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Tag: corrupcao

O errado é sempre o outro

errado

 

Muitas pessoas me questionam por que, de repente, parei de escrever sobre política… Portanto, resolvi responder da maneira que gosto: Escrevendo…

Primeiro que, não foi de repente. Há muito tempo venho percebendo que, minhas palavras não fazem diferença no contexto político e politiqueiro atual do Brasil. E segundo que, somos rodeados pela política, é ela quem rege nossas vidas de cidadãos de bem (Ou não…). Se faz necessário abandonar a ideia de que a política e, por sua vez a politicagem só acontecem em Brasília, ou nos palácios por este Brasil afora…

Em 2014, fui candidato a deputado estadual (Deus que me perdoe!). Aceitei este desafio por acreditar que poderia realizar nas ruas, junto ao povo, uma troca de ideias, apresentar sugestões para melhorar a vida das pessoas ao meu redor através de projetos de leis e tals… Estive em todos os bairros de minha cidade natal, a querida Caçador e cidades vizinhas. Bati de porta em porta, acompanhado de alguns colaboradores que, voluntariamente apoiaram o projeto…

Fui muito bem recebido na maioria das residências, porém muitas portas se fecharam na minha cara, alguns mostravam cartazes de outros candidatos de forma provocativa… Mas os piores foram aqueles que, após me ouvirem falar, faziam perguntas do tipo: Quanto eu ganho votando em você?… Minha resposta era: Quatro anos de um mandato popular… Mesmo assim, deixavam claro que queriam dinheiro imediato, ou favores particulares, derrubando todo o meu discurso e dizendo que fulano os ajudaria se votassem nele…

Por diversas vezes, tentei argumentar, dizendo que compra de voto é crime e que, desta forma não poderíamos reclamar da corrupção, etc… Tenho certeza que, muitos colegas candidatos faziam o mesmo, tentando dar sua contribuição para a moralização da política… Sei que seria muito difícil eu ser eleito, mas minha decepção começou vendo que, um grande número dos vencedores nas urnas, compraram a vitória com combustível, cestas básicas, favores e agradinhos em troca de votos…

Tudo isso me leva a crer que, muitas pessoas querem ser corrompidas e buscam isso nos corruptos… Muitos cidadãos que protestam e gritam contra isso, contra aquilo, praticam a corrupção passiva e seu sonho é receber algum benefício dos engravatados…

Continuo tendo minhas ideias, convicções e ideologias… Porém me decepciono, a cada dia com aqueles que foram eleitos para nos representar e, no entanto não representam nem a ideologia que seu partido defende e o ajudou a ser eleito, seja de direita, centro, ou esquerda… Quase todos estão cegos, surdos e mudos para o povo, mas têm os sentidos bem aguçados para defender os próprios interesses, em detrimento das necessidades urgentes da população…

Há muito tempo vejo, muitas pessoas idolatrando nomes, criando líderes deste, ou daquele partido, numa eterna disputa de poder que jamais favorece aos que brigam por eles… Pelo contrário: Até hoje, nunca vi um político, em nível nacional, que lutasse verdadeiramente em favor do povo…

Senhoras e senhores, não escrevo mais sobre política para não ser mais um no meio desta intolerância declarada e descarada que vivemos… Pois os fanáticos querem ser ouvidos, mas não suportam ouvir as ideias, nem conhecer a ideologia do outro… Ou seja, aquilo que eu defendo é perfeito e os defeitos são privilégio dos partidos, ideias e nomes contrários…

Na vida e na política, estamos cada vez mais cegos, pois o errado é sempre o outro…

Márcio Roberto Goes

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Colo materno

COLO1

Numa bela manhã de quarta-feira ensolarada, transitava eu com minha forminha de pão prata que me dá 147 motivos para ser feliz pelas ruas do centro da cidade… Nem lembro direito o que eu tinha que fazer no centro, mas eu estava lá, ouvindo uma rádio FM qualquer, cantando junto uma letra qualquer, observando despretensiosamente o movimento dos carros e das pessoas nas calçadas. Gente indo e vindo… Pacotes e mais pacotes… Sorrisos… Caras fechadas… Passos rápidos… Caminhar lento… Carros estacionados em vaga proibida com o pisca alerta ligado, como se isso tornasse o motorista menos culpado. Imprudências inúmeras, falta de sinal para conversões, ou mudança de pistas… Gentilezas raras na faixa de pedestres… Ou seja… Trânsito normal para uma cidade de quase oitenta mil habitantes que completa oitenta e dois anos de emancipação…

