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Tag: força tarefa

Força descartável

 

Dezessete de abril de dois mil e dez. Algumas entidades se reúnem para realizar trabalhos comunitários: Corte de cabelo, orientações sobre saúde ecologia e cidadania, verificação de tipagem sanguínea, vacinação contra o porquinho H1N1, emissão de documentos, distribuição de mudas de árvores, shows populares e muitos outros serviços totalmente gratuitos e, porque não dizer, pretensiosos…

E para tal evento, foram escolhidas as dependências da Escola de Educação Básica Wanda Krieger Gomes, no bairro Martello, normalmente esquecido e abandonado pelo poder público, visto que somente as ruas “mais nobres” recebem o tão sonhado asfalto… Mas como “até o espelho tem dois lados”, finalmente a comunidade Martelense foi lembrada para este que foi o segundo evento deste porte realizado por alí…

Muitas pessoas compareceram ao local durante todo o sábado, em busca de um pouco de cidadania, afinal, estavam sendo lembradas, ainda que momentaneamente.

Visitei todos os campos do evento, descobri meu tipo de sangue, recebi a vacina contra a influenza A, levei para casa uma muda de araçá, enfim aproveitei o momento para, além de trabalhar, fazer algo que me edificasse de certa forma…

Adotei um copo plástico e nele tomei água, refrigerante e até café, mas não o descartei antes do final dos trabalhos… Tentei fazer minha parte para o bom andamento do evento de forma ecologicamente correta…

Porém, minha grande surpresa foi na segunda-feira, ao retornar à escola para trabalhar, ao olhar para o chão… Lixo, lixo e mais lixo… Até aquela faixa “O governo perto de você” que ajudei a pendurar na sexta-feira, estava no chão, esquecida, abandonada, pisoteada, desmantelada, dilacerada…

Minha mente criativa e desolada não consegue se conformar com tamanha falta de respeito com o ser humano, o local público e o meio ambiente… Além do mais, o assunto abordado por um dos trabalhos realizados na força tarefa foi a ecologia, a importância de se preservar o meio ambiente, além da consciência de se manter o local público do jeito que se encontrou…

Quando escrevo que os nossos governantes não cuidam do dinheiro público como deveriam, estou criticando todo um sistema que acostumou-se com as coisas ilegais para conseguir um progresso a passos de tartaruga… Mas através de exemplos como este, concluo que algumas pessoas do nosso povo também não sabem cuidar daquilo que é nosso. Nossos impostos estão alí, naquela alface gigante, construída no alto do Martelão para atender a demanda de estudantes de educação básica da quinta série ao terceirão… Porém, de vez em quando vê-se os muros pichados, provavelmente por algum desocupado que não faz parte do corpo discente, vidros quebrados e algumas outras coisinhas que, se não fossem reais, teríamos um pouco mais do dinheiro público para investir numa educação de qualidade, muito além de uma casca de escola agradável aos olhos…

É lastimável percebermos que, quando finalmente a política se volta para as causas populares, alguns cidadãos do próprio povo atendido não sabem cuidar do patrimônio público, obrigando alguns alunos e professores a perderem tempo de aula para limpar a sujeira física e moral das mentes poluídas pelo consumismo descartável…

Márcio Roberto Goes

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Jornal Informe – O diário Regional

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