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Tag: conae

Preto, ou negro?

Debatendo sobre o futuro da educação brasileira numa iniciativa inédita, contemplando profissionais, alunos e pais, chamada CONAE (conselho nacional de educação), na instância regional, nos deparamos, num dos itens, com uma palavra que gerou polêmica: “Preto”, referindo-se aos negros… Houve uma ampla discussão para decidir se esta palavra seria substituída por “negro”, ou afro-descendentes, para ser politicamente correto

Pois bem, se classificarmos por cor, não existem pessoas brancas ou pretas, ou eu sou daltônico, pois observando no espelho, vejo-me bege, com exceção dos olhos e cabelos, cujos fios castanhos estão sendo vagarosamente substituídos pelos brancos… E aqueles que a sociedade chama de preto, na grande maioria são marrons…

Se o foco for metáfora, então os brancos são cor de papinha e os negros, cor da terra…

Porém, se formos enveredar para o rumo do “politicamente correto”, os negros serão afro-descendentes… Simples… O difícil será classificar os brancos, já que existem várias origens da mesma cor: Luso-descendentes, ítalo-descendentes e assim por diante…

Existem muitos movimentos em favor do respeito às diferenças, sejam elas de cor, raça, nacionalidade, étnica, social, religiosa, política e uma infinidade de outras que só o bicho-homem foi capaz de criar. Inclusive, a constituição nos garante no artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei”… Mas como diz a canção “Uns mais iguais que os outros”

No entanto, existe um certo exagero quanto aos termos, que por si só, não resolvem o problema da discriminação e do preconceito… Se chamarmos qualquer pessoa com deficiência de “portador de necessidades especiais”, ela não vai deixar de ser deficiente, não será curada da cegueira, da surdez, da paraplexia, ou de qualquer outra deficiência…

Portanto, se chamarmos um camarada de “afro-descendente” não o fará deixar de ser negro, da mesma forma, se me chamarem de “luso-descendente”, não mudarei de cor, continuarei sendo cor de mingau e descendente de portugueses até o fim dos meus dias.

O grande contrassenso aqui é o comportamento social, o desprezo e a discriminação aos “diferentes”… Aliás, diferentes na visão de quem?… Caro leitor, cara leitora, se você olhar com atenção, ao vivo, verá em mim, muitas diferenças em relação a você e eu perceberei o mesmo quanto a sua pessoa. Mas em algo, temos semelhança: somos seres humanos e como tal, merecemos respeito mútuo na visão ética, social e na constituição…

Então, não é uma palavra nem o conjunto delas compondo termos bonitos que vaio acabar com a bestialidade do preconceito humano, mas sim as atitudes e elas devem brotar do coração, do contrário, só estaremos mascarando um problema milenar entre os seres humanos que ainda julgam-se uns melhores que os outros, quando na verdade, como dizia minha mãe: “Virou no avesso é tudo a mesma coisa”…

Mas, e o texto do CONAE?

Virou e mexeu, continuou preto mesmo…

 

 

 

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe – O diário Regional

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