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Márcio Goes Posts

DE QUEM É A VACA?


PUBLICADO EM: 29/06/2006
JORNAL INFORME

DE QUEM É A VACA?

Era uma vez, uma vaca jovem, bonita, gostosa e safada que gostava muito de pular cerca… Que vida boa levava ela! Cada dia era um touro diferente… Apesar dos conselhos de sua mãe, mansa, velha, experiente e chifruda, ela continuava a viver uma vida perigosa e depravada. Até que se apaixonou por um touro jovem, sarado e viril de uma propriedade vizinha, entregou-se a ele de corpo, alma e chifres… Foi uma paixão avassaladora que a deixou de quatro, orelhas murchas e cola erguida pelo bonitão. Só que, ao erguer a cola, esqueceu-se do preservativo, fato que rendeu-lhe uma gravidez indesejada e muito preocupante.

Temendo a reação da “vaca véia”, a pobre rês apaixonada e embuchada foge com seu príncipe taurino para a propriedade vizinha. O corno reprodutor desconfia de sua amada chifruda, mas mesmo “com uma pata atrás”, aceita aquela pobre ninfeta bovina e passam a viver juntos.
Mas, mesmo para os bovinos, a vida de casado não é nada fácil, principalmente se o marido é um renomado reprodutor e tem, por obrigação “traçar” todas as suas companheiras de curral, se não ele é quem será traçado por um espeto. Vendo seus chifres crescerem, a miserável rês, agora não tão apaixonada assim, fica indignada, mas não pode fazer nada, pois precisa de um pai para seus filhotinhos.
Nascem duas adoráveis vaquinhas: uma puxou o pai, a outra não se sabe… Ocorrência que deixou o bonitão reprodutor cego de cólera e expulsou a vaca safada e o filhote cuja paternidade era duvidosa. A única solução, depois de levar uma patada no traseiro, era baixar a cola e pedir asilo a sua mãe, que provavelmente a perdoaria e aceitaria de volta, porque no coração materno não cabe ódio…
A mãe perdoou e a recebeu de patas abertas, mas o proprietário da fazenda não gostou nem um pouco da situação… E quando os humanos se metem nos problemas dos animais, procuram a justiça humana… Foi o que o fazendeiro fez, levou o caso para a justiça, que achou por bem, fazer o exame de DNA para saber de quem é o animal, já que a rês voltou marcada pelo outro proprietário (soluções modernas para problemas arcaicos).
Enquanto o resultado do DNA não sai, vaca véia, vaca nova e netinha vivem felizes; e o chifrudo bonitão continua exercendo sua função de reprodutor, esperando sua filhotinha crescer para “traçá-la” também.

Animais com animais se entendem perfeitamente, mesmo em linhas tortas, porque entre eles ainda existem o instinto materno e o perdão. Uma patada de luva nos humanos…

Márcio Roberto Goes
Quase humano

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ORGAN IZAÇÕES TABAJARA

PUBLICADO EM: 21/09/2006
JORNAL INFORME

ORGANIZAÇÕES TABAJARA

Tabajara era uma tribo indígena que gostava duma batucada, a qual pertencia Iracema, a virgem dos lábios de mel, da obra de José de Alencar… Na mídia, esta palavra ganhou uma conotação hilária com a turma do Casseta e Planeta… Em Caçador, por causa de nossas raízes indígenas, vindas dos Kaigángs, que hoje sobrevivem vendendo artesanato de porta em porta, a palavra Tabajara recebeu a merecida homenagem, nomeando um bairro e por sua vez, a escola desta localidade.

