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Reticências

 

 

… Alguém já pensou começar um texto assim…? Com reticências?…

Eu já… Aliás, as reticências são uma constante nos meus escritos… Elas são minha salvação quando não consigo concluir uma ideia, quando preciso seguir o pensamento e me faltam palavras, quando tenho a intenção de fazer o leitor continuar pensando e analisando o assunto, ou para ficar bonitinho mesmo… Eu acho que fica… Será?…

A exclamação indica surpresa, admiração, grito, raiva, espanto… Portanto é muito seletiva… Um sinal de pontuação com capacidade limitada. Não me serve para expressar o que sinto agora… Céus!…

A interrogação vem de dentro, do íntimo: Inter-rogar é rogar algo lá do âmago, do fundo dos pensamentos e do coração. É pedir, perguntar, indagar… Também não tem serventia quando a liberdade de expressão se torna uma necessidade maior que a dúvida… Não acha?

Os dois pontos servem só para dizer que, depois deles, haverá uma explicação de algo que já foi citado. Ou seja, é um sinal quase redundante, pleonásmico: algo que expressa uma repetição, intencional, ou não…

Portanto, estes três pontinhos chamados reticências funcionam como um curinga, nos salvando nos momentos mais absurdos e perigosos das produções de texto. Penso que sejam a mais completa expressão do nada e do tudo ao mesmo tempo… E mesmo assim não merecem uma tecla exclusiva: para construí-lo, é necessário digitar três vezes o ponto final…

Penso que as reticências sejam um bom exemplo do que é a vida… Não temos exclusividade no teclado da existência humana, precisamos nos construir a cada dia, buscar e arriscar novas combinações e, quando encontramos a combinação perfeita, devemos aproveitá-la, mas não é um ponto final, nem uma vírgula. Não há tempo para paradas, a não ser com o intuito de rever as combinações e procurar aprimorá-las… Afinal, a vida continua e sempre encontraremos novas reticências que nos farão continuar mesmo quando parecer o fim…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

www.portalcacador.com.br

www.cacador.net

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