Mas uma cena me chamou especial atenção: Uma moça, aparentava não mais que seus dezessete anos… Uma criança no colo, devia ter menos de um ano. Subentende-se que seja seu filho, subentende-se também que trata-se de mais um caso de gravidez na adolescência. Não me cabe aqui julgar as circunstâncias, e sim os fatos corriqueiros como faz todo cronista que segue a regra (ou não)…

Sei de muitos casos de meninas que engravidam, acham maravilhoso, se consideram guerreiras por serem mães solteiras, postam fotos orgulhosas da barriga crescendo… Mas depois que acriança nasce, deixam para os avós cuidarem, terceirizando assim a responsabilidade da maternidade…

Com muita alegria, constato que não é o caso em questão: Esta moça carregava seu filho muito perto de si, caminhando vagarosamente, ora olhava para o caminho, ora olhava orgulhosa para seu rebento ao colo… Acariciava seus cabelos, beijava carinhosamente o rosto e a fronte, balbuciava alguma coisa no seu ouvidinho… E o bebê retribuía a abraçando com toda força que seus bracinhos permitiam… Aparentavam ser mãe e filho felizes…

Estudiosos dizem que a personalidade do ser humano se forma nos seis primeiros anos de vida, portanto, esta moça não sabe o bem que está fazendo por aquela vidinha que carregou nove meses na barriga e agora segura carinhosamente em seu colo materno, protetor e amoroso…

Poucas coisas me emocionam, apesar de algumas pessoas entendidas no assunto dizerem que sou altamente sensitivo. Esta cena marcou minha mente e meu coração de tal forma que me fez parar o carro e observar com maior atenção. À medida que a mamãe coruja se aproximava, fui percebendo que conheço a moça. Foi minha aluna nestas minhas voltas pela educação pública… Não chamei a atenção, não acionei a buzina para não atrapalhar o momento… Havia uma barreira para o resto do mundo. Só havia ela e o filho numa longa caminhada despreocupada pela Avenida Senador Salgado Filho e um escritor meia boca parado dentro de um Fiat 147 admirando a cena de queixo caído… Desta forma, pouco importaria se eu chamasse a atenção, ou buzinasse… O resto do mundo não importava para ela, para a criança, tampouco para mim…

Como sempre, minha mente ficou matutando por horas sobre aquilo… Parece que ninguém mais notou além de mim. Em tempos de ódio espalhado por todos os segmentos da sociedade, intolerância, discriminação, preconceito, atos ilícitos, modinha de luta contra a corrupção (só a de Brasília, o resto querem que a gente esqueça)… Enfim, em tempos de conflitos ideológicos, políticos e egoísticos, ninguém tem tempo para observar a mais sublime demonstração de amor de uma jovem mãe pelo seu bebê em vias públicas… O amor contagia, mas é preciso estar aberto aos sinais…

Márcio Roberto Goes

www.radioativacacador.com.br

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Carta resposta do eleitor

Fonte: brejonewsnoticias.blogspot.com
Fonte: brejonewsnoticias.blogspot.com

 

Senhor candidato:

Hoje, num acaso do destino, vi aquela foto que você pagou mil e duzentos reais para publicar na capa do jornal e imediatamente lembrei que lhe devo profundos agradecimentos por tudo o que tem feito por mim e por minha família… Não quero que pense que sou ingrato com sua generosa pessoa, mas existem alguns pontos a destacar no que diz respeito às suas praticas eleitorais:

Aquela cesta básica que apareceu ocasionalmente em minha varanda na calada da noite anterior ao dia das eleições, acompanhada do seu “santinho”, foi muito útil para matar nossa fome por alguns dias, porém, vejo que, nestes quatro anos, vossa senhoria não tem feito nada em favor de outros tantos famintos de nossa região a espera de uma providência que vise a solução definitiva de um problema coletivo… Penso que minha família vale muito mais que alguns quilos de alimento e me pareceu um desaforo trocar nosso voto por comida não-perecível que faz perecer nossa moral e ética…

Da mesma forma, agradeço aquela nota de cem reais entregue a um familiar meu por um de seus cabos eleitorais, anexada à “colinha” com seu número, porém lamento dizer-lhe que durou pouco e não teve muita serventia, como acontece com tudo o que é sujo e ilegal. Esse dinheiro poderia ser melhor usado por vossa senhoria, já que suas promessas eram mirabolantes e creio piamente não ter sido o único favorecido com tamanha generosidade…