Foi lá, na escola Tabajara que estive na manhã da última sexta-feira, presenciando o milagre da leitura na vida das pessoas. Quando me deparei com cerca de sessenta crianças de quarta série do ensino fundamental, na sua maioria, dizendo ter despertado o gosto pela leitura através de meus textos, percebi o quão grande é a responsabilidade de quem, como eu, se atreve a fazer literatura… Tenho certeza que o incentivo e o empenho em fazer acontecer a literatura por parte da equipe da escola Tabajara, já está trazendo bons frutos, fato que pude comprovar com o depoimento de uma aluna dizendo que depois de analisar meus textos em sala, despertou o desejo de também ser escritora… Isto prova que nossas palavras ficam registradas nas páginas dos jornais ou dos livros para sempre, mas acima de tudo, consignadas na história e na mente de quem lê…
Fico muito lisonjeado ao saber que um escritor com menos de um ano de experiência, já esteja causando até conversão de valores e de sonhos nas nossas crianças, visto que concorremos com a televisão, o rádio e a Internet, muito mais dinâmicas e poupam seus usuários de pensar… Isso mesmo… Nossas crianças e adolescentes têm, cada vez mais preguiça de pensar, e por sua vez, de ler e analisar textos; é uma lástima, pois estamos criando robôs humanos, que sempre dependem de outro ser pensante para tomar suas decisões.
Amigos professores, meus colegas heróis sem máscara, está em nossas mãos, a difícil tarefa de acordar nossos alunos para a importância da leitura e da análise dos fatos lidos. Sei que não é fácil, mas não podemos deixar de tentar, a exemplo da escola Tabajara, oportunizar aos alunos o manuseio de jornais, revistas e até a Internet, dentro de suas atribuições didáticas e úteis, tornando esses meios de comunicação acessíveis a eles e até a nós… Sei também que estamos à mercê da estrutura das escolas públicas, que na sua maioria oferecem, nada mais que giz e lousa para o professor trabalhar. Porém, é possível fazermos o que está ao nosso alcance para tornar nossos alunos pessoas melhores e pensantes…
Sem demagogia, temos em nossas mãos o futuro da nação. Nossos alunos de hoje, serão nossos colegas e até nossos governantes de amanhã. Portanto, quando ver um ex-aluno a seu lado, exercendo a mesma e digna profissão que um dia você resolveu abraçar, não se sinta velho; sinta-se realizado, pois o percurso normal da arte (e professor é um artista), é a obra crescer mais que seu autor.
Valeu Tabajara!… Valeu criançada!… Continuem lendo e escrevendo. Pois quem lê periodicamente, dificilmente será iludido ou confundido com palavras dóceis de promessas faraônicas em época de campanha eleitoral ou em qualquer outro momento que exija uma decisão.
Márcio Roberto Goes
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VISITA À ESCOLA TABAJARA

Visita à escola de Educação Básica Tabajara (Caçador – SC). Encontro com alunos da 4ª série do ensino fundamental. 15 de setembro de 2006.


DEPOIMENTOS:

O dia em que conheci o escritor

Realizei meu sonho dia 15 de setembro de 2006, quando conheci um escritor chamado Márci Goes.
Eu adorei estudar usa crônicas que são lindas! a que mais me chamou a atençâo foi ”de quem é a vaca?”, ele criou essa crônica usando muita criatividade e humor. na sexta ele cantou uma música linda em espanhol chamada: la canción de la alegría e cantou também andar de trem. ele tem uma voz linda! foram duas músicas que farão parte de minha vida!!! Obrigada Márcio querido, pela visita em nossa escola, saiba que você será sempre bem vindo.

Aluna: Juslei Luciana de Freitas

A REALIDADE DE UM SONHO

ESTÁVAMOS ANCIOSOS, SENTADOS EM NOSSAS CADEIRAS PRÓXIMAS AO PALCO QUANDO DE REPENTE, MÁRCIO GOES CHEGOU. ELE FEZ UM BREVE DISCURSO, E EU E MINHA AMIGA JUSLEI SUBIMOS AO PAUCO PARA LHE FAZER ALGUMAS PERGUNTAS. LOGO DEPOIS ELE NOS ALEGROU CANTANDO DUAS MÚSICAS, LA CANCIÓN DE LA ALEGRÍA EM ESPANHOL. É CONSCIDÊNCIA, A PROFESSORA DE LITERATURA TAMBÉM FALA ESPANHOL E FAZ LETRAS! MAS, VOLTANDO AO ASSUNTO, ELE TAMBÉM CANTOU A MÚSICA ANDAR DE TREM. QUE A PROFESSORA ANDRIELI PASSOU NO COMPUTADOR PARA NÓS. MÁRCIO GOES, VC É O ”CARA”!!!!!!!!!!!!!

ALUNA: BIANCA 4a

UMA MANHÃ NESQUECÍVEL!!!!

DIA DE SETEMBRO ( SEXTA-FEIRA) FOI UM DIA MUITO ESPECIAL.
POIS TIVE A OPORTUNIDADE DE CONHECER UM GRANDE ESCRITOR, MÁRCIO GOES.
UM ESCRITOR MUITO ENGRAÇADO QUE ENSINOU AOS ALUNOS DAS 4as SÉRIES DA ESCOLA TABAJARA O VALOR DA LEITURA. MÁRCIO PARABÉNS!!!

