Press "Enter" to skip to content

Tag: Liberdade

Só dá valor quando perde

televisao1-450x336

Enganou-se redondamente quem pensou que este título aí em cima diz respeito ao amor, ou às relações que os seres humanos insistem em chamar de amor, quando na verdade se tratam de paixões. Quando passam, aí sim podem dar lugar ao amor, ou à repulsa…

Minhas palavras escritas nesta coluna vão tratar de assuntos comerciais pelo ponto de vista do pseudo-beneficiado com essas relações: o consumidor…

Há três anos, cansado da mesmice das programações tendenciosas das redes de TV abertas que se acham poderosas e donas da verdade, resolvi contratar um serviço de TV por assinatura. O fiz de forma legal, pois não teria sentido abrir a boca para falar contra corrupção se instalasse uma TV Gato…

Fui prontamente atendido pelo técnico que veio em minha residência, instalou antena e aparelho receptor muito cordialmente e só se ausentou depois de se certificar que estava tudo funcionando perfeitamente… A partir desse dia, percebi que tinha tomado a decisão correta e na minha pequena tela, passei a ter uma infinidade de opções de entretenimento, informação e tudo o que se possa imaginar ver na TV, mesmo no plano básico que, normalmente só não tem os canais exclusivos de filmes e a poderosa do plimplim que nunca me fez falta alguma… Caro leitor, cara leitora, não é meu objetivo fazer comercial da TV por assinatura, mas trata-se de um avanço na vida intelectual de qualquer pessoa que saiba escolher a boa programação disponível…

E eis que a operadora, de repente, resolve aumentar o valor da parcela sem aviso prévio. Entrei em contato e as justificativas foram infinitas: Que o meu plano cobria isso e aquilo, que tinha passado o tempo de promoção que eu teria desconto de contratasse mais canais… Eu não queria. Só queria ter o mesmo serviço pelo mesmo preço, ou que fosse corrigido proporcionalmente com os índices econômicos… Depois de muito choro, consegui um certo desconto, mas nunca voltou a ser como antes… Além de perceber que o serviço não era tudo aquilo, era só o tempo nublar e o sinal caía… – Instale uma TV gato – Alguém me dizia, alegando que eu me livraria da mensalidade e a qualidade era a mesma… De fato, a TV gato também cai com o mau tempo, com o agravante que é ilegal…

Pelos valores que considerei abusivos e pela baixa qualidade dos serviços, resolvi mudar de operadora. Após instalada a aparelhagem, liguei para a antiga operadora a fim de cancelar o serviço: A Fulana de Tal que me atendeu, me encheu de perguntas querendo que justificasse meu cancelamento. Depois de vários minutos de espera com a orelha e o braço cansados de sustentar o telefone, ela me faz uma proposta: – Se você quiser continuar com nossos serviços, baixamos o valor e oferecemos os canais de filmes grátis por dez meses… – Não, obrigado. Quero cancelar o serviço… Pediu que eu aguardasse e voltou com outra proposta. Desta vez ficava por menos da metade do preço atual e os canais de filmes grátis por um ano… Novamente, minha resposta foi negativa…

Depois de concluída a negociação e marcada a data para a retirada dos aparelhos, minha mente pensante, criativa e, graças a Deus, menos burra com a ausência da TV aberta começa a matutar: Por que eles pensam que todo mundo se vende por causa de canais de filmes?… E o que é pior: Se era possível oferecer o mesmo serviço e canais extras pela metade do preço, porque não o fizeram antes? Esperaram o cliente cancelar para oferecer-lhe vantagens, mesmo sabendo que este era fiel há três anos…

Parece que as prestadoras de serviço prezam pelo lucro acima do bem-estar dos clientes que só são considerados colaboradores quando resolvem “chutar o balde”. É assim em qualquer relação comercial capitalista, onde dificilmente se faz uma negociação que beneficie o usuário. Ainda bem que existem outras opções de TV por assinatura, que fazem parte das escolhas da nossa vida. Merecemos um serviço de qualidade, afinal, estamos pagando por ele…

Há… Ia esquecendo de um detalhe: Nesta nova operadora, o sinal nunca caiu, independente da tempestade… Só espero não ter que esperar três anos para ser considerado cliente vip se por ventura eu resolver cancelar o serviço. Gostaria de ser valorizado antes que ela me perdesse…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com

www.radioativacacador.com.br

Leave a Comment

Não sou jornalista

Certo dia em que fui a um certo supermercado: destes que têm de tudo, desde xampu até pneu, encontro com um atendente que tenta me vender uma cafeteira… E conseguiu, mas isso não vem ao caso… O que me chamou a atenção foi o papo dele, confundindo minha profissão e minha função por aqui :

“Você ganha bem, é jornalista!”…

1 Comment

Trote

 Quando ingressei num curso superior, senti-me um vencedor… E de fato, o era… Eu e todos os outros quarenta e nove que me acompanhavam naquela primeira turma de Letras Português-Espanhol da UnC Campus Caçador. No segundo final de semana de aula, como se tratava de regime especial, sexta-feira à noite, os veteranos nos pegaram e nos obrigaram a pagar uma certa quantia, não lembro quanto, só lembro que eu não tinha… Juntei-me aos demais miseráveis sem tostão e sem um pé de sapato… Também não lembro se era o esquerdo ou o direito, só lembro que tivemos que desfilar pelo campus de mãos dadas, cantando uma cantiga de roda qualquer que agora me foge a memória, para podermos ter de volta o pé de calçado que já era nosso. Percebe-se que não lembro da maioria dos detalhes (Graças à Deus), mas lembro perfeitamente que não gostei nada daquela humilhação, nem meus colegas, tanto é que não fizemos o mesmo com nenhuma outra turma seguinte, pelo contrário, algumas vezes recebemos os calouros com um abraço de boas-vindas…

