Press "Enter" to skip to content

Tag: álcool gel

A solidão do álcool gel

 

 

A solidão é o pior dos sentimentos… Assola a alma e o coração de qualquer ser humano, ou não, animado, ou inanimado, ativo, ou inerte, útil, ou inútil…

Em agosto do ano passado, vivenciei a extrema valorização de um produto quase em desuso por pessoas normais… O tal do álcool gel. Todo mundo tratou de se prevenir e adquirir seu potinho para fazer a higienização das mãos, por conta do tal H1N1. Dispensaram-se as aulas, proibiram-se os abraços e aglomerações em locais fechados, difundiu-se, mais do que nunca, a importância da higiene pessoal para nós e para as pessoas que nos rodeiam… E durante todo este tempo e em todos os lugares, lá estava ele: o álcool gel, seja em potinho, um frasco parafusado na parede, ou em embalagens menores que cabem no bolso e na bolsa…

Passado o perigo, voltamos a nos abraçar, nos aglomerar, espirrar e tossir sem medo… E o pobre do miserável do álcool gel foi esquecido, abandonado, deixado de lado… Já não tem mais tanta importância, já não vale mais a pena aderir a prevenção e a higiene…

Pobre álcool gel! Agora é só mais um artigo abandonado nas prateleiras das farmácias e supermercados… De vez em quando lembrado e visitado pelo espanador… Às vezes, alguém o pega na mão, sente o calor humano momentaneamente, mas é subitamente devolvido, pois existem outros artigos de maior importância a serem comprados… Não existe mais perigo, não é mais importante usá-lo na limpeza das mãos…

Mas o perigo está prestes a voltar, por isso já fui vacinado, passei um dia amuado, com sono por conta da reação que, segundo o que se divulga, é leve… Sendo assim, não quero conhecer a reação pesada, já que não conseguia manter meus olhos abertos durante os dois dias fatídicos seguintes à agulhada no glúteo… Mas valeu a pena… Estou imune, não corro mais o risco de ser contaminado pelo vírus da gripe suína que, na verdade, não tem nada a ver com porco… Aliás, o nome faz sentido, já que um dos fatores de risco é a falta de higiene e, teoricamente a metáfora faz sentido…

Porém, sou ultra-prevenido e já providenciei álcool gel a fim de imunizar também as pessoas ao meu redor numa possível volta do vírus… Mas eu sozinho não posso garantir a sobrevivência da espécie dos “álcool-gelicus”, portanto, quero conclamar a todos para me ajudarem a livrar da extinção esta importante espécie criada pelos cientistas, da mesma forma que foi criada, acidentalmente ou não, a própria influenza A, o HIV e tantas outras doenças do mundo moderno…

Por favor, não deixem o pobre potinho perecer… Será que ninguém se comove ao ver o miseravinho abandonado num canto escuro das lojas, supermercados e repartições públicas?… Será que ninguém vai acordar para a importância de salvar o álcool gel da extinção?

Será que vamos nos render novamente ao sistema que diz que tudo o que cai em desuso deve ser descartado?… Isso se faz com objetos, animais e até seres humanos, por conta de atos desumanos dos seus semelhantes que se julgam melhores só porque têm mais dinheiro ou detêm os meios de produção…

Parece estranho, mas não é… Tudo o que não serve aos poderosos deve cair na obsolescência… é natural que isso aconteça também com o pobrezinho do álcool gel…

Mas ele voltará, assim que os “grandes” acharem necessário…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe – O diário Regional

Leave a Comment