ALUNO: DOUGLAS 4a 02

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O PROFESSOR NO BANCO DOS RÉUS

PUBLICADO EM: 13/10/2005
JORNAL INFORME. CAÇADOR-SC

O PROFESSOR NO BANCO DOS RÉUS

Antigamente, ser professor era sinônimo de status, inteligência e respeito. Aliás, um grande respeito tinha a sociedade pela pessoa do professor, tanto é que os pais confiavam ao profissional docente seus filhos e jamais contestavam uma decisão por ele tomada, até porque, no dia da colação de grau, o professor faz o juramento de agir sempre com ética, respeitando as diferenças e capacidades de cada educando, pelo menos comigo foi assim, em 2003.
Porém, parece que a rotina do mundo atual tem contaminado agressivamente a mente e o coração de alguns alunos e pais com aspectos muito negativos em relação ao professor, fato que comprovei in óculo:
Um dia desses, na escola em que trabalho, compareceu uma senhora, apresentando-se como mãe de uma aluna de primeiro ano de ensino médio, tendo em mãos um bilhete com o nome de uma de nossas professoras, mostrando-me o bilhete, expressou-me o desejo de falar com a referida pessoa.
Muitas alternativas passaram em minha mente: Será que sua filha teve notas baixas em Português?… Será que é uma aluna faltosa ou indisciplinada?… Teria ela faltado aula no dia da prova ou deixado de entregar algum trabalho?… Bem, na pior das ipóteses, imaginei que professora e aluna não entraram em acordo no aspecto pedagógico, ou não concordaram com algum assunto referente à disciplina (atualmente, o aluno tem direito de discordar do conteúdo)… Mas, minha criatividade não foi suficiente para descobrir do que se tratava, mesmo assim, contive penosamente minha curiosidade.
A referida mãe foi levada até a sala onde a professora se encontrava. Tamanha foi minha surpresa quando, minutos mais tarde, deparei-me com a docente justificando para a turma e para a mãe o porquê da sombrinha de sua filha estar quebrada, já que fora acusada de tamanha traquinagem por mãe, filha e alguns alunos.
Novamente, minha curiosidade criou asas: Em nenhum momento, é claro, imaginei que esta professora tivesse imaturidade suficiente para cometer tal molecagem, visto que foi uma das melhores professoras que tive na faculdade, costumo chamá-la de “mi maestra”, título merecido, não só por ter cursado um mestrado, mas por ser uma professora que ama sua profissão, não só professa, mas atua como mestre e aponta os caminhos, assim como muitos dos professores que conheço; porém, algumas dúvidas cruéis me assolaram a alma naqueles poucos minutos em que observava “mi maestra” justificando-se perante os presentes: Teria ela derrubado aquela sombrinha no chão por descuido?… A sombrinha estava no chão e a professora, por engano pisou em cima?… A aluna deixou a sombrinha em sua mesa e a professora largou seu material em cima, danificando-a? A sombrinha chegou atrasada à aula, faltou à prova, não entregou trabalho na data marcada ou desrespeitou a professora e por isso foi arremessada contra a parede?… Não!… Nada disso. Tudo o que ela fez foi fechar o objeto que estava aberto nos fundos da sala a fim de aproveitar melhor o espaço para realizar a prova bimestral , já marcada anteriormente, tudo isso, com a devida autorização da proprietária.
Mas, como os fatos foram destorcidos dessa maneira?… Através de picuinhas (ou fofocas, melhor dizendo) entre os alunos até chegar aos ouvidos da mãe, que aparentemente acreditou mais nas especulações do que na professora, na escola ou na própria filha.
O fato é que apareceu um objeto quebrado, ninguém sabe quem foi, mas é preciso, como sempre, encontrar um culpado: a professora.
A que ponto chegou a educação pública ao longo dos anos!?… Os papéis inverteram-se: mentiras, especulações e picuinhas têm mais credibilidade que o professor ou a própria unidade escolar.
Esta realidade não é exclusividade desta escola (e mesmo que fosse, não seria motivo para estar me gabando), é a nível nacional e até mundial. Se assim continuar, logo teremos uma escola falida: A instituição que mostra os caminhos para o conhecimento (e assim o faz apesar de todas as dificuldades) repentinamente é vencida por boatos…
Isso aconteceu com uma de minhas colegas, mas poderia ter acontecido com qualquer um de nós, professores ou não, afinal todos estamos vulneráveis ao julgamento dos boatos e picuinhas. Depois, para provar o contrário é uma labuta desumana e penosa para todos os lados…
Sem desmerecer nenhuma profissão, pois o mundo evolui por causa das diferenças, mas não é o médico, o engenheiro ou o advogado que “removem montanhas” no âmbito do conhecimento e sim o professor, afinal, médicos, engenheiros, advogados, operários, gente boa, gente ruim, armados, desarmados, corruptos e “mensaleiros”… todos, absolutamente todos, em algum momento de suas vidas freqüentaram a escola, inclusive aqueles que colocam hoje o professor no banco dos réus.
Portanto, professor, tenha fé, porque a fé do professor remove montanhas de conhecimentos e torna os educandos pessoas melhores.
Parabéns, professor, por acreditar em si mesmo, na escola, nos seus alunos e no mundo, que é um mundo em desenvolvimento e pensante por causa de você.

