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Tag: Caçador

Uma meia-água é uma residência. Muitas pessoas vivem assim e nem por isso são menos gente, nem por isso deixam de ter conforto e um lar feliz. Aliás, a felicidade não se mede pelo tamanho da casa, pela qualidade das paredes, forro, ou telhado… Para ser feliz é necessário sê-lo, simples assim, como diria meu amigo Facebook

Pois bem. Estou de casa nova; uma meia-água, com paredes de madeira, carentes de uma reforma já iniciada com minhas próprias mãos, pondo em prática os conhecimentos repassados a mim por um finado carpinteiro que eu chamo de pai… No caminho, obriguei-me a deixar metade dos móveis, visto que não caberiam numa residência de vinte e cinco metros quadrados…

Aprendi que quanto mais coisas temos, menos necessitamos delas, que aquilo que sobra para mim faz falta para outra pessoa e, sobretudo, que a generosidade é a mais importante qualidade dos seres humanos… Fui generoso com muita gente doando os móveis que, aparentemente, me sobraram e muitas pessoas foram extremamente generosas comigo: Ganhei um jogo de cozinha de tamanho proporcional à minha nova casa, o meu ficou na casa antiga para ajudar outra pessoa, tive a ajuda incondicional da companheira para todas as horas, a namorada mais maravilhosa do mundo, minha polaquinha e escritora preferida: a Bruninha que não se importa em arregaçar as mangas, cerrar e pregar comigo… Sofreu até um acidente, acrescentando um coágulo de sangue a seu polegar da mão esquerda por conta de um vento que bateu no prego fazendo-a errar a martelada…

Outras pessoas também foram solícitas doando a mão de obra: O Paulinho que ajudou no assoalho e o Max na retirada de entulhos… Recebi muita ajuda num dos momentos mais importantes da minha vida: Finalmente, a casa própria… Uma meia-água, mas é própria. O meu aluguel “deixou a vida para entrar para a história”*… Agora posso bater no peito e dizer: Este lugar é meu! Devo explorá-lo do jeito que quiser, fazer o que bem entender sem me importar com nenhum locador chato e irritante pedindo meu dinheiro a cada fim de mês… Perdão, leitor! De repente me encarnou o espírito capitalista… Deus que me perdoe!… Na verdade, com exceção de um, não tenho queixa dos proprietários das quatro casas onde morei nestes três anos de aluguel…

Depois de trinta e cinco anos, após perder pai e mãe, um jovem resolve abandonar a casa de seus pais falecidos para que todos os cinco irmãos estejam em igualdade de condições para receber a herança. Inicia-se então um longo processo de inventário e o filho derradeiro fica por três anos pagando aluguel até que a vida lhe proporciona uma oportunidade única de ter a casa própria no bairro Martello escolhido por ele para firmar residência e construir uma vida feliz…

Prazer! Este jovem sou eu e depois de tanto tempo, conquisto o sonho de muitos brasileiros: a casa própria… E não precisei de nenhum programa de financiamento, apesar de acertar o pagamento em suaves prestações… Lembrei-me das olimpíadas da Língua Portuguesa com o tema: “o lugar onde vivo”… Vivo num lugar maravilhoso: vinte e cinco metros quadrados num terreno que fica no maior bairro da cidade, cheio de amores e desamores, tempos e contratempos, qualidades e defeitos inerentes a qualquer outro. Mas é o melhor lugar do mundo, só pelo fato de ser o meu lugar…

*Frase do presidente Getulio Vargas na sua carta de despedida antes do suicídio.

Márcio Roberto Goes

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Definido pré-candidato a deputado federal pelo PcdoB Caçador

 

No último sábado, 24 de abril de 2010, reuniram-se a executiva do PCdoB Caçador, filiados e simpatizantes para discutirem e analisarem a atual conjuntura política nacional e estadual, além de traçar o campo de ação para as eleições 2010. Com a presença do pré-candidato a deputado estadual Cezar Valduga, ex-vereador de Chapecó, foram feitas algumas análises e possíveis alianças para o pleito que se aproxima, além de se confirmar a pré candidatura do professor Márcio Roberto Goes para deputado federal, sendo o único representante caçadorense nestas eleições para este cargo, até então…

Confirmando o apoio a Dilma Rousseff para presidente e a Ideli Salvati para o governo do estado, os pré candidatos colocaram-se a disposição do partido e uma vez confirmadas suas candidaturas trabalharão para o fortalecimento das lutas populares no meio-oeste catarinense, buscando a eleição de representantes na assembleia legislativa de Santa Catarina e no Congresso Nacional.

