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Tag: eleições

Penico voador

Fonte: http://rleite.wordpress.com/2008/11/

João dos Sonhos Azuis recebeu, em seu trabalho, uma notícia nada agradável: a morte de seu pai a trezentos e cinquenta quilômetros de distância. Precisava viajar com urgência… Isso quer dizer revisão no fusquinha da cor de seus sonhos: documentos, extintor, pneus, freios… Tudo em ordem! E o resto? Bagagem, materiais de higiene pessoal, roupa, calçado… É difícil pensar com discernimento depois de uma notícia dessas, afinal não é todo dia que se perde o pai… Lastimável, mas o jeito era engolir a realidade e juntar todas as forças para dirigir seu besourinho até o litoral… Tudo deveria ser organizado o mais rápido possível para seguir viagem de forma segura, apesar do grande abalo emocional que sofrera…

Enfia, então, sua família dentro de seu possante da cor do céu e pega a estrada… Até certa altura permanecem mergulhados num silêncio sepulcral que é quebrado por um de seus irmãos com a seguinte construção frasal: “Preciso mijá”… O recurso foi parar no posto do primeiro trevo… Depois da urinada, nosso sonhador órfão toma o rumo errado: “Estranho este caminho”… Admira-se João… “Não lembro de ter passado por aqui nas outras vezes”… “Estamos perdidos”, declara apavorada sua irmã…

Ao pedir informação, nosso sonhador de sonhos azuis a bordo de seu “herb-blue” descobre que viajou na direção errada por oitenta quilômetros tendo que retornar até o ponto da mijada fatídica, onde morava a confusão…

Enfim, nosso sonhador de sonhos azuis quase abortados pela morte de um ente querido retoma a direção certa para o funeral de seu progenitor…. Transita por estradas precárias onde até caminhões carregados de tora sofrem para fazer ultrapassagens a mais ou menos cinco quilômetros por hora… Finalmente chegam ao destino. João e seus irmãos conseguem velar em paz o corpo de seu pai…

Depois de uma noite inteira sem dormir, a viagem de volta é uma incógnita entre urinadas e buracadas que sempre aparecem de supetão em virtude das defecadas das autoridades na verba pública, tendo que escolher entre chegar vivo, ou inteiro… Precisando carregar bem a bateria de sua bola de cristal para descobrir, antecipadamente, as curvas e obstáculos, já que até a sinalização fugiu para meio do mato com medo do excremento em forma de buracos que abalam o fusquinha celestino e o bolso do nosso sonhador depois do orçamento para os reparos na suspensão que o deixa “mijando na barba” de raiva…

Nada trará seu pai de volta, porém o descaso com a qualidade das rodovias, obriga o João e milhões de motoristas por este Brasil afora a gastarem quantias desnecessárias em reparos que poderiam ser evitados se o dinheiro do pedágio fosse utilizado para os devidos fins… E para agravar, alguém o distrai por causa de um problema que seria perfeitamente resolvido com um penico… Bem, na estrada, nem mesmo penico resolve a diurese, nem a diarreia moral que somos obrigados a suportar por causa do descaso… Culpa nossa! Por que insistimos em confundir urna com penico?… Afinal, muita gente faz na urna (não a funeral, mas a de votação) o que o irmão do João fez naquele posto e o que as autoridades fazem com nossas estradas… Este ano vamos, de novo tentar escolher qual será o menos pior para continuar voando e se regozijando com nosso dinheiro. É preciso analisar muito bem nosso voto para que não ajudemos a encher as cuecas e as meias dos excelentíssimos novamente…

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe – O diário Regional

Jornal Fonte – Diocese de Caçador

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Virgindade Eleitoral

Há algum tempo, quando completava dezesseis anos, eu estava ansioso para entrar na cabine e realizar meu primeiro voto: lembro até hoje, pois a primeira vez, a gente nunca esquece… Aquele ato significava o resultado de meses ouvindo, analisando, e discutindo propostas, pois desde que me tornei eleitor tenho um posicionamento político, alguns conceitos mudaram com o passar do tempo, mas os princípios continuam intactos. A meu ver, o posicionamento político, firme e decidido livremente deve ser uma característica de todo cidadão. É assim no futebol, na religião, no campo profissional… Não poderia ser diferente na política: Digo política, ideologicamente falando, o que é muito diferente da “politicagem” que procura atender a interesses pessoais acima da vontade do povo. Exemplos claros deste aspecto encontram-se no “troca-troca” de partidos às vésperas do prazo legal para as candidaturas, nas obras e ações emergenciais às vésperas das eleições, entre tantas outras falcatruas, como candidaturas “vendidas” que esquecem completamente os aspectos ideológicos, além da compra de votos, que apesar de tantas restrições da Justiça Eleitoral, teima em ser uma constante nas eleições.

É necessário que façamos uma análise política e ideológica antes de digitarmos os algarismos na urna. E torna-se indispensável um posicionamento consciente e livre para o bom andamento da democracia. Um cidadão que fica atento a estes aspectos, jamais se venderá por uma cesta básica, ou por uma ordem de combustível, visto que a cesta básica e a gasolina logo acabam, mas o candidato que ajudamos a eleger permanece por quatro anos.

