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ORGAN IZAÇÕES TABAJARA

PUBLICADO EM: 21/09/2006
JORNAL INFORME

ORGANIZAÇÕES TABAJARA

Tabajara era uma tribo indígena que gostava duma batucada, a qual pertencia Iracema, a virgem dos lábios de mel, da obra de José de Alencar… Na mídia, esta palavra ganhou uma conotação hilária com a turma do Casseta e Planeta… Em Caçador, por causa de nossas raízes indígenas, vindas dos Kaigángs, que hoje sobrevivem vendendo artesanato de porta em porta, a palavra Tabajara recebeu a merecida homenagem, nomeando um bairro e por sua vez, a escola desta localidade.

Foi lá, na escola Tabajara que estive na manhã da última sexta-feira, presenciando o milagre da leitura na vida das pessoas. Quando me deparei com cerca de sessenta crianças de quarta série do ensino fundamental, na sua maioria, dizendo ter despertado o gosto pela leitura através de meus textos, percebi o quão grande é a responsabilidade de quem, como eu, se atreve a fazer literatura… Tenho certeza que o incentivo e o empenho em fazer acontecer a literatura por parte da equipe da escola Tabajara, já está trazendo bons frutos, fato que pude comprovar com o depoimento de uma aluna dizendo que depois de analisar meus textos em sala, despertou o desejo de também ser escritora… Isto prova que nossas palavras ficam registradas nas páginas dos jornais ou dos livros para sempre, mas acima de tudo, consignadas na história e na mente de quem lê…
Fico muito lisonjeado ao saber que um escritor com menos de um ano de experiência, já esteja causando até conversão de valores e de sonhos nas nossas crianças, visto que concorremos com a televisão, o rádio e a Internet, muito mais dinâmicas e poupam seus usuários de pensar… Isso mesmo… Nossas crianças e adolescentes têm, cada vez mais preguiça de pensar, e por sua vez, de ler e analisar textos; é uma lástima, pois estamos criando robôs humanos, que sempre dependem de outro ser pensante para tomar suas decisões.
Amigos professores, meus colegas heróis sem máscara, está em nossas mãos, a difícil tarefa de acordar nossos alunos para a importância da leitura e da análise dos fatos lidos. Sei que não é fácil, mas não podemos deixar de tentar, a exemplo da escola Tabajara, oportunizar aos alunos o manuseio de jornais, revistas e até a Internet, dentro de suas atribuições didáticas e úteis, tornando esses meios de comunicação acessíveis a eles e até a nós… Sei também que estamos à mercê da estrutura das escolas públicas, que na sua maioria oferecem, nada mais que giz e lousa para o professor trabalhar. Porém, é possível fazermos o que está ao nosso alcance para tornar nossos alunos pessoas melhores e pensantes…
Sem demagogia, temos em nossas mãos o futuro da nação. Nossos alunos de hoje, serão nossos colegas e até nossos governantes de amanhã. Portanto, quando ver um ex-aluno a seu lado, exercendo a mesma e digna profissão que um dia você resolveu abraçar, não se sinta velho; sinta-se realizado, pois o percurso normal da arte (e professor é um artista), é a obra crescer mais que seu autor.
Valeu Tabajara!… Valeu criançada!… Continuem lendo e escrevendo. Pois quem lê periodicamente, dificilmente será iludido ou confundido com palavras dóceis de promessas faraônicas em época de campanha eleitoral ou em qualquer outro momento que exija uma decisão.
Márcio Roberto Goes

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