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Tag: água

O que pagamos?

coronelezequielnoticias.blogspot.com
Fonte: coronelezequielnoticias.blogspot.com

 

– Alô! É da Companhia de Água e Saneamento?

 

– Sim! Em que posso ajudar?

– Eu queria uma informação…

– Pois não?

– Tem certeza que pode me informar corretamente, moça?

– Claro que sim… Estou aqui para isso…

– Acho que você não poderá responder. Até agora ninguém conseguiu…

– Pergunte! Se for possível eu te ajudo…

– Pois bem. A pergunta é a seguinte: O que é que eu estou pagando nesta fatura mensal que recebo na minha caixa de correios?

– É evidente que, conforme especificado na fatura, o senhor está pagando pelo abastecimento de água…

– Tem certeza?

– Claro que sim! O senhor tem um contrato com a empresa que fornece água, é natural que se pague pela água fornecida…

– Tenho minhas dúvidas…

– Não entendi, senhor…

– Todos os dias falta água no meu bairro… seria natural que eu pagasse menos pelo serviço, no entanto, a fatura é a mesma…

– Existe uma taxa mínima a ser paga senhor…

– Entendo. Posso fazer outra pergunta?

– Pois não!

– Se eu atrasar o pagamento, o que acontece?

– Em trinta dias será suspenso o abastecimento em sua residência…

– O que não muda muita coisa, pois quase nunca tem água nas torneiras da minha casa… Mas, me permita mais uma pergunta…

– Pode perguntar, senhor.

– Se eu tiver um consumo acima da média estipulada pela taxa, eu pago mais por isso. Certo?

– Com certeza, senhor!

– E se eu consumir a menos?

– Paga somente a taxa, senhor…

– E se eu não consumir nada?

– Paga a taxa…

– Nos dias em que não tem água, esta falta de abastecimento é descontada da fatura?

– Não, senhor…

– No caso, falta água quase todo dia no meu bairro, que é o maior da cidade… Volto a minha primeira pergunta: O que é que eu estou pagando? Pois água não é…

 

– Infelizmente, não posso ajudar senhor. A Companhia de água e saneamento agradece a sua ligação…

– Obrigado por não poder me ajudar, senhorita…

 

Márcio Roberto Goes
www.portalcacador.com.br

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www.portalcdr.com.br

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Líquido Precioso

Líquido Precioso

Publicado em:
09/05/2008 – www.cacador.net
10/05/2008 – JORNAL INFORME

No início desta semana, cheguei em casa para o almoço que consistia num simples “requento” de ontem, assoviando uma canção qualquer, não me recordo se era do Roberto Carlos, Chitãozinho e Chororó, ou do Jota Quest (sou um sujeito eclético), quando abro a torneira para lavar as mãos… Eis a desagradabilíssima surpresa: Dali, não saía nada mais que vento…. Só vento… Xinguei aquela torneira e a CASAN, fazendo uso de todas as palavras desagradáveis que se tem conhecimento (ainda bem que a torneira não tem ouvidos), mas me virei com a água que ainda tinha nas chaleiras… Quem mandou não investir numa caixa d’água: meu problema estaria resolvido e talvez eu nem teria percebido que havia faltado água na minha rua.

À tarde, voltei para minha residência oficial de outono, inverno, primavera e verão, com a cabeça que era só tomar banho, a fim de renovar o “cheiro” e as forças para as cinco aulas que eu teria ainda que ministrar à noite, porém, meu chuveiro me deu a mesma resposta desaforada da torneira, parecendo rir de minha “desgraça” e ouviu os mesmos adjetivos desagradáveis proferidos pela minha pessoa que no momento esqueceu-se da cultura e da educação penosamente ensinada por meus pais…

Na mesma hora ocorreu-me a idéia de ligar para o plantão da CASAN, com o intuito de esclarecer o que estava acontecendo: Lá fui eu, cego de cólera, rumo ao telefone, com cinco pedras em cada mão, preparado para o ataque, afinal a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento era a responsável pelo fracasso do meu almoço e a minha falta de higiene naquele dia, devendo ser penalizada por isso… Ou seja, como qualquer ser humano, procurei logo um culpado para meu dia frustrante.

“Caí do cavalo” quando o atendente de plantão usou da maior boa educação para me explicar o seguinte: Havia um problema nos reservatórios de água (não me pergunte exatamente qual, porque eu não saberia explicar), de modo que o abastecimento de água de nossa cidade estava funcionando, arriscadamente, com apenas vinte por cento da capacidade normal, e para que não houvesse uma pane geral (uma espécie de apagão da água), era necessário um revezamento, de modo que a cada dia uma região da cidade precisava ficar sem água para que o restante da população pudesse ser contemplada com o líquido precioso… Ou seja, para garantir o abastecimento, era necessário partilhar do pouco que ainda era possível oferecer, até que o problema fosse resolvido.

Desculpei-me do atendente e fiquei a pensar na minha imensa ignorância que me fez despertar todo tipo de indignação, pelo simples fato de eu ter passado um único dia sem ler jornais, nem ouvir rádio. Percebi que eu não era o único habitante da minha cidade a passar por aquela situação, como também não era o único a pensar que os meus interesses pessoais deveriam ser resolvidos com urgência, esquecendo-me que o meu dia de abstinência de água ajudaria a garantir o abastecimento de toda uma população.

Ainda bem que despertei a tempo, mas sei que uma grande parcela da população ainda não está habituada a repartir e tenta resolver seu “mundinho” não se importando com o bem comum… E por incrível que pareça, esta avareza encontra-se, principalmente na mão dos “poderosos”, que tentam arrumar a vida sua e dos seus “amiguinhos”, esquecendo-se do povo que lhes confiou o poder através do voto, além do mais, acham-se poderosos o suficiente para não partilhar, com este mesmo povo, o direito de beber da melhor água (…suja…) do capitalismo.

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