Aperte "Enter" para pular para o conteúdo

Paixão desenfreada

 

Futebol!… Alegria, confraternização!… Se meu time perde, tristeza… Se ele ganha, ninguém segura a emoção!… E quando ele é campeão brasileiro, então, nem se fala… É festa, alegria e emoção sem fim… Este esporte, trazido para o Brasil por Charles Müller, é “uma caixinha de surpresas”, como diriam alguns, por vezes surpresas boas, outras, lamentavelmente nem tanto, dentro e fora do campo… Sou colorado, estou contente com o vice-campeonato, ficaria muito mais feliz com o título. Não foi possível… Paciência! Mas isso não pode ser motivo de chacota, nem de qualquer tipo de violência física, ou moral, como pudemos ver nos noticiários dos últimos dias… É desafortunadamente lamentável a reação de algumas torcidas, inclusive dos campeões, manifestando-se com violência contra seus semelhantes…

Não consigo associar esporte com violência, apesar de não saber fazer outra coisa a não ser torcer… Não entendo a razão principal destas reações… Aquilo que deveria ser uma festa, tornou-se desgraça e, tenho certeza que nenhum cidadão brasileiro de bem, seja ele torcedor de qualquer time da série A, B, C, ou qualquer outra, compactuaria com esta situação…

Sabemos que futebol é paixão e, como toda paixão, conforme a intensidade, torna-se irracional… Mas o autocontrole, próprio dos seres humanos e que nos diferencia dos outros animais, deveria prevalecer… É necessário saber perder, e no contexto atual, também saber ganhar, pois o mundo dá voltas e o campeão de hoje pode ser o rebaixado de amanhã e vice versa…

Não entendo muita coisa de futebol, como já comentei e uma das coisas que me faz renegar esta paixão desenfreada é o radicalismo e o fanatismo que tira o ser humano do seu equilíbrio normal, transformando-o num monstro sem igual entre os seres vivos, racionais, ou não…

Aliás, o radicalismo e o fanatismo, em qualquer instância só trazem prejuízos, sejam eles religiosos, políticos, ideológicos, ou futebolísticos. Onde houver fanatismo e radicalismo, sempre haverá exclusão e preconceito…

Os radicalismos político e ideológico excluem aqueles que não têm as mesmas ideias, um exemplo claro disso foram os adesivos vistos, na última campanha eleitoral para presidente, em muitos veículos mostrando uma mão com quatro dedos, dentro de um círculo e riscada por um traço vermelho transversal, com a legenda “Fora Lula”… Esta campanha, a meu ver não discriminou somente o presidente que não me cabe julgar agora, mas toda uma classe de deficientes físicos e mutilados…

O fanatismo religioso trouxe e continua trazendo muitos problemas sociais: evangélicos que não desejam “a paz do Senhor” quando cumprimentam católicos, católicos que se recusam a receber missionários de outras denominações religiosas em sua casa… Guerras pelo mundo afora de cristãos contra não-cristãos… Será que Jesus está contente com seu povo inconsequente?

Da mesma forma, o futebol: Para os fanáticos, seu time sempre é o melhor e todos os outros são “podres”, criticam e ofendem quem usa uniforme de outro clube, principalmente o rival do seu… Mas se parasse aí, até seria aceitável, pois tudo se torna uma grande brincadeira… O grande problema é quando a brincadeira dá lugar à violência… E o pior é que, nos esquecemos que, atualmente, o futebol virou um negócio milionário, onde o principal produto é o ser humano. Compram-se e vendem-se jogadores como se fazia no século retrasado com os escravos, com uma diferença: os produtos em questão têm consciência de sua venda e também ganham muito dinheiro com isso, sem falar na fama… E o torcedor, aqui embaixo brigando, enquanto os gigantes querem mesmo é ganhar dinheiro… É!… O capitalismo não perdoa nem o futebol…

 

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe da tarde – O diário Regional

Seja o/a primeiro/a a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *