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Sonho que se sonha junto

Tudo pronto! A sede campestre reservada, o torneio realizado, dinheiro arrecadado… Os salgadinhos e o bolo encomendados, a carne temperada, a salada e a maionese prontas para o preparo… Os professores, direção e funcionários, todos convidados e informados de todos os detalhes do evento… Mas um deles não deveria saber antes da hora: o homenageado. Para garantir sua presença, encarregaram-no de levar alguns alunos até o local do evento…

 
O professor foi buscá-los um a um em suas casas, parou em frente à escola par acertar os detalhes e atravessou a cidade em busca do desconhecido… Chegaram! Parecia tudo normal: Os churrasqueiros preparando o fogo, as mulheres encarregadas da salada, a Keli lavando as folhas de alface na mangueira que derramava água na valetinha em direção ao riacho… “Precisam de alguma ajuda?” Perguntou ele, solidário… “Não! A gente se vira…” (Um homenageado, mesmo ingênuo no processo, normalmente não trabalha no evento em sua homenagem)…

 
Pois bem, este que vos escreve ficou ora sentado vendo o jogo de futebol através do alambrado, ora conversando com o povo presente e tomando um refrigerante… Até que descobriu uma rede de dormir e tirou uma soneca… De vagarinho, os outros convidados foram chegando e se abancando, contando causos, molhando a goela e acompanhando os preparativos.

 
Hora do almoço. Tudo normal, xixo, pão, salada, galeto e maionese: tudo carinhosamente preparado pelos alunos e familiares que “mataram a pau” no quesito organização. Comemos e bebemos (refrigerante, é claro) e nos alegramos na presença de pessoas tão queridas e generosas…
“Vamos até lá atrás ver e fotografar os pés de guabiroba?”… Perguntava alguém, então fomos eu, alguns alunos e duas professoras “fazer hora” no meio do mato (No bom sentido, é claro!). Pisamos nas grimpas, atravessamos um riacho, atolei o pé na lama, fizemos fotos em vários lugares e as guabirobas foram esquecidas… Este professor meia-boca então voltou ao local do evento, sem noção, desligado, ingênuo, como  se diz em espanhol: plomo! Acompanhado de alguns alunos, uma professora conterrânea e outra baiana: todos cúmplices descarados…

 
Na chegada, fui recebido com a canção “Parabéns a você”. Momento emocionante por si. Ao se aproximar, este funesto escritor avista na mesa de tábua bruta um bolo com as palavras “Parabéns professor Márcio”… Não tem quem não se emocione num momento desses, mesmo que seja um dia depois do aniversário… Mas a emoção maior ficou por conta da revelação de que todos aqueles eventos, desde o torneio para angariar fundos, o almoço, os salgadinhos e o bolo,  haviam sido produzidos com um único propósito: homenagear o professor pela passagem do seu aniversário e declarar publicamente o apoio mútuo ao seu jeitão meio polêmico de trabalhar em sala e lidar com as pessoas ao seu redor…

 
Ou seja, meus sonhos para a escola pública, são os mesmos de todo aquele povo que estava presente, revelados através de uma magnífica homenagem surpresa por conta dos meus trinta e oito anos vividos a maioria na rede pública de ensino, seja como aluno, ou como professor…
Para completar minha surpresa profética, a Dani me presenteia com um livro intitulado: “Nunca desista de seus sonhos”, de Augusto Cury… Pois é, com tantas surpresas e sinais só posso chegar a uma conclusão: Meus sonhos não são só meus, fato que é um pé na realidade… Acho que estou no caminho certo…

 

 

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br

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