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Plateia

Neste momento, meu computador está conectado a um projetor multimídia e, pela primeira vez, estou escrevendo com plateia… Incrível! Mesmo escrevendo, fico constrangido pelo fato de outras pessoas estarem vendo em tempo real…

Mas, enfim, estou na sala de aula, melhor lugar do mundo para se conhecer pessoas e onde me sinto a vontade para divulgar minha modesta obra e descobrir novos talentos para a escrita, música e tantas outras artes que nos tornam seres mais humanos…

Acabamos de ler um pouco da obra de Fernando Sabino, nos emocionamos com “A última crônica”: Assim eu quereria a minha, diante de meus queridos e amados alunos de ensino médio integral…

A sala está compenetrada, cada um produzindo a sua própria crônica para, em breve ser analisada por mim… Eles não sabem (Agora ficarão sabendo), que eu me sinto muito inseguro ao corrigir seus textos, pois tenho medo de cometer injustiças: a gramática é irrelevante em alguns aspectos, mas a ideia conta muito, a sequência narrativa, a construção frasal e a paragrafação. Mesmo assim, nunca será possível avaliar com perfeição um texto de outrem, pois sempre prevalecerá a visão de quem está corrigindo…

Sempre digo a meus alunos para escreverem com o coração, mas a minha correção deve ser feita pela razão e não pelas emoções, do contrário, corro o risco de fazer prevalecer meu ponto de vista e meus gostos, fato que pode abortar as maravilhosas ideias que germinam na mente e no coração de cada estudante… Mas é quase impossível esquecer as emoções ao revisar textos de ensino médio. É inevitável a exposição da opinião filosófica de quem está encarregado de avaliar… Como fazer então? A única forma é tentar se colocar no lugar do aluno, ler com os olhos e o coração dele o seu texto. Mesmo assim, trata-se de algo vulnerável a erros gravíssimos na correção…

De vez em quando, um aluno curioso vem ver o que estou escrevendo na telinha do notebook… Não entendo a razão, pois tudo está escancarado lá no telão para que todos os presentes possam ler. Deve ser curiosidade mesmo. O curioso tem que ver tudo de perto e, se possível apalpar…

Enfim, com algumas interrupções para ler um e outro texto de meus escritores juvenis, pedidos para ir ao banheiro e outras circunstâncias que só se vê em sala de aula, concluo esta crônica… Penso que a vida é assim: Quando temos uma plateia, nos comportamos de forma diferente do normal, mas quando não estamos sendo observados, somos autênticos… Só não sabia que isso acontecia também com os escritores medianos como eu…

 

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