Press "Enter" to skip to content

Tag: igreja

Abraço da paz

P1040578

Numa manhã de sábado, me encontro com uma amiga e, conversa vai, conversa vem, entramos no assunto de Igreja. A meu ver, seria conversa de compadres, um reforçando a teoria do outro, já que ambos somos Católicos Apostólicos Romanos… Mas como todas as criaturas divinas, somos humanos e limitados no nosso entendimento e cada cérebro interpreta de uma forma diferente. Isso não quer dizer que minha interpretação seja mais, ou menos verdadeira que a dela, apenas prova que na diversidade humana nos tornamos mais divinos quando amamos e respeitamos o próximo com suas crenças e costumes…

Contava minha amiga que o Papa assinou um documento proibindo a música e a circulação durante o abraço da paz nas celebrações litúrgicas sob pretexto de que a igreja não é encontro de recreio para tumultuar e depois fica difícil a volta a calma para a continuidade da celebração… Este assunto é abordado pelo site Dominus Vobiscum ( https://domvob.wordpress.com ), sob uma visão dogmática de uma ala da Igreja que fecha os olhos para a questão humana… De fato, pesquisei alguns sítios católicos e constatei que o documento existe e está disponível no site acima…

Admiro muitas atitudes do Papa Francisco, mas tenho que discordar do fato de se proibir a manifestação popular no único momento da missa em que se tem um contato entre os fiéis. Somos todos filhos de Deus e, como tal, devemos participar de seu reino. A missa é a ceia da ressurreição, a festa da partilha através do corpo e sangue de Cristo consagrados no Altar. Jesus nunca se negou a andar no meio do povo, jamais deixou de abraçar quem quer que fosse só porque não era hora de recreio. Dava atenção a todos, se deslocava a qualquer lugar que precisasse. Era atento a todas as manifestações. Conseguiu até ver Zaqueu que o procurava de cima da árvore e se convidou para jantar na casa dele…

Portanto, proibir de se cantar durante o abraço da paz, proibir o sacerdote de descer do altar para cumprimentar o povo e proibir o próprio povo de se deslocar na casa de Deus para desejar a paz aos irmãos… Tudo isso me parece um ato retrógrado e banal diante da grandeza que se faz no ato de reunir a comunidade para celebrar a vida… A Igreja se faz através de seu povo reunido e, por mais que seja uma celebração para Deus, como argumentou minha amiga, não consigo acreditar que, esse mesmo Deus, seja capaz de ignorar a manifestação popular…

Se o povo quer se abraçar desejando a paz, se quer dar maior destaque a esse momento, se o padre quer descer do tablado e se aproximar dos fiéis, se a equipe de liturgia deseja cantar algo durante o abraço da paz… Que mal há nisso?… Respeito o Papa e todos os líderes da Igreja, mas isso não me obriga a obedecer cegamente, pois acima de qualquer religião, padre, ou pastor, está o amor de Deus que enviou seu filho em sacrifício pelos nossos pecados. Em nome deste Jesus ressuscitado, criaram-se muitos ritos com o passar dos séculos e, às vezes, deixamos os ritos acima da própria fé. Repetimos, todos os domingos a festa da partilha e da ressurreição, mas nem sempre entendemos o que se passa no altar e, alguns líderes, em vez de explicarem ao povo como tudo acontece, preferem proibir sua manifestação…

O sacerdote que ousa desobedecer esta ordem, desce para cumprimentar o povo, quebra protocolos, difunde a religião do amor e da partilha, se preocupando o mínimo possível com o rito e dando mais importância ao povo que celebra junto, respeitando suas manifestações em detrimento às ordens lá de cima. Este sacerdote me representa e tem todo o meu respeito…

Vamos distribuir, sem medo, o abraço, desejando a todos a Paz de Jesus…

Márcio Roberto Goes

www.radioativacacador.com.br

www.portalcacador.com.br

www.cacador.net

Leave a Comment

As igrejas da Igreja

“Tu és pedra e sobre ela, edificarei minha Igreja…” Mt 16, 18

Com estas palavras, Jesus delegava a Pedro a difícil missão de prosseguir com sua obra aqui na Terra… Poucas palavras dentro de um contexto histórico, filosófico e religioso que, com o passar dos tempos, deu margem a inúmeras interpretações… Uns dizem ser Pedro o primeiro papa, outros acreditam que o papa é o anticristo, outros ainda nem têm consciência disso e vivem sua fé melhor do que se soubessem de todos os detalhes…

A verdade é que, em quase dois mil anos de história, muitas coisas aconteceram e me parece que Jesus não sonhou com a maioria dos acontecimentos, em seu nome, depois de sua morte e ressurreição: Guerras sangrentas, perseguições, venda de indulgências, cruzadas, inquisição… Um profundo desrespeito ao que não comunga com a mesma fé… Imagino Jesus, à direita de Deus, angustiado dizendo: “Pai, pelo amor de Deus, ou seja, pelo Teu próprio amor, deixa eu descer de uma vez pra avisar este povo que não foi isso que ensinei a eles…” E Deus, na sua infinita paciência, sinalizando com a mão para esperar mais um pouquinho… De fato, a Bíblia diz que nem o próprio Jesus sabe a hora que deverá voltar à Terra numa nuvem, ao som das trombetas e tals…

Hoje, não vemos muita diferença em relação a idade média. O único detalhe é que, em nome de Jesus, existem milhares de denominações que se dizem: igreja… Pior: cada uma delas acha que é a única certa… Todas elas, em alguns aspectos, continuam vendendo indulgências, condenando quem não acredita da mesma forma, perseguindo e matando moralmente quem não anda na mesma linha… Ou seja, as igrejas continuam incontestáveis… Mas, como não contestar algo que se dividiu tanto durante a história?