Márcio Roberto Goes

1 Comentário

O GRANDE CONDUTOR – primeira publicação de Márcio Goes

PUBLICADO EM: 06/10/2005
JORNAL INFORME – CAÇADOR, SC.

O GRANDE CONDUTOR
(crônica)

Era por volta das 13h.30min, dirigi-me ao ponto de ônibus, onde esperei cerca de cinco minutos. Subi no coletivo, entreguei o passe ao cobrador cumprimentando-o com um sinal de cabeça e sentei-me no terceiro banco.

Aparentemente, tudo normal… Pessoas dirigindo-se ao centro para fazer compras, passeio ou a trabalho… Tudo perfeitamente rotineiro (aquela rotina que, às vezes incomoda) até o motorista parar ao aceno de uma velhinha de bengala. Neste momento, vi um ato descomunal na rotina daquele ônibus: o condutor parou, puxou o freio-de-mão, ajeitou o bigode, destravou a cadeira, desconectou o cinto de segurança, levantou-se, acomodando a camisa do uniforme dentro da calça e dirigiu-se até a porta estendendo a mão para aquela senhora e conduzindo-a até o banco, só voltando a seu posto depois da certeza de que a velhinha estava perfeitamente acomodada.
Aquele senhor, proletariado, como a maioria dos brasileiros que não pode contar com mensalão ou mensalinho para ajudar no orçamento, quase no fim de seu turno de trabalho, cruza seu olhar com uma senhora quase no fim do turno de sua vida.
Duas vidas totalmente diferentes, unidas por um único objetivo, por um instante, aproximadas pela situação e pelo destino.
Talvez, nunca mais se encontrem, novamente, talvez seja o último passeio de ônibus daquela senhora, ou o último turno daquele motorista que dedicou alguns segundos de sua vida a um ser humano desprezado por muitos, amado por alguns, respeitado por outros.
Por que ele fez aquilo, mesmo não se tratando de uma obrigação profissional (pelo menos, não dele)?… Por respeito, talvez ou por amor?!…
Sim, por amor. Amor fraterno do qual o mundo anda tão carente… Quantas pessoas têm demonstrado amor por aquela senhora ultimamente?… Quantas pessoas têm demonstrado amor pelos idosos ou por qualquer pessoa no mundo atual?…
Tenho certeza que, ao descer daquele ônibus, nem motorista, nem velhinha serão os mesmos, pois provaram a alegria e a ternura de viverem em comunidade fraterna.
Que bom seria se os grandes condutores das grandes nações presenciassem esta pequena cena, deste “pequeno condutor de ônibus” e seguissem seu exemplo, pequeno, mas grandioso. Porém, trata-se de uma utopia, pois grandes condutores de grandes nações, jamais usam ônibus em direção ao centro da cidade, para passear, fazer compras ou trabalhar… Aliás, grandes condutores de grandes nações trabalham?… Creio que grandes condutores têm grandes problemas para resolver. Deve ser por isso que não resolvem, porque são grandes, e tornam grandes os pequenos problemas.
Afinal, há tanto mercado para conquistar, tanto mensalão a pagar ou receber, tanta CPI para resolver, tantos deputados e senadores corruptos para comprar, vender ou julgar, tanta coisa para justificar, que não há tempo para pensar em um motorista de ônibus parando seu trabalho para ajudar uma velhinha desconhecida a subir.Não há tempo para perceber o quanto este exemplo de vida nos torna mais humanos.E quanto mais humanos somos, mais divinos nos tornamos. Sendo divinos, somos grandes, de uma grandeza que transcende a pequenez dos problemas grandes dos grandes condutores.
Márcio Roberto Goes
06/10/2005
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