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Tag: juventude

Jeito magrão de ser

 

 Num sábado desses recebi uma missão muito proveitosa e edificante: acompanhar duas meninas e um menino da nossa paróquia até Videira para um encontro de jovens… Na hora marcada, estava eu lá, em frente à paróquia pronto pra funcionar meu pratinha 91 e abraçar esta missão. Aliás, tudo que se refere a jovens me fascina, desde que eu era um deles… E na verdade ainda sou, pois já acumulei duas adolescências durante minha vida de três décadas e meia. Além disso, descobri a fórmula da juventude: basta estar sempre rodeado de jovens para ser um deles… Isso é um fato em minha vida, já que trabalho com esta garotada “sangue bom” do ensino médio, que têm me ensinado muito sobre relacionamento humano.
 Um deles, o único menino, não pode ir por causa de um imprevisto… Tudo bem! Fomos só com dois terços da equipe, mais o tiozinho aqui, ora pendendo pra cá, ora pendendo pra lá, nas curvas sucessivas típicas do caminho de Caçador a Videira: fato que não é de todo mal, pois torna a viagem menos monótona.
 Ao chegar na vizinha cidade, nos dirigimos até o local do encontro, onde acompanhei minhas heroínas… O mais incrível é que elas não sentiram vergonha de mim (ou não demonstraram)…
 O encontro foi muito envolvente e participativo, como tudo o que tem o jovem como protagonista, mas um pequeno detalhe me chamou a atenção: Uma jovem, durante a reflexão, profere uma frase um tanto estranha para ser ouvida por um adulto, enquanto apontava para a imagem de Jesus:
“A gente está aqui pela fé… Pela fé no magrão…”
 Magrão?… O que é isso?… Ela chamou Jesus de magrão? – Pensava eu carregado de preconceito e conservadorismo – Onde está o respeito pelas coisas de Deus?…
 Mas imediatamente, meu lado ranzinza deu lugar a meu lado reflexivo que analisou a situação, colocando-se no lugar dos jovens ali presentes:
 Pois bem… “Magrão” é uma gíria dos jovens contemporâneos. Eles a usam para se dirigir aos seus amigos mais íntimos, como forma de saudação: “Aí magrão!”… Logo, eles identificam Jesus como amigo, incluindo-o no seu círculo social… Um cara que tá por perto, no meio deles, vivo e presente, que fala e entende a língua e as características da juventude… Logicamente, não faltaram com o respeito, mas sim, aproximaram o divino do humano, de uma maneira legal e com a cara da garotada…
 Algumas vezes, meus alunos se dirigiram da mesma forma a minha pessoa: “Aí magrão!”, o que também me torna um amigo mais próximo deles… E o mais incrível é que não me senti nem um pouco ofendido, pelo contrário, desta forma podemos conversar de igual pra igual, sem máscaras e nem barreiras de gerações que insistem em ser impostas.
 Pô cara! Foi mal aí Magrão!… Não sabia que você se ligava nessas “paradinha” de gíria! Só! Valeu?
 É pela fé no magrão que eu ainda acredito nesta juventude, que é a mola propulsora do mundo. E sei que existem muitos jovens, imensa maioria, que ainda acreditam nos valores éticos morais e religiosos, do seu jeito “magrão” de ser… E com certeza, o magrão também se rejubila com o fato de seus jovens buscarem as coisas de Deus, através da intercessão de seu filho, Jesus Cristo: O magrão que já esteve pregadão, mas que agora é presença viva no meio desta juventude.

 

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br

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Virgindade Eleitoral

Há algum tempo, quando completava dezesseis anos, eu estava ansioso para entrar na cabine e realizar meu primeiro voto: lembro até hoje, pois a primeira vez, a gente nunca esquece… Aquele ato significava o resultado de meses ouvindo, analisando, e discutindo propostas, pois desde que me tornei eleitor tenho um posicionamento político, alguns conceitos mudaram com o passar do tempo, mas os princípios continuam intactos. A meu ver, o posicionamento político, firme e decidido livremente deve ser uma característica de todo cidadão. É assim no futebol, na religião, no campo profissional… Não poderia ser diferente na política: Digo política, ideologicamente falando, o que é muito diferente da “politicagem” que procura atender a interesses pessoais acima da vontade do povo. Exemplos claros deste aspecto encontram-se no “troca-troca” de partidos às vésperas do prazo legal para as candidaturas, nas obras e ações emergenciais às vésperas das eleições, entre tantas outras falcatruas, como candidaturas “vendidas” que esquecem completamente os aspectos ideológicos, além da compra de votos, que apesar de tantas restrições da Justiça Eleitoral, teima em ser uma constante nas eleições.

É necessário que façamos uma análise política e ideológica antes de digitarmos os algarismos na urna. E torna-se indispensável um posicionamento consciente e livre para o bom andamento da democracia. Um cidadão que fica atento a estes aspectos, jamais se venderá por uma cesta básica, ou por uma ordem de combustível, visto que a cesta básica e a gasolina logo acabam, mas o candidato que ajudamos a eleger permanece por quatro anos.

Desta forma, quero conclamar meus amados e queridos jovens, por quem tenho um profundo carinho e uma grande admiração, para que usem de sua juventude e não joguem seu primeiro voto no lixo, pois ele terá sérias conseqüências, o futuro de nossa cidade depende do poder executivo e do legislativo que vamos eleger no próximo dia cinco. Não gostaria que meus amigos jovens perdessem “a virgindade eleitoral” sem amor e de maneira dolorosa, mas sim de forma livre e democrática, analisando as melhores propostas, e escolhendo, sem nenhum tipo de pressão ou extorsão aquele candidato, ou aquela candidata que acreditar ter as melhores propostas para nosso município.

Não é fácil, mas é perfeitamente possível votar conscientemente, acreditando nos benefícios que vêm depois, e não nos “agradinhos” de antes do pleito, que morrem por ali mesmo sem nenhum resultado futuro para a coletividade. E por falar em coletividade, por favor, meus jovens, votem pensando no município, e não nos interesses particulares.

Por fim, queridos aspirantes eleitorais entre dezesseis e dezessete anos, e jovens em geral: não deixem de votar e votem conscientes de que aquelas teclas que forem digitadas, depois de confirmadas, não poderão ser apagadas. São estes dígitos que ajudarão a decidir o futuro do município, e por conseqüência o seu futuro. O voto é único, mas somado a tantos outros, será responsável pelo sucesso ou fracasso de nossa cidade por quatro anos…

Márcio Roberto Goes

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