 
 Pois bem! Nove anos depois, ouço o relato de uma acadêmica de primeira fase do curso de artes visuais, descrevendo as mesmas (talvez piores) atrocidades contra os ingressantes deste ano na universidade. Desta vez, no sábado de manhã, foram obrigados a matar uma formiga a grito e quem não conseguisse (milagrosamente, uma conseguiu), teria a cara pintada, um pé de calçado surrupiado e passaria pela humilhação de passear pelo campus enrolado em papel higiênico, cantando alguma babaquice orientada por alguém mais babaca ainda. Assim se sucedeu e aqueles que se recusaram a tirar o calçado foram obrigados a força: dois seguravam e um tirava… Para mim, isso já é agressão física, ou seja, trata-se de um crime, além dos danos morais sofridos pelos calouros que foram obrigados a “pagar mico” nas outras salas, pulando num pé só, com aquela canção babaca nos lábios… E pior: os delinquentes veteranos obrigaram os calouros a permanecerem durante todo o dia com o rosto pintado, ameaçando novas torturas para as pessoas que ousassem limpar a cara, além de dizerem que a perseguição duraria o ano todo… Como se não bastasse, as pessoas que não tinham dinheiro para o resgate, receberam de volta seu calçado molhado… Não consigo acreditar, merece até reprise em negrito: “as pessoas que não tinham dinheiro para o resgate, receberam de volta seu calçado molhado”… Além de terem um bem de uso pessoal roubado, ainda foi devolvido com danos… Isso é outro crime, no mínimo revoltante, indignante, inacreditável…

 
 Vemos na TV as histórias catastróficas de trotes universitários, alguns até terminando em morte… Claro que ainda não chegamos a tanto em nossa cidade, mas trata-se de uma prática que circula na contramão da educação…

 
 Senhores veteranos universitários, por favor, vamos abolir estas práticas abusivas do ensino superior. O regime militar acabou há vinte e três anos no Brasil, não se fazem mais necessárias a tortura e a humilhação para mostrar que são melhores que seu semelhante… Na verdade, não são… Ninguém o é… Amanhã ou depois, poderemos ser colegas de profissão… Como gostariam de ser recebidos pelos veteranos da profissão que vocês escolheram?…

 
 E a solução não é o tal do trote solidário, como vemos alguns casos na TV. Até pode dar  resultado, mas continua sendo trote… A meu ver, não deveria existir trote de gênero algum nas universidades, pois lá é lugar de pesquisadores, não de irracionais. Esta prática se trata, de qualquer forma de abuso e atentado contra a dignidade humana. Para mim, trote sempre será trote, no sentido mais pútrido da palavra, ou seja, é coisa de cavalo…

 

 

Márcio Roberto Goes

2 Comments

Enchendo Lingüiça

Querem calar nossa voz

Não sei se foi por acaso que você começou a ler estas linhas. Só sei que nada é por acaso: Nem as vitórias, nem as derrotas, nem os governos (que por acaso foram eleitos por nós), nem os marginalizados, nem a tirania, nem a troca repentina do secretário de educação do município, nem o aquecimento global, nem a vida, nem a morte… Nem mesmo estas linhas, que por acaso (ou não) você começou a ler… Tudo tem uma razão de ser: nada pode ser mera coincidência ou simples obra do destino… (destino?)… A meu ver, a única coisa que não tem razão de ser é um cronista desperdiçar um parágrafo inteiro “enchendo lingüiça”, como acabei de fazer… Apesar de ter muita gente que gosta…

Bem! Vamos ao que realmente interessa: Estou muito triste com a qualidade da leitura do povo brasileiro. Eu mesmo venho recebendo algumas reclamações, visto que meus textos são muito longos na opinião de alguns “leitores”… Ora, ora! Escrevo o número de caracteres necessários para expressar minhas idéias dentro dos padrões exigidos pela redação do jornal, apesar de saber que provavelmente amanhã, alguns exemplares servirão de embrulho para bananas… Não acho que seja longo demais… Acho até que é menor que a “preguiça de ler”, presente em muitos seres homo sapiens. De qualquer forma, agradeço de coração por você ter acompanhado minhas palavras até o fim deste segundo parágrafo. Prometo que vou direto ao assunto no terceiro.

Acolhi e continuo acolhendo todas as críticas recebidas, afinal, não sou perfeito nem tenho a menor pretensão de ser. Apenas quero dar meu recado através das palavras e sei que isto é perfeitamente possível, pois vivemos num país que é exemplo de democracia em todo o mundo, apesar de ainda ser capitalista… Pena que nossa cidade parece não seguir o padrão nacional de democracia. Há poucos dias, recebi uma notícia que “foi de sartá os butiá do borso”: Um de meus colegas de imprensa está sendo processado por denegrir a imagem do chefe do executivo municipal. A meu ver, trata-se de uma arbitrariedade desumana nos padrões “podres” da ditadura militar.

Sei que meu amigo não expressou nada mais que a verdade, o que me leva a crer que os denegridos denegriram-se a si mesmos (perdoem meu pleonasmo proposital) e agora tentam culpar a imprensa pelos seus desafetos das promessas não cumpridas em virtude da retribuição dos favores prometidos aos “mais chegados”… E os clamores do povo que elegeu essa gente?… Onde fica?… Certamente no fundo da gaveta, que sempre é aberta em ano de eleição.

Então caro leitor… Enchi muita lingüiça?… Mesmo que sua resposta seja afirmativa, parece que eu não sou o único por aqui que tem o costume de enrolar o povo.

Márcio Roberto Goes
Enrolado, mas sincero…

1 Comment