Press "Enter" to skip to content

Tag: bancos

“BBB” financeiro

 É estranho quando percebemos que o mundo inteiro tenta nos agradar só por interesse. Se pararmos para pensar, veremos que tudo gira em torno do lucro. Um funcionário só serve para a empresa enquanto dá lucro, a partir do momento em que, para mantê-lo, é preciso diminuir a margem de lucro, este funcionário é desumanamente dispensado, pois não é um ser humano aos olhos dos donos do capital: trata-se apenas de um bem de sua empresa, que pode ser descartado a qualquer momento.
 No comércio, tratam-se os seres humanos como clientes, o que não é de todo mal, pois pelo menos existe um certo esforço em manter relações, desde que não exista nenhuma restrição em seu CPF, é claro, pois os números se tornam mais importantes que a própria pessoa conforme passa o tempo. Neste âmbito, podemos destacar os bancos que lutam para manter seus clientes, oferecendo prazos e condições diferenciadas para atendê-los da melhor forma possível e oferecendo-lhes um pseudo conforto financeiro… Na verdade os únicos confortáveis financeiramente ainda são os banqueiros, que têm o dinheiro na mão. E o mais incrível é que, ao ver o comercial de vários bancos públicos e privados na TV, nota-se que todos dizem ter as melhores taxas…
 Pois bem… Havia um banco público estadual em Caçador: O “B”, onde os funcionários públicos estaduais se dirigiam alegremente, todo fim de mês para receber seus salários. Era um banco muito bom, atendimento diferenciado, os funcionários ouviam os clientes com atenção e esforçavam-se o máximo para que o correntista levantasse daquela cadeira feliz, ou pelo menos com um orçamento um pouco mais aliviado. Por conta disso, abusou-se dos empréstimos consignados e financiamentos em geral… De qualquer forma, alguém que fosse conversar com qualquer dos gerentes, com problemas financeiros, era ouvido e atendido dentro do possível, aliás, o gerente conhecia a maioria dos clientes e seus problemas, portanto, sabia também as soluções…
 E eis que um banco de âmbito nacional,  o “BB”, resolve fazer parte deste relacionamento, com o consentimento do “B”, é claro… Mas o jeito “BB”, não é o jeito “B” de ser, então, muita coisa mudou. Primeiro, jogaram o gerente lá pra cima para atender só empresas, afastando-o da prole e para conversar com ele é preciso passar por uma meia dúzia de pessoas. Em seguida, as autoridades resolveram diminuir a margem consignável dos funcionários públicos… Tudo estaria normal, se não fosse o fato de resolvessem aplicar as novas regras nos empréstimos em andamento. Resultado: o “cara” que tinha um empréstimo consignado em andamento, com a margem em folha diminuída, tem descontado a diferença na conta corrente e ao pedir socorro não encontra ajuda, pois agora quem manda no “B” é o “BB”… O endividado fala com o “BB” e o “BB” manda de volta ao “B” e ninguém resolve.
 Para completar, agora é preciso fazer um novo cartão: o cartão BBB, que doravante vai fazer parte da vida dos correntistas do “B”. Aliás, não existe mais o “B”, agora é “BBB”… Em alguns cartazes na agência local, lê-se o seguinte: “O banco dos catarinenses”, com aquelas cores, letras e logotipo do “BB”. Parece que vamos ter uma relação parecida com a das empresas em geral, pois aqueles que não dão lucro ao banco, ou seja, que têm margem negativa, são discriminados e têm um atendimento diferenciado, com uma resposta que já virou rotina: “Não podemos fazer nada!”. A pequena e única coisa boa nisso tudo é que se trata de dois bancos públicos, pelo menos não estamos investindo em capital estrangeiro… Assim espero…
 Este é o BBB financeiro… Transformou as relações com os clientes num jogo cruel e desumano, onde aqueles que não se enquadram nas normas da casa são eliminados e aqueles que ficam, podem ganhar muito dinheiro, com um detalhe: Só ganha quem já tem, quem não tem, deve repartir miséria…

Márcio Roberto Goes
http://www.portalcacador.com.br/

http://www.cacador.net

2 Comments