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Os desenhos da minha vida

De vez em quando é bom e se torna necessária uma faxina geral nas bagunças do dia-a-dia… É o que estou fazendo esta semana. Meu nariz não gostou muito, pois, onde tem poeira, existem constantes sequências de espirro para quem usufrui de uma rinite alérgica…

Fuçando os arquivos pessoais, mais precisamente aqueles referentes à minha história vivida na escola, encontrei uma pasta com meus desenhos da década de oitenta e início dos anos noventa… Meus cadernos de desenho eram sempre cheios, pois sempre ia além daquilo que a professora de arte (na época chamava educação artística) propunha… De certa forma, desenhei parte de minha história, porém como aconteceu com o narrador de “O pequeno Príncipe”, logo esqueci os desenhos e tratei de me preocupar com coisas mais adultas e menos sonhadoras, redescobrindo a importância dos desenhos em nossas vidas anos depois, com uma professora de artes visuais e artista em potencial, como eu…

Lá, nos desenhos de minha vida, relatei uma Páscoa de quando ainda não achava bobagem acreditar em coelhinhos que botam ovos de chocolate, também fui testemunha da greve dos professores de 1987, cujo desfile do dia sete de setembro foi um fracasso em virtude da falta da maioria dos mestres da escola que lutavam por melhores salários e condições de trabalho. Certamente, naquela época eu ainda não tinha a devida consciência do que tudo aquilo significava para os professores, tampouco para os alunos utópicos como eu que buscava a fuga para os problemas de uma família desestruturada nos cães e nos desenhos, além de fabricar meus próprios brinquedos com os conhecimentos de carpintaria passados a mim por um pai que raramente estava sóbrio…

Enfim, meus desenhos fizeram a minha história e logo comecei a aflorar minha veia humorística desenhando algumas caricaturas. Nada em especial, somente rostos caricatos que existiam na minha mente e ganhavam vida na ponta dos lápis de cor… Assim foi minha infância e parte da adolescência. Sempre era solicitado para ajudar os colegar nalgum desenho que lhes parecia difícil de começar…

Até que um dia me encantei pelas palavras e esqueci os desenhos… E hoje percebo que a comunicação se faz de várias formas e existem vários jeitos de se expressar as ideias e emoções, o desenho é um deles, a palavra é outro, ambos podem se completar e formar obras maravilhosas… Foi preciso eu desentocar meus rabiscos quase duas décadas depois para perceber o óbvio: A arte imita a vida e a vida imita a arte, o que nos faz ter uma visão mais clara dos fatos cotidianos, ou históricos, pois se trata de expressão e o ser humano se expressa de várias formas, basta abrirmos o coração e percebermos com maior ternura as obras de arte ao nosso redor…

Já passou pela sua imaginação que este espaço onde se encontra este texto só poderia ter sido desenvolvido por uma veia artística aguçada?… Alguém pensou em toda a arte visual e gráfica desta página que ora é lida por você. Meu texto está aqui, mas ao seu redor existem muitas coisas além da nossa imaginação, sintetizadas para agradarem aos nossos olhos… Pois é! Minha mente criativa e viajante começa a perceber que a arte não pode ser feita como monólogo, necessita de muitos olhos, ouvidos, cabeças e sentimentos para cumprir seu verdadeiro papel…

Voltando aos meus desenhos antigos, sinto que está na hora de resgatarmos o artista mirim que encontra-se preso lá no meio de nossas preocupações e trazê-lo ao mundo real. Quem sabe, pensando como crianças, poderemos resolver os grandes problemas de relacionamento da humanidade que tornou-se desumana poque esqueceu-se dos valores aprendidos na infância e sufocados pelo egoísmo do adulto que insiste em tomar o lugar daquele coração puro e utópico?…

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Jornal Folha da Cidade – Caçador, SC

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