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Tag: capitalismo

É Natal

É Natal! Toda a cidade, o país e o mundo mobilizados, afinal é hora de pensar nos festejos de fim de ano: reunir a família, comer e beber a vontade, dar e receber presentes, enfeitar a casa e as ruas…

O trabalhador tem alguns dias de férias… O vendedor tem mais trabalho… O comerciante espera, vitorioso, as vendas de fim de ano… Enquanto isso, o pobre pai de família espera ansioso por um emprego, a fim de ter décimo terceiro e férias no fim do ano que vem, comprar presentes para a família, dar trabalho ao vendedor e engordar o bolso do comerciante, cujo filho tem brinquedos de última geração, roupas de marca, computador, Internet, celular e uma babá que certamente não tem férias e dá todo o amor e carinho que seus pais resolveram terceirizar… O filho do desempregado vive na periferia, onde nem Papai Noel tem coragem de chegar, brinca com o cachorro, gado de osso, terra e pedras às margens do esgoto a céu aberto… Usa roupas que não servem mais para seus quatro irmãos mais velhos e futuramente deverá deixar para os dois irmãos mais novos. Roupas compradas num bazar beneficente promovido por alguma turma de formandos que esperam ansiosos a colação de grau e uma chance para negociar a dívida com a faculdade, ter direito ao diploma e um lugar no mercado de trabalho, para ganhar dinheiro, comprar presentes, dar mais trabalho ao vendedor e engordar o bolso do comerciante…

É Natal!… Cresce mais a economia de quem não economiza, mas também não reparte… É Natal!… De um lado, miséria, fome e crianças que já não alimentam esperanças de receber presentes do Papai Noel… De outro, luxo e desperdício, e um Papai Noel generoso que, como diz a canção, “não esquece de ninguém”, só dos pobres.

É Natal!… O aniversariante dorme na manjedoura à espera de alguém que ainda lembre o verdadeiro sentido desta data… Ele vai crescer, desafiar as autoridades, repartir e multiplicar o pão, doar-se aos pequenos e aos pobres, inclusive àqueles que já não recebem a visita do Papai Noel, será condenado à morte de cruz, vai vencê-la e ressuscitar ao terceiro dia a fim de salvar a humanidade… Está completando dois mil e quinze anos, não esquece de ninguém, “seja rico, ou seja pobre”… Pena que grande parte da humanidade (ricos e pobres), já esqueceu dEle e prefere acreditar só no Papai Noel, criado e alimentado pelo comércio capitalista que é desumano e valoriza muito mais o “ ter” do que o “ser”.

“Dorme em paz oh Jesus”, porque é natal… O menino santo e pobre da manjedoura, agora dá lugar ao bom velhinho do trenó que traz presentes para uma seleta fatia da população que não tem tempo de comemorar o aniversário de alguém nascido no meio dos animais e que vive para salvar a humanidade.

É Natal!… Então, feliz Natal!!!

Márcio Roberto Goes

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O homem que tudo queria…

MENINO SONHADOR

Era uma vez um menino que nada tinha além daquilo que necessitava para sobreviver… Mas ele queria mais, ele queria ser, ele queria ter… Ser homem, ter trabalho, ser alguém reconhecido, ter dinheiro…

O menino cresceu, agora era um homem… Um homem que nada tinha, que lutava, tentava, arriscava, trabalhava… O homem que nada tinha queria ter, então começou a comprar… Comprava tudo… de todos… Se identificasse um por cento de necessidade, comprava, comprava e comprava… E o capitalismo o amava, pois o homem gastava e as pessoas que tudo vendiam, lucravam, lucravam e lucravam com o homem que tudo comprava… Comprava isso e aquilo, queria ser mais, queria ter mais: carro, casa, móveis confortáveis, utilidades inúteis…