Para o pré candidato a deputado federal, Márcio Goes, “é preciso darmos continuidade aos avanços conquistados pelo governo Lula. Muita coisa ainda precisa ser feita para melhorar a vida do povo brasileiro. A base da mudança está nas leis, torna-se necessário melhorá-las e, se for preciso, mudá-las, para tanto necessita-se de uma renovação no legislativo, por isso nos colocamos a disposição para defender os ideais das lutas populares nos legislativos estadual e federal…”

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Cachorrada

Em época de aquecimento global, não podemos nos descuidar de algumas atitudes que ajudam a melhorar a qualidade de vida no planeta… Estamos todos “carecas” de saber que uma alternativa é fazer a coleta seletiva do lixo, a fim de que se recicle o que deve ser reciclado… Pois bem, parece-me que a maioria dos seres humanos ao meu redor não sabe disso, pois vejo no lixo deles, plásticos e papéis, mesclados com restos de comida e produtos químicos…

Não pensem o amigo leitor e a amiga leitora que eu ando fuçando o lixo dos outros, acontece que ele vem até mim, a cachorrada da rua se encarrega de transportá-lo até meu terreno… Eles sabem selecionar o lixo melhor do que as pessoas ao meu redor, pena que tiram o que é proveitoso aos caninos famintos e deixam o resto “perfumando e embelezando” meu jardim. Quem quiser comprovar, é só olhar as fotos aí em cima: Aquele é meu jardim, tá certo que não tenho cuidado dele como deveria ultimamente, mas lixo eu não jogo lá, principalmente lixo dos outros.

Existem aí dois problemas: O primeiro é a coleta precária de lixo que revela um descaso enorme com a população. Num sábado desses, passaram recolhendo o lixo perto das dez da manhã, daquele jeitão, reunindo os montinhos no meio da rua… Mas o caminhão de coleta só passou depois do meio dia e neste meio tempo precisei dar uma saída, foi o suficiente para a cachorrada degustar um almoço no meu salão de eventos caninos improvisado. Ao voltar, encontrei aquela bagunça e ninguém para se responsabilizar… Isso nem a prefeitura, nem a empresa terceirizada percebem, pois devem ter coisas mais importantes para se preocupar no centro da cidade…

O segundo é a própria cachorrada. Não sei nos outros bairros, mas no meu a situação está catastrófica, tem noites que não se dorme direito por conta das festas promovidas por eles no meio da rua e ninguém se responsabiliza. Será que estes animais não têm dono?… Será que não têm um lar?… Olha, tenho dois cachorros, gosto muito deles, aliás, gosto muito de qualquer cachorro, até já escrevi sobre as relações dos seres humanos com estes amiguinhos, mas meus bichinhos de estimação estão seguros de uma forma que não podem sair na rua incomodar o sossego alheio… Isso inclusive é crime. Cuido deles, procuro contribuir para dar uma vida confortável a eles e aos meus vizinhos. Penso que, a partir do momento que adotamos um animal de estimação, devemos cuidá-lo e amá-lo, afinal, é uma vida que está em nossas mãos, eles também são filhos de Deus…

Não tenho nenhum problema em receber qualquer pessoa ou animal na minha casa, mas não admito que tragam suas sujeiras domésticas até meu lar, sejam elas físicas ou morais… Já estou farto de gastar meus sacos de lixo com sujeira de seres humanos que não sabem cuidar de seus animais, e de um sistema que terceirizou a coleta, mas não ensinou a empresa que a população dos bairros também merece ser respeitada… Aliás, não só merece como tem este direito garantido na Constituição: “Todos são iguais perante a lei”…

Será que depois de trinta e cinco anos vivendo em um terreno aberto, vou começar a ter problemas com os cachorros que os tenho como amigos?… Será que depois de tanto tempo aberta para a vizinhança a qualquer hora, minha casa vai ter que ser cercada, por conta da sujeira mal distribuída da humanidade ao meu redor?…

Quando chegará o dia em que aprenderemos a separar o lixo do que é reciclável?… No dia em que começarmos a morrer por causa da poluição, já será tarde demais… Quando aprenderemos a cuidar dos nossos animais de estimação respeitando também as pessoas ao nosso redor?… Por fim, quando seremos racionais de verdade?…

Márcio Roberto Goes

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Jornal Informe – O diário Regional

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Mobilização

O texto a seguir é resultado da vontade de alunos e professores de uma das maiores escolas públicas estaduais de Caçador de mudar a realidade absurda em que se encontra…

Há três anos que vivemos um constante descaso com a qualidade de ensino e a segurança de alunos e funcionários…

Já presenciamos ameaças, agressões a professores e funcionários e até uma bala perdida na área administrativa… Por várias vezes conversamos com as autoridades responsáveis e a resposta sempre é a mesma: “Estamos tomando providências”… No entanto tudo está do mesmo jeito. Não temos segurança, os portões já foram arrombados e os muros não medem mais que um metro e meio de altura. Recentemente um professor foi ameaçado de morte por alguns elementos ( não são alunos) armados. Não cabe a nós “arriscar o Pelo” pela segurança da escola…

Afinal, o que falta acontecer para que se tome uma providência???

