Press "Enter" to skip to content

Tag: justiça eleitoral

Inspiração democrática

 Aconteceu de novo!… Não acredito!… I do not believe!… Yo no creo!… De repente, me pego, novamente, sem a mínima inspiração. A noite já não é uma criança… A cidade já está dormindo… Eu, no entanto, permaneço sem sono e sem idéia… Porque será que sempre “dá um branco” no cérebro, justamente na hora em que mais precisamos dele?… Ufa!… Ainda bem que isso não me aconteceu quando fiz o vestibular há alguns anos, nem ao realizar a prova do concurso público que me efetivou na rede estadual de ensino… Sobretudo, agradeço por não precisar fazer nenhuma prova (que a meu ver não prova nada) neste exato momento.
 O recurso é puxar da memória e “descascar” um palavrório bonito e convincente, daqueles que a maioria dos políticos usa em época de campanha… Ops! Desculpe-me, esqueci que não se pode falar de alguns aspectos da política durante o pleito eleitoral, sob pena de estas palavras serem usadas em favor de uns e contra outros… Aliás, alguns fatos me fazem aplaudir a nossa justiça eleitoral, pois estamos vivendo a campanha mais rigorosa de que se tem conhecimento desde que o país se abriu novamente para a democracia. A meu ver, todas estas exigências contribuem para aumentar a igualdade de condições entre os candidatos, e exigir deles o máximo possível de idoneidade, além de diminuir consideravelmente a poluição visual em nossas ruas.
 Algumas decisões merecem destaque, como: Limite máximo de tamanho para as placas que só deverão estar presentes em propriedades privadas, com a devida autorização do proprietário, que de forma alguma, poderá receber qualquer benefício financeiro ou material por isso; A proibição da distribuição de qualquer tipo de brinde para o eleitor, com exceção dos famosos “santinhos”, fato que torna impossível a compra de votos de qualquer forma (Pelo menos é o que se espera)… Não serão permitidos também os costumeiros showmícios, o que obriga os candidatos a gastarem mais saliva e apresentarem propostas concretas se quiserem atrair a atenção; além de muitos outros bloqueios que tentarão fazer desta, a campanha mais limpa e democrática da história… (assim espero)…
 Porém, no meio de tantas restrições, um fato me deixa intrigado: Porque é que o tempo de propaganda no rádio e na televisão não é dividido igualmente entre as coligações?… Este tipo de propaganda ainda está vinculado ao número de deputados federais que os partidos participantes têm na assembléia, fato que vai à contramão da democracia e da igualdade de condições no pleito eleitoral. Trata-se de eleições para o executivo e o legislativo municipais, portanto, o foco principal deveria ser o município e não a capital federal, apesar de lá existirem representantes eleitos por nós e que deveriam lutar por nossos interesses.
 De qualquer forma, apesar dos pesares, vivemos num dos países mais democráticos do planeta. Sabemos que nem sempre foi assim: durante a ditadura, conforme a posição política que o indivíduo tomava, assinava gratuitamente um atestado de perseguição e morte. Somos um país jovem, ainda engatinhando na democracia, porém estamos muito além de alguns países desenvolvidos que querem ser “donos do mundo”, mas não conseguem sustentar o capitalismo que eles mesmo criaram.
PS: Espero não ser surpreendido por outro “branco” destes em meu cérebro novamente… Principalmente na hora de votar.

Márcio Roberto Goes

Leave a Comment