Ah!… Quase ia me esquecendo da ordem de combustível daquele posto, cujo dono também é do seu partido, ajudando a manchar ainda mais aquela sigla. Foi muito útil, pude rodar vários quilômetros, porém, pesquisei seu passado e não encontrei lá nenhum projeto da vossa pessoa em favor de um transporte público de qualidade e acessível aos trabalhadores menos abastados…

Recordo-me também das tantas obras faraônicas e vazias, das quais o senhor tanto se gaba e diz que “fez isso e fez aquilo”, desmerecendo os trabalhadores que deram seu suor para que a edificação fosse erguida… Porém, percebo que tais ações não passam de vitrines eleitorais, pois o material utilizado é de péssima qualidade e as obras, apesar de recentes, encontram-se com sérios problemas estruturais, além do mais, quase todas as empreiteiras envolvidas superfaturaram a obra e, mesmo assim, faliram vergonhosamente. Confesso que minha inteligência miserável deste cérebro de proletariado não foi suficiente para entender tal relação de negócios…

Agora, você visita novamente minha casa, dá tapinhas em minhas costas, pega minhas crianças no colo, gruda em meu peito um boton com sua foto editada por algum programa usado por algum marqueteiro e pede, descaradamente o meu voto de novo.

Infelizmente, preciso ser sincero com vossa excelência: Você não terá a honra do meu voto novamente, também não vou aceitar seus agradinhos e gentilezas. Tudo isso em nome de minha dignidade, pois sou um ser humano e mereço ser tratado como tal. Não sou mercadoria que se compra ou se vende em troca de benefícios momentâneos. Tenho valor muito maior que uma cesta básica ou uma ordem de combustível. Preciso, ou melhor, todos nós precisamos de um retorno muito maior para o nosso voto. Queremos propostas para solucionar os problemas sociais criados por este capitalismo selvagem defendido por toda a sua equipe. Estamos cansados desta política suja que só fortalece quem já é forte e o povo continua esquecido. Sua compra de votos só vai criar mais problemas para nós, pra você e, principalmente para nossa Pátria amada, mãe gentil.

Perdi, totalmente minha confiança na vossa pessoa e você perdeu, para sempre, o meu voto, pois nestes quatro anos aprendi o verdadeiro significado de algumas palavras como: corrupção, ética e dignidade…

Mil perdões, senhor candidato!

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Abutres de plantão

Publicado em:
06/06/2008 – www.cacador.net
07/06/2008 – Jornal Informe

A vida tem me reservado cada surpresa, que se fosse escrever tudo daria um romance: Algumas delas são boas, outras, nem tanto, como esta que há algum tempo se repete, vem indignando-me profundamente e desafiando meu pobre cérebro mortal em busca de alguma explicação, fazendo-me pensar a que ponto chega o ser humano tentando obedecer à lei do menor esforço e querendo levar vantagem em tudo… Aliás, os meus colegas homo-sapiens se esquecem que ao levarem vantagem em alguma coisa, cria-se um semelhante em desvantagem.

Quando iniciei o curso de Letras, há alguns anos atrás, alguém me procurou para oferecer-me sua “ingênua” prestação de serviços: o mercenário em questão aproveitava-se da preguiça de alguns estudantes para fazer seus trabalhos acadêmicos, inclusive TCC (trabalho de conclusão de curso), cobrando altas cifras pelo produto… Serviço completo, dentro da metodologia e tudo… Um espetáculo que permitia a qualquer um assinar o atestado de corrupto-mor antes mesmo de entrar no mercado de trabalho. Minha resposta foi curta e grossa: -“Sinto muito, mas jamais serei seu cliente” – por dois motivos: Primeiramente porque meu salário no momento era curto demais para gastar com a minha preguiça e financiar a corrupção, e em segundo lugar, minha mãe sempre me ensinou a fazer as coisas do jeito certo, para que ninguém tenha “uma vírgula” a argumentar contra.

Quatro anos depois, tenho um diploma na parede me garantindo uma abreviatura que se resume em mais quatro letrinhas no início do meu nome: Prof. … Pode não ser grande coisa, mas o diploma é meu: conquistei-o com muita garra e dedicação, como a maioria dos acadêmicos que passam por “maus bocados” para concluir enfim a faculdade.