POrque parece que tudo é tão complicado para se resolver, quando se trata de escola pública???

Por quanto tempo ainda vão nos enrolar???

Queremos uma solução já!!! Não é amanhã, nem depois… É já!!!

Nossa vida não pode mais ficar exposta a tanto descaso…

As palavras a seguir são de uma equipe que ama sua escola e está indignada com este descaso…

 

“Convidamos a todos os professores, alunos e demais funcionários da Escola de Educação Básica Wanda Krieger Gomes, bem como seus familiares, comunidade em geral e imprensa, para uma mobilização a fim de alertar as autoridades competentes para a urgência de uma solução para a segurança em nossa escola, a realizar-se nesta segunda-feira, 17/11/2008 as 19h.00min em frente à escola.
Nossa luta é pela garantia da integridade física de alunos, profesores e funcionários da, visto que já estamos fartos de enviar ofícios e mais ofícios para as autoridades que sempre dizem que estão tomando providências, mas até agora não vimos resultado nenhum. Constantemente nossa escola é invadida por pessoas que não são alunos e chegam a ameaçar  verbalmente professores e funcionários…
Vamos dar um BASTA nesta situação.
Segunda-feira em frente a escola, as 19h.00min.
Junte-se a nós nesta luta!”

 
 
Ass: Alunos e professores da EEB Wanda Krieger Gomes
Caçador- SC

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Minha Terra (resumão 2006)

Você precisa conhecer a minha terra…

Na minha terra tem gente com o pé torcido ou com os pneus e rodas do carro danificados pelos “Buracossaulos Rex” de plantão, que por mais que o monstro “Tapa-buracos” tente, não consegue exterminar. Mas na beira do rio e nas ruas centrais, onde é possível encontrar uma senhora maltrapilha e abandonada esvaziando sua bexiga no banco de um ponto de ônibus qualquer, comendo uma deliciosa bolacha recheada, não é possível encontrar esses Buracossaulos maldosos e desumanos que gostam de destruir os mais pobres dos bairros…

Na minha terra, existe um bêbado que tem o direito, igual ao conveniado, de ser atendido no pronto-socorro, antes de qualquer outra emergência, e ao sair de lá dirige-se para a delegacia retirar queixa de seu próprio desaparecimento… Queixa também é o que faz a menina de dezessete anos, com uma criança nos braços, ao PROCON, sobre um aparelho de som temperamental que só funciona na loja. Talvez ele tenha algo contra sua casa…

Na minha terra tem uma escola com nome de tribo de índio, que recebe um escritor iniciante com honras de artista, reconhecendo a beleza e a importância da Literatura na vida das pessoas…

Tem outra escola chamada “Esperança”, que ajuda os mais humildes e desesperados, num bairro esquecido, sendo obrigada a fazer o trabalho que, na verdade seria das autoridades eleitas com fala bonita e enganosa…

No mesmo bairro, encontramos uma escola de primeiro mundo, da cor de um pimentão gigante, cuja equipe faz “das tripas o coração”, para mantê-la em quase perfeito funcionamento, e igual a todas as outras do oeste, é obrigada a cumprir os duzentos dias “letivos”, mesmo que para isso tenha que celebrar a ceia de Natal na sala de aula, enquanto lá embaixo, pertinho do mar, a educação pára na temporada de verão…

Na minha terra, descobre-se, quase no final do ano, que existem contratados demais na educação e na saúde pública, e que os efetivos devem voltar ao trabalho, deixando os temporários na rua da amargura (Aliás, será que a rua da amargura já foi restaurada?… Se fica no centro, creio que sim!…) Tem profissionais da saúde, que deixam o dente do João dos Sonhos Azuis, com duas cores diferentes, por conta da “restauração perfeita” , fazendo greve para não cumprir horário (Justiça seja feita: é desgastante lidar com o povo, principalmente quando a consulta não é supervalorizada…)

Na minha terra tem fazendeiro maluco que pede DNA de bezerro, filho de vaca que fugiu de casa, para certificar-se de que o filhote é seu mesmo… Tem outro maluco e lesado (Certamente usa colete, afinal, todo anormal usa colete…), que destrói uma árvore, sem dó nem piedade, para proteger seu muro que acaba caindo também… Tem outro anormal, de colete vermelho, que coloca um esqueleto no carro e sai passear pelas ruas “bem bicudo” acenando e assustando o povo…

Por fim, na minha terra pode-se ver, pela televisão, o enforcamento de um ditador, com imagens gravadas de um telefone celular (perfeita união do arcaico com o moderno)… Além disso, tem um projeto de escritor desequilibrado, usuário de colete, que escreve “atraZado” com “Z” e ainda reclama dizendo que “herar é omano”, desta forma, tentando, no auge de sua loucura, defender e respeitar as diferenças linguísticas da minha amada e querida terra.

Você precisa conhecer a minha terra… Seja bem vindo!

Márcio Roberto Goes
Seu conterrâneo

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