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Palavras que provocam

Depois de “O grande condutor”, lá se vão seis anos de publicações semanais nos jornais impressos e sites de notícias caçadorenses, além do meu blog… Por conta disso, nunca ganhei dinheiro, só o reconhecimento do público em inúmeros e-mails, mensagens, recados e até conversas ao vivo, nas ruas, supermercados e comércio em geral, além, é claro dos maravilhosos testemunhos de meus alunos…

Quando sou derrubado pelo abraço de um estudante, isso se transforma em crônica e o protagonista da cena fica perplexo ao ver seu nome publicado no texto deste que vos escreve, estou sendo recompensado pela minha obra… Quando uma aluna chora ao ler “As hortênsias” e, a partir do texto, toma uma nova postura de vida diante de sua mãe, sinto-me honrado em saber que minhas palavras ajudaram a mudar a vida de uma adolescente… Da mesma forma, me sinto feliz ao ver que, uma ex aluna, estagiária do curso de Letras, ao trabalhar crônicas em uma aula cedida por mim, lê para os alunos e se emociona com as palavras do “Porco com batatas”…

Também sinto-me realizado ao ver que, minhas palavras de protesto surtem efeito, ainda que discreto, mesmo quando, ironicamente, não tenho “nada a declarar”, fato que custou o cancelamento da parceria com o jornal impresso… Apesar de ser penalizado, algumas vezes, ainda assim meu coração me diz para não parar de emprestar a voz aos injustiçados…

Nestes seis anos, aprendi que as palavras têm força e sempre provocam uma reação, seja ela negativa, ou positiva. Em qualquer dos casos, é gratificante ser causa da inquietação que quebra a inércia do conformismo…

Ao dizer que a nossa educação é de vitrine, os manequins se puseram contra… Ao colocar-me metaforicamente na cadeira do dragão, os carrascos se posicionaram na defensiva… Ao reclamar quando chamado de vadio por alguém que dependeu de nossa classe para ser o que é, reclamava em nome de todo o professorado que sofria e sofre todos os tipos de discriminação e, por vezes não é respeitado nem mesmo como ser humano… Por fim, ao descrever a “Escola dos meus sonhos”, recebo inúmeras manifestações em favor de minhas ideias, o que prova que este sonho não é só meu… Porém os manequins querem manter a vitrine e os carrascos continuar pondo o professor na cadeira do dragão, para que ele confesse o que não fez, ou simplesmente relaxe e feche os olhos para a realidade, anestesiando-se e esquecendo a luta por melhores condições do magistério público… Enfim, querem nos fazer acreditar nos sonhos capitalistas e corruptos das autoridades em detrimento aos nossos…

Apesar de tudo, o bom mesmo, é fazer protesto rindo: Muitas pessoas, até hoje me falam da “Bolacha recheada”, do “Psicólogo de ratos”, da “Batata assassina”, dos já esquecidos “Buracossaulos Rex”, da distração diante do cortejo fúnebre, ou das vassourinhas encantadas que se desencantaram ao se deparar com uma escola pública.

Portanto, as publicações destes seis anos se confundem com minha própria vida, já que a crônica é subjetiva e, como tal, depende muito da vivência de quem escreve… Tentaram e tentam a cada dia calar minha voz cada vez que minhas palavras não agradam aos poderosos… Eles esquecem que o poder deles só é realidade porque foi emanado do povo (pelo menos é o que diz a constituição federal)… Mas “não dá nada”, como dizia minha mãe: “Deus tem mais pra dar do que o encardido pra tirar”…

Márcio Roberto Goes

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