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Olhares

 

Há mais de dez anos que uso óculos, descobri quase que de forma tardia, minhas deficiências: hipermetropia e ceratocone… Hoje, sou dependente dos óculos, ou das lentes de contato para quase tudo, exceto para tomar banho e dormir… Necessito acompanhamento semestral para que se possa fazer um diagnóstico antecipado e preventivo a fim de corrigir, constantemente, meu olhar…

E toda vez que visito o Jonathan, meu oftalmologista, faço uma maratona por toda a clínica, já sou íntimo de todos os aparelhos: aquele que a gente olha um pontinho vermelho no meio de um espiral, parecendo um alvo (só o vento que sopra em minha córnea que não é dos mais agradáveis… Me emociono, cada vez que vejo aquela casinha lá no fundo da mata que testa minha acuidade visual e a nitidez de minha visão… Já me sinto até confortável apoiando o queixo e a testa nos aparelhos e, se não fosse obrigatório manter os olhos abertos, juro que tiraria até uma soneca… Divirto-me cada vez que dilato a pupila: vejo tudo, mas não enxergo nada…

Quando pensei que já tinha feito de tudo naquela clínica, o seu Aguni vem com mais uma: “Temos que fazer uma foto da córnea”. Meu coração não cabia no peito de tanta alegria, meus olhos estavam prestes a fazer a primeira três por quatro de suas vidas… Foto feita, recebi por correio eletrônico e, no retorno, o médico oftalmologista analisou, sem retoques, o nu artístico dos meus olhos. Eu achei aquilo horrível! Ainda bem que o mundo que vejo é mais bonito do que o instrumento que uso para tal, cheio de veias e com defeito de fabricação que me acompanham há mais de três décadas…

Conversa vai, conversa vem, o Jonathan interrompe a consulta para dizer que sempre lê meus textos (fato que muito me alegra) e resolveu comentar sobre um deles em particular: a crônica intitulada “Amigo fiel”, em homenagem ao cão que me acompanhou durante catorze anos de minha modesta vida, sendo meu amigo e companheiro de todas as horas. Junto com o texto, publiquei uma foto do Bilu e o profissional que cuida dos meus olhos deu um diagnóstico preciso sobre meu cãozinho falecido: “Sabia que o teu cachorro tinha catarata?”…

Quando o cara é profissional, não existe escapatória, tudo é analisado, nem cachorro morto escapa. Pena que eu soube tarde demais que meu amigo já não enxergava o mundo da mesma maneira que outros cães; também tinha uma deficiência visual, mais um ponto em comum com este “quatro zóio” que vos escreve.

Quanto a mim, ainda existem recursos, afinal, estou vivo e torcendo para escapar de uma intervenção cirúrgica no futuro… Mas o importante é cuidar bem dos olhos, pois é com eles que vemos o mundo ao nosso redor e, para falar a verdade, usar óculos não é tão ruim assim, afinal, quebra a monotonia, pois podemos variar modelos e cores de vez em quando e fazer dele, um acessório a nosso favor…

Márcio Roberto Goes

www.marciogoes.com.br

www.cacador.net

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Jornal Informe – O diário Regional

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