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Tag: Jesus

Amo um homem

Amo um homem, quase dois mil anos mais velho a quem chamo de Mestre. O nome dele é Jesus, o filho de Deus. Esteve por aqui em carne e osso há dois milênios pregando um mundo novo, uma nova forma de ver e interagir com a humanidade e com o planeta. O povo não acreditava, então partiu para os milagres: ainda não era sua hora, mas pela intercessão de sua mãe, a quem amo também, fez água tornar-se vinho nas bodas de Canaã… Ensinou que quando temos pouco, se juntarmos com o pouco do outro e colocarmos em comum, todos terão em abundância (o verdadeiro socialismo)… Nos apresentou as verdades divinas. Fazia sermões sem medo nem vergonha de proclamar o Reino de Deus… Mesmo assim o povo não acreditou…

Fonte: lennyoliveira10.loveblog.com.br
Fonte: lennyoliveira10.loveblog.com.br

 Ele incomodou as autoridades com suas verdades que doíam a quem não sabia nem queria repartir. Condenaram-no à morte, e morte de cruz… Suou o sangue da agonia naquele monte. Por um momento pediu que o Pai o livrasse de tamanho sofrimento, mas como todo bom filho obediente, por fim deixou que se fizesse a vontade de seu Pai, afinal ele precisava passar por isso para salvar seus outros irmãos dos prejuízos do pecado…

 Porém, nenhuma das autoridades competentes queria assumir a responsabilidade da condenação de um homem do povo. Um jogava para o outro, o outro jogava para um, este pediu que seus assessores passeassem no congresso para convencer alguns líderes a pedir a condenação. Como sempre, a maioria do povo votou sem analisar, sem saber quem era o condenado e quem o estava condenando… Certamente os grandes fizeram uma vaquinha e pagaram cestas básicas para que alguns dos pequenos gritassem: “Crucifica-o!… Crucifica-o!”, contagiando o resto do povo que, como sempre, vai na onda, segue a moda, as tendências…

Então, o tal Pilatos lavou as mãos. Como sempre acontece, as autoridades criam o problema, apostam na memória fraca do povo, condenam quem se volta contra eles e depois, simplesmente lavam as mãos… Não têm nada com isso… Julgam-se inocentes… O errado vira certo e o certo vira errado… Neste contexto, ser justo e lutar pelas causas populares, transforma-se em crime hediondo. Os líderes dos grandes movimentos em favor do povo, normalmente são perseguidos e condenados… Condenados por quem?… Os gigantes lavam as mãos e jogam para o povo decidir, este nem percebe estar sendo induzido… Manipulado…

O Galileu, ou Barrabás? No BBB de Pilatos, o povo manipulado escolheu Jesus para deixar a casa, mas ao contrário do que acontece na “poderosa do Plim! Plim!”, o eliminado foi recebido lá fora com insultos e chicotadas que lhe dilaceravam a carne e o deformavam cada vez mais…

Mas não bastava crucificá-lo, confeccionaram uma coroa para o rei, uma coroa de espinhos que cravou em sua fronte, iniciando-se ali mesmo o derramamento de sangue pelos “erros” da humanidade…

Jesus cumpriu toda a sentença calado, não tinha reação a não ser perdoar. Perdoou aquele que o vendeu por trinta moedas no dia anterior, em mais uma demonstração de que quem abre a mente do povo deve ser condenado… Judas se enforcou depois, mas a condenação já estava feita… O perdão, aliás era uma constante na vida daquele que as autoridades não perdoaram por defender as massas. É bem verdade que nem as massas o reconheceram como salvador…

Subiu a montanha carregando a cruz da discriminação e da intolerância… Como um filho de carpinteiro pode ser rei?… “Quem nasceu para ser tostão nunca chega a milhão”… Todos sabiam que Ele era só um jovem sonhador, delirava dizendo-se filho de Deus, “viajava na maionese” pregando um mundo divino, de igualdade e fraternidade, onde todos eram um e um por todos… Um louco que queria ser rei…

E eis que o louco revolucionário foi crucificado. Mas não bastava a cruz. Era preciso reforçar o sofrimento, por isso seus punhos e seus pés foram transpassados pelos pregos da insegurança… Talvez o filho de Deus conseguisse se desamarrar e fugir. Os pregos seriam mais seguros…

Lá estava ele: braços abertos, pés juntos. Respirar era o resultado de um esforço sobrenatural… “Ô meu pai… Por que me abandonaste?”… Gritava ele num surto de humanidade e insegurança… E o último grito: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito…” A cortina do Santuário rasgou-se, o céu escureceu, ouvia-se trovões… Mesmo assim, pouquíssimas pessoas acreditaram que era o filho de Deus… Nos dias de hoje, pediriam DNA no programa do Ratinho. Não seria difícil coletar uma amostra física de Deus, já que somos todos seus filhos, mas quando os grandes querem, os pequenos se convencem de que serão pequenos para sempre…

