Press "Enter" to skip to content

Tag: Leitura

Leitores formigas

Sempre ouvi de meus mestres que, para se viver bem neste mundo desumano e capitalista selvagem, é necessário extrair o que tem de melhor nos acontecimentos e nas ideias ao nosso redor, ou seja, sempre ver o lado bom das coisas… E elas sempre os têm, basta olhar e sentir com atenção…

Acabo de voltar do posto de saúde, onde mostrei a nádega esquerda para a enfermeira aplicar uma injeção de Benzetacil, em virtude de uma infecção na garganta que me impossibilitou de trabalhar por quatro longos dias, divididos em duas etapas: A primeira, três dias antes do carnaval, que acabaram virando sete… Mesmo assim não resolveu e, após trabalhar meio de arrasto por mais dois dias, tive que visitar o plantão de novo e ficar mais um dia de molho, dopado e sem dizer coisa com coisa, segundo minha namorada, pois o período crítico apagou-se de minha mente…

Antes, porém, passei no mecânico eletricista e lá deixei meu branquelo 2003 internado para arrumar o arranque… Só não ligava, o resto fazia tudo… O próprio Davi, sempre solícito, me levou rumo a agulhada que, em virtude do acréscimo de um anestésico, não foi tão doída como eu esperava: Eis o lado bom!… Não entendo por que no posto de saúde acrescentaram o tal anestésico e no hospital não. Será que hospital é mesmo lugar de sofrimento? Por que a dor só é amenizada nos postos de saúde e no hospital é mantida, além de quererem me cobrar seis reais pelo serviço: o que me parece ilegal, ou pelo menos um ato mercenário, já que todos pagamos nossos cuidados médicos através dos impostos…

Mas no caminho até o posto, o Davi e eu travávamos uma empolgante conversa sobre educação, trabalho e a minha obra que revelou lê-la periodicamente… “Pois é – dizia eu – agora não me lerá mais no jornal impresso, já que me baniram desta mídia por meus textos não irem de encontro com a filosofia daquele veículo”… Para falar bem a verdade, nem sabia que aquele jornal tinha uma ideologia e, mesmo que tivesse, não me foi revelada no momento em que firmamos a parceria… Mas, como diz nosso bispo emérito: “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão”… E uma pedra destrói facilmente uma folha…

E no meio da conversa uma frase do eletricista, me chamou especial atenção: “Sempre leio seus textos – dizia ele ao volante – mas faço como as formigas: extraio somente o açúcar…” Acabou de revelar que, nem sempre gostava daquilo que lia em minha coluna, minhas palavras nem sempre agradavam seus olhos, aquilo que escrevo nem sempre reflete uma reflexão positiva na visão dele… Mas ele aprendeu com as formigas a aproveitar somente aquilo que tem de bom, aquilo que adoça a vida…

Quiçá todos nós pudéssemos ser eleitores formigas, trabalhadores formigas, professores e alunos formigas, profissionais formigas e, sobretudo, leitores formigas, a fim de extrair aquilo que a vida tem de melhor para tornar nossa existência mais doce e agradável… E, se por ventura, o gosto for extremamente amargo, possamos mudar o sabor das coisas ao nosso redor… Se o limão é muito azedo temos duas opções: Chupá-lo puro e a cada chupada uma sessão de reclamações, ou extrair o suco, misturar com açúcar e fazer uma limonada… O mundo não muda por nossa causa, mas se fizermos nossa parte, poderemos transformar aquilo que estiver ao nosso alcance e aprender sempre com as formigas que, mesmo pequeninas, nos dão, a cada dia, uma nova grande lição de vida…

Enquanto uns resmungam por causa de ideologia e tentam calar minha voz, outros leem com a mesma atenção e extraem só o açúcar para adoçar suas vidas, tornando-as mais saborosas e confortáveis… De que lado você está?…

 

www.marciogoes.com.br
www.portalcacador.com.br
www.cacador.net

Leave a Comment

Enchendo Lingüiça

Querem calar nossa voz

Não sei se foi por acaso que você começou a ler estas linhas. Só sei que nada é por acaso: Nem as vitórias, nem as derrotas, nem os governos (que por acaso foram eleitos por nós), nem os marginalizados, nem a tirania, nem a troca repentina do secretário de educação do município, nem o aquecimento global, nem a vida, nem a morte… Nem mesmo estas linhas, que por acaso (ou não) você começou a ler… Tudo tem uma razão de ser: nada pode ser mera coincidência ou simples obra do destino… (destino?)… A meu ver, a única coisa que não tem razão de ser é um cronista desperdiçar um parágrafo inteiro “enchendo lingüiça”, como acabei de fazer… Apesar de ter muita gente que gosta…

Bem! Vamos ao que realmente interessa: Estou muito triste com a qualidade da leitura do povo brasileiro. Eu mesmo venho recebendo algumas reclamações, visto que meus textos são muito longos na opinião de alguns “leitores”… Ora, ora! Escrevo o número de caracteres necessários para expressar minhas idéias dentro dos padrões exigidos pela redação do jornal, apesar de saber que provavelmente amanhã, alguns exemplares servirão de embrulho para bananas… Não acho que seja longo demais… Acho até que é menor que a “preguiça de ler”, presente em muitos seres homo sapiens. De qualquer forma, agradeço de coração por você ter acompanhado minhas palavras até o fim deste segundo parágrafo. Prometo que vou direto ao assunto no terceiro.

Acolhi e continuo acolhendo todas as críticas recebidas, afinal, não sou perfeito nem tenho a menor pretensão de ser. Apenas quero dar meu recado através das palavras e sei que isto é perfeitamente possível, pois vivemos num país que é exemplo de democracia em todo o mundo, apesar de ainda ser capitalista… Pena que nossa cidade parece não seguir o padrão nacional de democracia. Há poucos dias, recebi uma notícia que “foi de sartá os butiá do borso”: Um de meus colegas de imprensa está sendo processado por denegrir a imagem do chefe do executivo municipal. A meu ver, trata-se de uma arbitrariedade desumana nos padrões “podres” da ditadura militar.

Sei que meu amigo não expressou nada mais que a verdade, o que me leva a crer que os denegridos denegriram-se a si mesmos (perdoem meu pleonasmo proposital) e agora tentam culpar a imprensa pelos seus desafetos das promessas não cumpridas em virtude da retribuição dos favores prometidos aos “mais chegados”… E os clamores do povo que elegeu essa gente?… Onde fica?… Certamente no fundo da gaveta, que sempre é aberta em ano de eleição.

Então caro leitor… Enchi muita lingüiça?… Mesmo que sua resposta seja afirmativa, parece que eu não sou o único por aqui que tem o costume de enrolar o povo.

Márcio Roberto Goes
Enrolado, mas sincero…

1 Comment