Não satisfeito, matriculei-me num curso de pós-graduação Lato sensu, e “pedalei” para fugir dos “financiadores de preguiça de plantão”. Meu Deus!… Será que tenho cara de quem não tem capacidade suficiente para produzir uma monografia?… Acaso meu semblante revela algum tipo de preguiça crônica para a leitura, pesquisa e escrita?… Não!… Acho que se trata mesmo é de abutres de plantão esperando a carniça da imoralidade e da corrupção que fede de longe, inclusive no meio acadêmico. Mais tarde descobri que isto é um fato que ocorre com muita freqüência nas universidades de todo o Brasil.

Um dia, alguém me ligou – não lembro o nome, mas nem faria questão – pedindo-me que lhe fizesse um trabalho de faculdade. Pagava bem!… Outra vez, obriguei-me a esquecer da educação que recebi na infância e dei-lhe um sermão inesquecível sobre imoralidade e corrupção… Sempre oriento meus alunos que corrupção, além de imoral, é crime e que eles devem valorizar seus talentos e fortalezas, investindo no conhecimento… Isso requer muito empenho por parte do estudante e não de terceiros. Desta forma, que moral teria um professor vendendo trabalhos prontos para financiar o ócio improdutivo?

Se continuar assim, criar-se-ão monstros profissionais, que futuramente estarão por aí, falsificando documentos, desenvolvendo estratégias para pular etapas nas mais variadas situações da vida e obedecendo cegamente à lei do menor esforço. E o pior, muitos destes monstros estarão no poder, financiando sua própria preguiça com dinheiro público. Parece mentira, mas não é!

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Uns mais iguais que os outros

Não me agrada nada o fato de escrever sobre fatos negativos às vésperas do Natal, aliás é apropriado para o consumismo que todos estejam solidários afim de gastar mais com presentes para sustentar o “natal capitalista”… mas calar-me, neste momento não seria uma atitude digna de um profissional da educação.

Pensei que tivesse visto de tudo no cotidiano escolar, mas esta semana fiquei sabendo de um fato que me fez perceber o quanto o ser humano pode ser desgraçadamente surpreendente quando assim o deseja.

Um colega de profissão passou por momentos inaceitáveis na vida de um funcionário público, ainda mais se tratando de um professor, profissional do conhecimento, que nos ajuda a crescer intelecto e moralmente.

Durante os exames finais, uma aluna foi surpreendida por ele ao portar uma prova parcialmente respondida junto com a sua que estava ainda em branco. Meu amigo fez o que deveria ser feito no momento: Retirou a prova da menina e anulou o exame, numa atitude extremamente justa e apropriada… Em seguida, a tal aluna corrupta e desonesta retirou-se da sala-de-aula, aparentemente, admitindo sua derrota, voltando pouco depois e tomando assento. Alguns minutos mais tarde, o professor é surpreendido por um senhor que invade a classe sem pedir licença, cheio de razão, pedindo satisfações do sucedido e desfere um tapa no seu rosto, perante toda a turma.

Bem, o caso agora está na justiça, não cabe a mim julgar, mas como profissional da área, não posso silenciar diante de tal acontecimento, e sei que se a lei for cumprida, este senhor pode ser condenado de dois a quatro anos de cadeia, por agredir um funcionário público durante o exercício de sua função.

Sei também que este é só mais um caso em meio a tantos outros que acontecem no dia-a dia

da escola: e não só agressão física, moral também… nem sei qual é a pior, só sei que desta já sofri inúmeras que resultaram em vários boletins de ocorrência.

Parece que a violência nas escolas está mais perto e com maior freqüência do que imaginamos, e o pior é que tudo isso continua impune: Atualmente, existem muitos órgãos que protegem “o trigo e o joio” no meio dos adolescentes, porém poucos defendem o profissional de educação, sobretudo da escola pública, obrigado a trabalhar sem o mínimo de estrutura e segurança necessárias a qualquer profissão.

Infelizmente, a escola, com o passar dos anos, assumiu muitas responsabilidades que antes eram da família, que agora agride o professor no perfeito exercício de seu dever… Prefiro pensar que aquele senhor só “errou a mira”: o tapa, na verdade seria merecido pela aluna infratora (Opa! Espero não ser condenado por isso)…

Um médico, um advogado, um pedreiro, um carpinteiro, ou qualquer outro profissional… são respeitados pela profissão, além de serem reconhecidos por ela que torna-se referência para as pessoas ao redor… Um professor, algumas vezes não é respeitado, nem como ser humano, ferindo até mesmo a Constituição que diz: “Todos são iguais perante a lei”… Que lei?… Quem são esses iguais contemplados pela constituição?… Porque “uns são mais iguais que os outros”?…

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