Três dias depois, uma nova surpresa: O defunto levantou do túmulo. Estava vivo novamente… Ah! Agora sim ele convenceu a todos de sua descendência divina!… Nada… Poucas pessoas acreditaram na sua ressurreição, ainda assim porque o viram vivo novamente, Thomé foi o mais difícil de convencer…

Dois milênios depois, ainda se discute a veracidade destes fatos, mas a verdade é que Jesus de Nazaré foi um marco na humanidade, tem milhões de seguidores em todo o mundo, apesar de dividirem-se em praticantes e não-praticantes. Emplacaram muitas e muitas igrejas em seu nome, algumas bem fundamentadas, outras, nem tanto…

Hoje, o mundo ainda se divide em quem acredita e quem não crê que Ele é o filho de Deus. Nos tribunais, vemos a cruz que simboliza o reconhecimento da maior injustiça de todos os tempos feita por um júri… Algumas igrejas preferem não mostrá-la, ou mostrá-la sem o Mestre, pois cruz vazia simboliza libertação…

Amo este homem e sei que ele me ama… Sei que ama também quem não acredita desta mesma forma… Ele e eu respeitamos o livre arbítrio, mas também acreditamos na liberdade de expressão, afinal, Jesus foi condenado por expressar livremente a verdade. Mataram-no e, pela verdade, venceu a morte… Seria tudo muito melhor se pudéssemos nos unir para vencer a morte moral em nome daquele que foi o primeiro a vencê-la…

Amo este homem!…

 

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Jeito magrão de ser

 

 Num sábado desses recebi uma missão muito proveitosa e edificante: acompanhar duas meninas e um menino da nossa paróquia até Videira para um encontro de jovens… Na hora marcada, estava eu lá, em frente à paróquia pronto pra funcionar meu pratinha 91 e abraçar esta missão. Aliás, tudo que se refere a jovens me fascina, desde que eu era um deles… E na verdade ainda sou, pois já acumulei duas adolescências durante minha vida de três décadas e meia. Além disso, descobri a fórmula da juventude: basta estar sempre rodeado de jovens para ser um deles… Isso é um fato em minha vida, já que trabalho com esta garotada “sangue bom” do ensino médio, que têm me ensinado muito sobre relacionamento humano.
 Um deles, o único menino, não pode ir por causa de um imprevisto… Tudo bem! Fomos só com dois terços da equipe, mais o tiozinho aqui, ora pendendo pra cá, ora pendendo pra lá, nas curvas sucessivas típicas do caminho de Caçador a Videira: fato que não é de todo mal, pois torna a viagem menos monótona.
 Ao chegar na vizinha cidade, nos dirigimos até o local do encontro, onde acompanhei minhas heroínas… O mais incrível é que elas não sentiram vergonha de mim (ou não demonstraram)…
 O encontro foi muito envolvente e participativo, como tudo o que tem o jovem como protagonista, mas um pequeno detalhe me chamou a atenção: Uma jovem, durante a reflexão, profere uma frase um tanto estranha para ser ouvida por um adulto, enquanto apontava para a imagem de Jesus:
“A gente está aqui pela fé… Pela fé no magrão…”
 Magrão?… O que é isso?… Ela chamou Jesus de magrão? – Pensava eu carregado de preconceito e conservadorismo – Onde está o respeito pelas coisas de Deus?…
 Mas imediatamente, meu lado ranzinza deu lugar a meu lado reflexivo que analisou a situação, colocando-se no lugar dos jovens ali presentes:
 Pois bem… “Magrão” é uma gíria dos jovens contemporâneos. Eles a usam para se dirigir aos seus amigos mais íntimos, como forma de saudação: “Aí magrão!”… Logo, eles identificam Jesus como amigo, incluindo-o no seu círculo social… Um cara que tá por perto, no meio deles, vivo e presente, que fala e entende a língua e as características da juventude… Logicamente, não faltaram com o respeito, mas sim, aproximaram o divino do humano, de uma maneira legal e com a cara da garotada…
 Algumas vezes, meus alunos se dirigiram da mesma forma a minha pessoa: “Aí magrão!”, o que também me torna um amigo mais próximo deles… E o mais incrível é que não me senti nem um pouco ofendido, pelo contrário, desta forma podemos conversar de igual pra igual, sem máscaras e nem barreiras de gerações que insistem em ser impostas.
 Pô cara! Foi mal aí Magrão!… Não sabia que você se ligava nessas “paradinha” de gíria! Só! Valeu?
 É pela fé no magrão que eu ainda acredito nesta juventude, que é a mola propulsora do mundo. E sei que existem muitos jovens, imensa maioria, que ainda acreditam nos valores éticos morais e religiosos, do seu jeito “magrão” de ser… E com certeza, o magrão também se rejubila com o fato de seus jovens buscarem as coisas de Deus, através da intercessão de seu filho, Jesus Cristo: O magrão que já esteve pregadão, mas que agora é presença viva no meio desta juventude.

 

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br

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