Aperte "Enter" para pular para o conteúdo

Tag: cão cachorro homo-sapiens

Cachorrada

Em época de aquecimento global, não podemos nos descuidar de algumas atitudes que ajudam a melhorar a qualidade de vida no planeta… Estamos todos “carecas” de saber que uma alternativa é fazer a coleta seletiva do lixo, a fim de que se recicle o que deve ser reciclado… Pois bem, parece-me que a maioria dos seres humanos ao meu redor não sabe disso, pois vejo no lixo deles, plásticos e papéis, mesclados com restos de comida e produtos químicos…

Não pensem o amigo leitor e a amiga leitora que eu ando fuçando o lixo dos outros, acontece que ele vem até mim, a cachorrada da rua se encarrega de transportá-lo até meu terreno… Eles sabem selecionar o lixo melhor do que as pessoas ao meu redor, pena que tiram o que é proveitoso aos caninos famintos e deixam o resto “perfumando e embelezando” meu jardim. Quem quiser comprovar, é só olhar as fotos aí em cima: Aquele é meu jardim, tá certo que não tenho cuidado dele como deveria ultimamente, mas lixo eu não jogo lá, principalmente lixo dos outros.

Existem aí dois problemas: O primeiro é a coleta precária de lixo que revela um descaso enorme com a população. Num sábado desses, passaram recolhendo o lixo perto das dez da manhã, daquele jeitão, reunindo os montinhos no meio da rua… Mas o caminhão de coleta só passou depois do meio dia e neste meio tempo precisei dar uma saída, foi o suficiente para a cachorrada degustar um almoço no meu salão de eventos caninos improvisado. Ao voltar, encontrei aquela bagunça e ninguém para se responsabilizar… Isso nem a prefeitura, nem a empresa terceirizada percebem, pois devem ter coisas mais importantes para se preocupar no centro da cidade…

O segundo é a própria cachorrada. Não sei nos outros bairros, mas no meu a situação está catastrófica, tem noites que não se dorme direito por conta das festas promovidas por eles no meio da rua e ninguém se responsabiliza. Será que estes animais não têm dono?… Será que não têm um lar?… Olha, tenho dois cachorros, gosto muito deles, aliás, gosto muito de qualquer cachorro, até já escrevi sobre as relações dos seres humanos com estes amiguinhos, mas meus bichinhos de estimação estão seguros de uma forma que não podem sair na rua incomodar o sossego alheio… Isso inclusive é crime. Cuido deles, procuro contribuir para dar uma vida confortável a eles e aos meus vizinhos. Penso que, a partir do momento que adotamos um animal de estimação, devemos cuidá-lo e amá-lo, afinal, é uma vida que está em nossas mãos, eles também são filhos de Deus…

Não tenho nenhum problema em receber qualquer pessoa ou animal na minha casa, mas não admito que tragam suas sujeiras domésticas até meu lar, sejam elas físicas ou morais… Já estou farto de gastar meus sacos de lixo com sujeira de seres humanos que não sabem cuidar de seus animais, e de um sistema que terceirizou a coleta, mas não ensinou a empresa que a população dos bairros também merece ser respeitada… Aliás, não só merece como tem este direito garantido na Constituição: “Todos são iguais perante a lei”…

Será que depois de trinta e cinco anos vivendo em um terreno aberto, vou começar a ter problemas com os cachorros que os tenho como amigos?… Será que depois de tanto tempo aberta para a vizinhança a qualquer hora, minha casa vai ter que ser cercada, por conta da sujeira mal distribuída da humanidade ao meu redor?…

Quando chegará o dia em que aprenderemos a separar o lixo do que é reciclável?… No dia em que começarmos a morrer por causa da poluição, já será tarde demais… Quando aprenderemos a cuidar dos nossos animais de estimação respeitando também as pessoas ao nosso redor?… Por fim, quando seremos racionais de verdade?…

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net
www.portalcacador.com.br
Jornal Informe – O diário Regional

1 Comentário

Relações homo-caninus

”Quem conheceu um amigo, jamais morrerá…”. Lembrei-me deste trecho de uma canção ao presenciar cenas envolvendo o melhor amigo do homem: o cão… No mesmo dia, encontrei dois cães atravessando duas ruas centrais de Caçador, obedecendo à faixa de pedestres e contrariando os humanos… Quando fiz auto-escola, descobri que pedestre é todo aquele que se move com as próprias pernas, o que comprova que um cachorro é um pedestre e deve portar-se como tal, portanto, nossos dois amigos caninos procederam corretamente.

O cão tem honrado, e muito, o título de melhor amigo do homem (motorista ou não), afinal, ele ama e protege aqueles que lhe dão comida, fato já comprovado cientificamente, além disso, pesquisas mostram que a companhia de um cachorro cura até depressão… Parece cômico pensar que uma doença ocasionada por problemas comportamentais humanos pode ser curada por um quadrúpede irracional que só vive para comer, defecar, urinar, latir e procurar um animal do sexo oposto para cruzar, aliás, neste último aspecto os caninos encontram muitos adeptos “homo sapiens” também.

O “homo caninus” (vamos chamá-lo assim pela grande amizade com o homo sapiens) só não fala porque não tem um maxilar com articulação suficiente, mas compreende melhor que muitos racionais a linguagem humana. Portanto, meu amigo, não se sinta ofendido ao ser chamado de cachorro, isso é um elogio, Quer alguns exemplos?…

O cão percebe quando seu dono não está bem, não pode aconselhar ninguém pelos motivos já citados, mas sabe aproximar-se de maneira a fazer entender que quer ajudar de alguma forma (poucos humanos são capazes desta proesa).

Relação Homo CaninusOs caninos não pensam no dinheiro, aliás, preferem ser vira-latas de donos pobres, que lhe ofereçam restos de comida boa, ao contrário dos cães de raça dos ricos que comem somente ração feita de farelo de osso de primeira qualidade, nada saborosa, que só os cães de raça comem, e têm muitos nutrientes para zelar da saúde do cachorro e deixar o pêlo mais forte e brilhoso, enquanto isso, o filho humano do João Ninguém, nada forte nem brilhoso, deve contentar-se com arroz de terceira e feijão (quando tem) e derivados do fubá puro que só filho de João Ninguém come…

Se você brigar ou bater num cão, mesmo sem motivos, ele não pensa duas vezes antes de perdoar, ou melhor, o cão não perdoa porque não condena (muitos seres humanos são rápidos para condenar e lerdos para perdoar).

O cachorro está com seu dono até o fim e nenhum obstáculo pode separá-los. Como acontece na obra de Machado de Assis, onde o professor Rubião recebe uma grande herança de seu amigo filósofo Quincas Borba, com uma condição: cuidar de seu cão que tem o mesmo nome do dono até que a morte os separe… A fortuna acaba, mas o cão não abandona seu novo dono que depois de uma desilusão amorosa fica louco e morre ao lado de Quincas Borba (o cão que não o condena jamais), coroando-se Napoleão III.

Resumindo, os cães, pedestres ou não, literários ou reais, brilhosos ou opacos, filósofos ou não, têm muito a nos ensinar sobre relações humanas, ou melhor, relações “homo caniunus” que de certa forma são mais humanas que as dos homo sapiens.

Deixe um comentário