Desta forma, quero conclamar meus amados e queridos jovens, por quem tenho um profundo carinho e uma grande admiração, para que usem de sua juventude e não joguem seu primeiro voto no lixo, pois ele terá sérias conseqüências, o futuro de nossa cidade depende do poder executivo e do legislativo que vamos eleger no próximo dia cinco. Não gostaria que meus amigos jovens perdessem “a virgindade eleitoral” sem amor e de maneira dolorosa, mas sim de forma livre e democrática, analisando as melhores propostas, e escolhendo, sem nenhum tipo de pressão ou extorsão aquele candidato, ou aquela candidata que acreditar ter as melhores propostas para nosso município.

Não é fácil, mas é perfeitamente possível votar conscientemente, acreditando nos benefícios que vêm depois, e não nos “agradinhos” de antes do pleito, que morrem por ali mesmo sem nenhum resultado futuro para a coletividade. E por falar em coletividade, por favor, meus jovens, votem pensando no município, e não nos interesses particulares.

Por fim, queridos aspirantes eleitorais entre dezesseis e dezessete anos, e jovens em geral: não deixem de votar e votem conscientes de que aquelas teclas que forem digitadas, depois de confirmadas, não poderão ser apagadas. São estes dígitos que ajudarão a decidir o futuro do município, e por conseqüência o seu futuro. O voto é único, mas somado a tantos outros, será responsável pelo sucesso ou fracasso de nossa cidade por quatro anos…

Márcio Roberto Goes

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Inspiração democrática

 Aconteceu de novo!… Não acredito!… I do not believe!… Yo no creo!… De repente, me pego, novamente, sem a mínima inspiração. A noite já não é uma criança… A cidade já está dormindo… Eu, no entanto, permaneço sem sono e sem idéia… Porque será que sempre “dá um branco” no cérebro, justamente na hora em que mais precisamos dele?… Ufa!… Ainda bem que isso não me aconteceu quando fiz o vestibular há alguns anos, nem ao realizar a prova do concurso público que me efetivou na rede estadual de ensino… Sobretudo, agradeço por não precisar fazer nenhuma prova (que a meu ver não prova nada) neste exato momento.
 O recurso é puxar da memória e “descascar” um palavrório bonito e convincente, daqueles que a maioria dos políticos usa em época de campanha… Ops! Desculpe-me, esqueci que não se pode falar de alguns aspectos da política durante o pleito eleitoral, sob pena de estas palavras serem usadas em favor de uns e contra outros… Aliás, alguns fatos me fazem aplaudir a nossa justiça eleitoral, pois estamos vivendo a campanha mais rigorosa de que se tem conhecimento desde que o país se abriu novamente para a democracia. A meu ver, todas estas exigências contribuem para aumentar a igualdade de condições entre os candidatos, e exigir deles o máximo possível de idoneidade, além de diminuir consideravelmente a poluição visual em nossas ruas.
 Algumas decisões merecem destaque, como: Limite máximo de tamanho para as placas que só deverão estar presentes em propriedades privadas, com a devida autorização do proprietário, que de forma alguma, poderá receber qualquer benefício financeiro ou material por isso; A proibição da distribuição de qualquer tipo de brinde para o eleitor, com exceção dos famosos “santinhos”, fato que torna impossível a compra de votos de qualquer forma (Pelo menos é o que se espera)… Não serão permitidos também os costumeiros showmícios, o que obriga os candidatos a gastarem mais saliva e apresentarem propostas concretas se quiserem atrair a atenção; além de muitos outros bloqueios que tentarão fazer desta, a campanha mais limpa e democrática da história… (assim espero)…
 Porém, no meio de tantas restrições, um fato me deixa intrigado: Porque é que o tempo de propaganda no rádio e na televisão não é dividido igualmente entre as coligações?… Este tipo de propaganda ainda está vinculado ao número de deputados federais que os partidos participantes têm na assembléia, fato que vai à contramão da democracia e da igualdade de condições no pleito eleitoral. Trata-se de eleições para o executivo e o legislativo municipais, portanto, o foco principal deveria ser o município e não a capital federal, apesar de lá existirem representantes eleitos por nós e que deveriam lutar por nossos interesses.
 De qualquer forma, apesar dos pesares, vivemos num dos países mais democráticos do planeta. Sabemos que nem sempre foi assim: durante a ditadura, conforme a posição política que o indivíduo tomava, assinava gratuitamente um atestado de perseguição e morte. Somos um país jovem, ainda engatinhando na democracia, porém estamos muito além de alguns países desenvolvidos que querem ser “donos do mundo”, mas não conseguem sustentar o capitalismo que eles mesmo criaram.
PS: Espero não ser surpreendido por outro “branco” destes em meu cérebro novamente… Principalmente na hora de votar.

Márcio Roberto Goes

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