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Tag: educação pública

Calculadora fictícia

 Às vezes, me enoja ver e ouvir algumas barbaridades na gestão da educação pública, principalmente em nosso estado que vive um momento cheio de construções de cascas de escola, entregues praticamente vazias, apesar de agradáveis àqueles que olham de fora, pois quem observa com mais atenção, vai perceber muitos problemas estruturais nestes prédios faraônicos que revelam, unicamente, uma educação de vitrine…

Uma coisa boa, porém, foi a terceirização da merenda, principalmente para a empresa que assumiu o serviço, mas isso é assunto para um novo texto… A frase que mais ouço dos alunos é esta: “Que bom que o governo está dando merenda boa!”… De fato, é boa, uma refeição completa, fato nunca visto por outras gerações na escola pública de Santa Catarina, porém, não se trata de uma esmola do governo, tampouco uma doação generosa votada pelo legislativo e aprovada pelo “Pavão” do Executivo. Nada mais é do que nossos impostos ali aplicados na alimentação da criançada.

Encontrei alunos de ensino médio com vergonha de entrar na fila para receber a tão generosa refeição, fato que não tem razão de ser, pois seus pais também são pagadores de impostos e agora a merenda estende-se também para este nível de ensino… Uma inclusão tardia, a meu ver, pois a partir do momento em que o ensino médio tornou-se obrigatório e gratuito, já deveria ter livro didático e a tal da merenda, porém as coisas foram acontecendo a passos de tartaruga e com o glamour pavonesco da educação de vitrine, coincidentemente às vésperas de uma eleição…

Porém o “Globo de Ouro” do pavão exibicionista saiu esta semana, quando conversava com um professor de matemática e ele me mostrava uma carta nominal à ele, enviada pelo ilustríssimo secretário de educação, gabando os benefícios dispensados para a escola pública durante os últimos anos: tais como, livros e jalecos para professores, laboratórios, robótica (???) e uma sensacional, extraordinária, útil, estupenda, magnânima e revolucionária calculadora científica, tão fictícia quanto as cores do pavão e a maioria dos outros benefícios citados na carta….

Bem, meu cérebro passional pela educação não encontrou nos seus arquivos nenhum jaleco e nem sinal de outros benefícios expressos pelo cargo de confiança do pavão do bico amarelo na referida carta e o professor de matemática, meu interlocutor até hoje não viu a cor da tal calculadora científica…

“Mas era só para os efetivos!”, me dizia alguém…. P…Q…P…! Sou professor de Português, embora longe da perfeição, entendo um pouco do uso das palavras e li claramente naquela carta que a calculadora estava sendo dada a TODOS os professores de matemática da rede estadual de ensino… Para mim, todos significa “todos”, sem exceção, nem discriminação. Como nossa escola não tem professor de matemática efetivo, não sei se receberam a tal calculadora, só sei que os matemáticos do educandário onde trabalho ainda não foram apresentados a tal ferramenta que, repito, dizia na cartinha, estava sendo entregue a todos…

Além de abusarem com nossa paciência, nos obrigando a lecionar num curso técnico sem o mínimo de estrutura, ainda pintam uma realidade descaradamente mascarada pelas cores do pavão, abusando também de nossa inteligência… Até hoje, não aprendi a usar uma calculadora científica, ainda mais fictícia, aliás, muita coisa continua fictícia na educação pública, mas não devemos nos preocupar, pois o horário eleitoral gratuito vai se encarregar de fazer da ficção uma pseudo-realidade…

Márcio Roberto Goes

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