a céu aberto, “deitado eternamente em berço esplêndido”, muitos artistas nossos já ganharam o mundo, Rodrigo Santoro no cinema internacional, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Caetano Veloso e tantos outros na música, sem falar no esporte que a cada dia revela novos talentos nas mais diversas modalidades… Nenhum deles é divulgado tão amplamente quanto este que tenta fazer os jovens acreditarem que o ato de “pegar a tal delícia” os fará melhores e mais populares… Tem até coreografia que gira o mundo e continua a mesma em todos os idiomas…

Vi uma frase no Facebook que dizia mais ou menos o seguinte: “As mulheres esperam um príncipe encantado, mas não se preocupam em se comportar como princesas”… Penso que este fato também seja inerente aos homens que esperam uma princesa, mas não procuram ser nobres, nem cuidar bem de seu cavalo branco… Em virtude destes comportamentos, encontro jovens, já desiludidos com o amor, não acreditam mais numa relação duradoura, ou quem sabe eterna, não buscam mais aquela emoção de procurar e encontrar a pessoa certa, já não guardam a intimidade para ser compartilhada com quem realmente ama reciprocamente… O negócio é pegar e, da mesma forma que pega, largar com a mesma facilidade. Está tudo muito explícito, tudo é liberado… Não se sente mais aquele friozinho na barriga no primeiro encontro. Parece que o coração fica inerte diante dos encontros e desencontros da vida… O importante é pegar e ser pegado, beijar sem dar a devida importância para  esta maravilhosa manifestação de amor, fazer sexo e nada mais, esquecendo-se que se trata do contato mais íntimo entre duas pessoas e deveria ser consequência do amor, não somente da atração física como acontece constantemente…

Sou Católico Apostólico Romano, mas independente desta placa religiosa, sou admirador da obra literária e artística do padre Zezinho SCJ, cuja música já chegou a mais de quarenta países. Seu maior sucesso, “Oração pelas famílias”, também correu o mundo e só na voz dele conheço as versões em Português, Espanhol e Italiano, sem contar as gravações em outras tantas nações nos seus próprios idiomas com outras vozes… Por que então não o vemos constantemente na mídia cantando o refrão de seu maior sucesso?… Para os poderosos não interessa a fama de um padre que divulga os mais sublimes valores familiares, de onde nascem as melhores personalidades… Isso não dá IBOPE, não dá lucro nem status para os veículos de comunicação…

Como ele, existem inúmeros padres, pastores, leigos e até artistas que não têm uma religião oficial, mas que cantam as belezas da vida e as maravilhas que o amor produz nos seres humanos, nos fazem pensar e analisar os fatos e ideias que nos cercam, não nos furtam ao direito e à coragem de sermos felizes e fazermos felizes aos que nos cercam… Existem milhares de atristas neste país com proporções continentais que cantam o amor, a alegria de viver, a valorização dos sentimentos mais puros, a ânsia por dias melhores, as lutas populares… Porém a eles não é dada a voz dos principais meios de comunicação, pois cantar os valores humanos e morais não dá dinheiro aos já poderosos…

A caixinha preta que nos faz economizar cérebro, chamada televisão, não nos permite pensar e analisar o mundo ao nosso redor… É mais cômodo cantar um refrão pobre, mas que nos faz acreditar na delícia de se pegar outro ser humano do sexo oposto sem compromisso, esquecendo-se que aquele corpo que os olhos enxergam como gostoso, abriga uma criatura divina, um ser humano complexo que vai além da casca, cheio de esperanças e temores, mas que renuncia a tudo isso por uma pegada, um momento, um prazer carnal…

Tudo isso passa. No final, colhemos o que plantamos. Então, é infinitamente melhor plantar o amor, do contrário “assim você me mata”… Me mata da pior forma possível: a morte moral…

 

Márcio Roberto Goes

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