O amigo e a amiga leitora devem estar pensando que enlouqueci, pois todos sabem que sou Católico Apostólico Romano Praticante. Não é verdade, ainda não estou louco, apesar de ter laudo do psiquiatra… Continuo professando a mesma fé, mas me parece que muitos irmãos desta e de outras Igrejas, inclusive lideranças de paletó, gravata, ou batina, deturbaram o sentido da palavra: cristão… Portanto, percebo várias igrejas dentro da mesma Igreja, seja Católica, ou Evangélica e resolvi classificá-las…

A igreja do Louvor: É aquela que louva, treme, chora, dança, cai e levanta na presença do Senhor. Maravilhosa! Os fiéis desta classificação dizem se sentirem muito bem depois que saem de um encontro, ou culto, vão para casa e querem levar o amor de Deus a todas as pessoas ao redor. Agradecem pela casa, ou casas… pelo carro, ou carros… e outros bens materiais que conseguiram pela providência divina… Porém, em muitos casos, não enxergam o irmão necessitado diante do nariz e, quando o ajudam, tentam convencê-lo de que só terá sucesso quando se converter para sua placa religiosa…

A igreja do divino lucro: O dízimo é bíblico e necessário para a manutenção da igreja enquanto instituição, afinal, existem gastos como energia elétrica, abastecimento de água, materiais e produtos de limpeza, manutenção e impostos (Será?)… Porém, alguns fiéis só contribuem financeiramente por acreditarem que terão um retorno também financeiro para seu dízimo pelas mãos de Deus. Comparam, mesmo que involuntariamente, o Criador com uma instituição bancária que vai guardar seu dinheiro. e devolver com juros… Pouquíssimos cristãos entendem o dízimo como partilha, generosidade, ou seja, contribuir de forma espontânea e generosa para a manutenção da casa de Deus. E o dízimo não nos absolve de ajudarmos alguém necessitado. Este dinheiro deveria ser dado generosamente para manter os custos da igreja e não para receber de volta como bens materiais. Deus não faz negócios capitalistas…

A igreja da avareza: percebe-se que, muitos líderes de todas as igrejas cristãs comungam desta ideia e se mantêm escondidos num terno, ou numa batina, para arrecadar o máximo possível e sustentar seus votos de pobreza… Nas mãos destes reverendos, até os imóveis da instituição são alugados a terceiros para arrecadar fundos e, quando seus fiéis, sobretudo jovens, necessitam das dependências físicas, muitas vezes abandonadas, recebem a ordem de usar somente aquilo que não estiver ocupado por aqueles que nem sabem pra que serve uma igreja…

A igreja do status: Formada por pessoas extremamente vaidosas, embora não admitam. Os adeptos desta ramificação, só aparecem nas celebrações quando acham conveniente: batizados, casamentos, velórios, natal, páscoa… Como se Deus precisasse de data, ou ocasião, para ser procurado. Para estes pseudo-cristãos, o fotógrafo é mais importante que o celebrante, ou pregador, a roupa é mais importante que o sacramento, ou o momento de fé… O culto e a missa não passam de um show. Tudo é lindo e maravilhoso, mas sua vivência de fé termina ao dar o primeiro passo fora da igreja e, em alguns casos, não acontece nem mesmo dentro do templo…

A Igreja da partilha: A melhor de todas… Aliás, a única, a meu ver, que vive o Evangelho de Jesus… Pregada e vivida pela teologia da libertação, no caso da Igreja Católica, mas pode-se perceber adeptos deste verdadeiro cristianismo em todas as Igrejas que pregam o Evangelho de Jesus Cristo. A Igreja da partilha leva o Evangelho e as obras a toda criatura que estiver ao redor, sobretudo os que têm fome física e moral, buscam justiça social e libertação das amarras do capitalismo selvagem que só dá poder a quem já é poderoso…

Ali, na Igreja da Partilha, estão os verdadeiros cristãos, que dobram os joelhos em oração sim, mas também estendem a mão a quem precisa, além de orientá-los religiosa e politicamente… Sim, igreja é política, não aquela partidária, mas a política em si, que organiza a vida das pessoas… Os adeptos desta ramificação cristã, nunca se calam diante das injustiças… Estão sempre na luta em favor das causas populares. Seus líderes estão no meio do povo, falando sua língua, comendo seus alimentos e vivendo sua cultura, não precisam de roupas especiais para viverem seu ministério, evangelizam sempre e, às vezes, usam palavras…

Esta que chamo a Igreja da Partilha já existe, é conhecida por alguns, desconhecida por tantos, compreendida por poucos e vivida por pouquíssimas pessoas… Mas é a única que verdadeiramente converte e traz benefícios coletivos… A Igreja da Partilha…

Márcio Roberto Goes

www.radioativacacador.com.br

www.portalcacador.com.br

www.cacador.net

Leave a Comment