E o homem que tudo comprava acumulou bens e dívidas… Percebeu que não precisava de tantas coisas, então resolveu repartir com quem nada tinha… Repartiu tudo o que era e tudo o que possuía: Seus bens, seu automóvel, sua casa, seus alimentos, suas roupas… Só não repartiu as dívidas. E elas aumentavam assustadoramente… Mas o homem que tudo partilhava ainda tinha o nome limpo e começou a fazer empréstimos daqueles que tudo tinham, mas não repartiam sem que fosse devolvido com juros… E os banqueiros ficaram felizes, consignaram a dignidade do homem que tudo partilhava…

Então, o homem tinha dinheiro novamente e voltou a comprar, repartir, comprar de novo e partilhar novamente… Um ciclo sem fim de generosidade e dívidas…. Ele queria ser, ele queria ter, ele queria repartir…

Um dia, o homem que tudo partilhava ficou sem crédito, nome sujo, vida sofrida, dívidas e mais dívidas… Mesmo assim, não deixou de partilhar, fazia tudo o que podia para todos que não podiam, ou não queriam admitir que eram capazes… Continuou repartindo seus bens, seu conhecimento, sua vida… As dívidas, outra vez, não foram repartidas, pois ninguém quer dívida dos outros, mesmo que o outro seja quem o ajudou um dia… A vida dá voltas e, numa dessas voltas, o homem que tudo repartia ficou por baixo… Aqueles que tudo recebiam dele, ficaram por cima, pararam de ser favorecidos pelo homem que, agora, nada tinha…

O homem que tudo partilhava perdeu tudo, os bens, a dignidade e até a confiança. Só não perdeu o conhecimento adquirido no decorrer da vida… Neste momento, aqueles que tudo tinham, pois foram ajudados pelo homem que tudo partilhava, o condenaram… O acusaram de ser o culpado da própria desgraça, o questionaram, queriam saber o que ele fez com tudo o que tinha… O homem não sabia responder, pois os generosos, dificilmente lembram de seus feitos, isso é característica dos avarentos que sempre acham um modo de cobrar o pouco que fazem pelos outros…

Então ele voltou a ser um menino… Um menino sonhador, queria ter novamente, queria ser novamente… Seu coração queria voltar a ter para voltar a repartir, mas sua mente o ordenava a segurar tudo o que conquistasse para si… Mas o menino que um dia foi homem, não se deixou contaminar pela cobiça. Só queria poder fazer algo pelos mais próximos, queria poder voltar aos “bons tempos” em que vivia rodeado de amigos que usufruíam, despreocupadamente daquilo que tinha e daquilo que era… Mas ele já não tinha nada… Ele já não era mais nada… Era um menino que só caiu porque um dia subiu… Subiu de mãos dadas com os demais e, quando caiu, poucas mãos o tentaram segurar. Não tiveram forças. Sem querer, o deixaram despencar e se juntaram aos que o criticavam de forma cruel…

É fácil pisar em quem já está no chão… É fácil empurrar quem já está caído… É fácil condenar quem já sofre a condenação do sistema… O capitalismo que tanto o seduziu, agora o deixou na mão, cheio de boletos para pagar o conforto dos outros sem se importar com o fato de que ele não tem o básico para sobreviver… Aqueles que tudo vendiam já não o tratavam mais como cliente preferencial. Agora era um inadimplente, sua caixa de coreio e seu telefone sabiam muito bem disso, provaram o gosto amargo da falta de planejamento, da ação mais pelo coração que pela razão…

A sofreguidão o ensinou a ser de novo um menino… Voltou a sorrir… Custou, mas ergueu, com muito custo, a cabeça e a dignidade, decidiu lutar novamente para ter e ser, agora com uma grande diferença: Ele ainda tinha todo o conhecimento que ninguém conseguiu consignar nem roubar…

Era uma vez um menino que nada tinha, além daquilo que necessitava para sobreviver…

Márcio Roberto Goes

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O planeta em crise

  Por: Diessa Aparecida Faria

 

Muitas vezes para mantermos uma aparência boa na sociedade cada mês trocamos alguma coisa ou às vezes nem leva um mês.

