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Obsolescência

A obsolescência das coisas
Consumismo e capitalismo

 

O mundo atual, sobretudo o sistema capitalista, enobrece quem já é nobre e empobrece quem já é pobre, triste conclusão a que cheguei depois de assistir atentamente ao vídeo “A história das coisas”…

Desde a extração de recursos, passando pela indústria, comércio, até tornar-se lixo, quase tudo é idealizado, processado e construído para dar lucro aos seus idealizadores e tornar-se obsoleto no mínimo de tempo possível, a fim de ser substituído e voltar a dar lucro…

Enquanto isso, nós que já não somos considerados seres humanos, mas meros consumidores, recebemos uma enxurrada de anúncios dizendo que estamos errados, fora de moda, mas tudo isso se resolve se fizermos compras, nos rendendo ao fantástico e maravilhoso sistema que nos diz que seremos felizes se comprarmos coisas novas cada vez com mais frequência… Mas as coisas novas envelhecem e a felicidade depositada nelas, também, nos obrigando a substituir as coisas e o nosso bem-estar…

Para tudo!!!… Se continuarmos assim, jamais seremos felizes de verdade, jamais teremos uma felicidade sólida e continuaremos cultivando a fugacidade das coisas e dos sentimentos…

As pessoas que ganham muito dinheiro com este sistema não se agradam com o fato de percebermos que a felicidade plena vai muito além daquilo que compramos, por isso, iludidos, não damos o devido valor àquilo que nos faz realmente felizes. Não há tempo para um abraço sincero e despretensioso, para as verdadeiras amizades, para o verdadeiro amor… Pois estes valores não se encontram nas prateleiras das lojas, as indústrias não produzem em série e, principalmente, não fazem parte da obsolescência.

Mas, algo novo é possível!… Cultivo a utopia de que, um dia, a humanidade acorde para os valores mais sublimes e duradouros, sem insistir na felicidade fugaz daquilo que se produz destruindo o meio ambiente, a saúde e o futuro dos trabalhadores… Aliás são eles, os proletariados que realizam o “milagre” da produção, no entanto não são devidamente valorizados, não têm direito a participar dos lucros daquilo que suas mãos produzem, além de não terem a milésima parte da qualidade de vida escancaradamente demonstrada pelos donos do capital, que ostentam sempre o troféu do consumismo, oportunizado pela fortuna adquirida com a exploração da mão de obra do trabalhador do chão da fábrica…

Tudo isso teve início no momento em que os seres humanos acreditaram-se uns melhores que os outros… Tudo isso acabará quando nos percebermos, de fato, iguais…

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe – O diário Regional

Jornal Fonte – Diocese de Caçador

One Comment

  1. gianni lucio parizotto
    gianni lucio parizotto 15 de abril de 2010

    Belo artigo…
    O título desta crônica me lembra a letra de uma música, chamada “3ª do plural” dos Engenheiros do Hawaii.

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