Não imaginamos, o quanto destruímos o planeta cada vez que compramos um eletrônico. na compra de um produto jogamos o que já não tem valor, e ai vem a pergunta:- para onde o lixo que jogamos vai?- para um enorme buraco aonde toda essa toxina vai com ele. Com isso, contribuímos com o desmatamento. O lixo jogado, entretanto, ajuda na destruição do planeta. Analise assim!!

Temos algo velho jogamos e compramos algo novo que nos satisfaça, mas lembre! Cada vez que contribuímos para o capitalismo agredimos o ecossistema.

E isso vai refletir numa sociedade ano após ano. Você não precisa ficar com suas coisas velhas, mas reflita faça uma reciclagem não ajudará muito, mas com certeza você estará salvando muitas vidas…

  Aluna: Diessa Aparecida Faria

Escola: Wanda Krieguer Gomes

Série: 2º ano 01 matutino –  Ensino Médio

Caçador, SC

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Carta-resposta de um inadimplente

inadimplente
Fonte: www.google.com.br

Prezado credor;

Creio que vossa senhoria não me conheça, sou apenas mais um número nos seus registros de clientes, que foi lembrado quando resolveu me enviar a correspondência que agora respondo mui cordialmente.

O senhor me mandou uma carta, gastou papel, tinta e contribuiu para o desmatamento só para me dizer aquilo que já sei: sou um inadimplente. Recebi, na citada correspondência, a informação de que não consta em seus registros o pagamento de minha dívida… Óbvio, pois eu não paguei mesmo…

Venho pois, por meio desta, justificar minha inadimplência… Sou mais uma vítima da crise capitalista, que aliás, só atingiu realmente, os pobres, porque aquela pequena porcentagem da população, a qual o senhor pertence, que concentra a maioria esmagadora da renda deste país, teve prejuízos muito menores que os meus…

Ano passado, quando fechamos o contrato, meu salário era o dobro de hoje… O senhor pode alegar que também está em crise e que as vendas de seu estabelecimento diminuíram pela metade. Acredito e não ouso discordar de seus argumentos, mas quero deixar bem claro que a sua metade é infinitamente maior que a minha… Além disso, como no ano passado minha renda era razoável, tive que me explicar com o leão no começo deste ano, e precisei parcelar o imposto de renda em oito suaves prestações que resultaram numa enorme cratera em meu orçamento mensal… Mesmo assim, não nego minha dívida. E vossa senhoria que sonegou impostos ao me vender sem nota fiscal. Tudo o que recebi foi uma tripinha de papel com uma impressão horrível que já desapareceu, só restou a folha em branco com o timbre de sua empresa no verso…

Como se não bastasse, aquele banco que era nosso e agora virou um “BBB”, resolveu ressuscitar uma dívida que nem eu lembrava, para tomar mais uma preciosa parte de meus honorários mensais com a garantia de que eu teria o crédito liberado novamente… Mas não foi isso que aconteceu, acabei ficando com mais um boleto para pagar e uma tal de restrição interna… Fizeram isso porque sou proletariado, pois se fosse mais um empresário bem sucedido as custas de seus humildes funcionários, engravatado e de fala macia, com certeza teriam negociado mais generosamente comigo.

Na cordial e bem redigida carta a mim enviada, consta a informação de que se eu não regularizar o pagamento no prazo estipulado pela sua empresa, serão tomadas medidas legais, ou seja, cobrança jurídica terceirizada… Certamente minha caixa de correio vai receber mais uma correspondência, com um remetente intitulado “alguma coisa advogados”, ou “tal coisa capitalização”. Nomes de efeito assustador, mas que não mudam, em nada minha situação nem a sua, só contribui para inflamar ainda mais nossa relação comercial… Aliás, as medidas legais não foram lembradas quando houve sonegação de impostos e cobrança de taxa pela emissão do boleto, práticas que eu e você sabemos ser igualmente ilegais, aliás muito mais que minha dívida, da qual tenho total ciência… Mas também tenho conhecimento de minhas condições atuais.

Vossa senhoria pode estar em crise também, mas enquanto seu filho estiver dormindo confortavelmente, o meu chorará de fome se acaso eu optar por render-me às suas ameaças e pagar o que lhe devo imediata e preferencialmente… Sua crise, não lhe baixa o nível social, a minha está furtando silenciosamente a dignidade e a pouca qualidade de vida que ainda resta…

Por fim, se ao receber esta correspondência, por um milagre, minha dívida já estiver quitada, favor desconsiderar o conteúdo desesperadamente aqui escrito.

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Éramos felizes e não sabíamos

 “Nossa vida é uma caixinha de surpresas”: Já dizia o filósofo anônimo… Algumas surpresas são boas, outras nem tanto… Mas o ser humano, com o passar do tempo, aprende a lidar com as intempéries do cotidiano, contorná-las e até vencê-las quando se faz necessário.
 Porém, os clientes do Banco do Estado de Santa Catarina não vêm tendo muitas surpresas agradáveis ultimamente… Muito pelo contrário, todos os caminhos estão levando para o caos: Primeiramente, resolveram que nosso banco não tinha condições de manter-se sozinho, pois  grande parte do dinheiro ali aplicado expirou… sumiu… desintegrou-se… escafedeu-se… desapareceu.  Chamaram o Banco do Brasil para ajudar, a fim de não privatizar nosso amigo financeiro… E quando a gente pede ajuda a alguém mais poderoso, esse alguém se acha no direito de mandar e desmandar, visto que estamos devendo obrigação… É o capitalismo…
 Depois de algum tempo, nosso “banquinho querido” foi incorporado pelo financeiro de abrangência nacional… Até aí tudo bem, pois trata-se de duas instituições públicas e teoricamente a verba continua na mão do povo (será?…). Bem, segundo o dicionário Aurélio digital, incorporar, entre outros significados, é “reunir ou juntar num só corpo, conjunto ou estrutura”… Neste momento, já percebi que meu amigo estava com os dias contados. O maior problema é que muitos servidores públicos estaduais, estão pendurados até a goela por conta daqueles empréstimos consignados e agora têm seu salário dilacerado todo mês para pagar a dívida: Isso comprova aquela máxima que diz: “Pediu dinheiro emprestado a um amigo, perdeu o amigo”. Pois então, veio o gigante, incorporou nosso amigo e resolveu mudar as regras no meio do jogo, complicando de todo lado a vida do servidor, inventando restrições de todo jeito…
 E o pior é que, quando é preciso reclamar, deve-se reservar cerca de quatro horas do seu precioso tempo esperando para ser atendido e, muitas vezes, não ter seu problema resolvido. Falo isso por experiência própria, pois dia desses, esperei tanto tempo que seria possível ler “Os Sertões”  mais ou menos cinco vezes, e ao ser atendido não obtive resposta, ficando meu problema para ser solucionado no outro dia: Mais quatro horas de espera, mais estresse, mais gente descontente…
 E assim é a rotina de quem precisa do BESC, depois que foi incorporado… Aliás, o nosso banco teve morte cerebral e já não está mais entre nós… Não existe mais… partiu desta pra melhor… evaporou… desintegrou-se… escafedeu-se… expirou…  Com toda essa mudança, uma coisa é certa: O povo jamais foi consultado sobre o assunto, aliás, a população é a última a saber das mudanças. As grandes massas são tratadas com descaso em todos os aspectos por parte dos governantes… Mas eles (os governantes) esquecem que o poder que têm nas mãos foi dado pelo povo através do voto… É este povo que hoje sofre com a mutação, para pior, daquele que a meu ver era um dos melhores bancos de nossa cidade no quesito atendimento e respeito aos clientes… Éramos felizes e não sabíamos. Agora é só lamentar, ou partir para as soluções legais que nos são cabíveis, já que por bem parece não existir ouvidos para escutar os lamentos da população mais afetada negativamente com essas mudanças…
 Um minuto de silêncio pela morte do BESC…

Sentiremos saudades…

Descanse em paz…

Saudades eternas…
Assinado: o povo catarinense.

Márcio Roberto Goes
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