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O SONHO DO JOAQUIM

As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico...”.

Colocada na ordem direta, essa frase que compõe os dois primeiros versos do Hino Nacional Brasileiro, nos faz perceber o que o “seu Joaquim Osório Duque Estrada” estava querendo dizer aos brasileiros que não tiveram a mesma regalia daquelas margens serenas que ouviram de tão perto o grito da independência, proclamado retumbante e estrondosamente pelo povo, na pessoa de Dom Pedro I, que pagou ao próprio pai: o Dom João VI, rei de Portugal, um mensalão simbólico de cinco mil libras esterlinas, uma moeda tão importante naquela época, quanto o dólar hoje (Isso que naquele tempo ninguém usava cuecas!)…

Desta forma, o então proclamado imperador do Brasil conquistou, não com braço forte, mas com bolso cheio, o penhor da nossa terra que agora deixava de ser colônia, para igualar-se a Portugal na condição de nação, com uma diferença: já nascia com uma impávida dívida externa que aos poucos se tornava colossal e retumba até hoje em nossos ouvidos, mudando unicamente os credores, que hoje USAm e abUSAm do Brasil e do mundo.

De qualquer forma, foi um ato heróico, desabafado através de um brado retumbante, semelhante à torcida do hexa, que merecia bandeiras nacionais e fitas com o verde-amarelo inconfundível do país do futebol, execução do hino nacional e amor incondicional à “Pátria amada, mãe gentil” exteriorizado espontaneamente de uma forma que não se presencia na semana que antecede o dia sete de setembro.

Onde está o verde-louro de nossa flâmula? (Aliás, cadê a flâmula?)… O lábaro estrelado que ora ostentávamos pela seleção canarino?… Quem lembra das glórias do passado?… Cadê a esperança de paz no futuro?… Que destino teve a clava forte da justiça?… (provavelmente, queimou junto com aquele avião)… Onde estão aqueles que desafiavam a própria morte no seio da liberdade?… Será que morreram, junto com o sonho do hexa?… Aliás, é este nosso “sonho intenso de amor e de esperança” que desce em nossa Pátria em forma de raio vívido, atualmente?…

O que vale mais: Uma bola buscando a rede adversária, ou um povo buscando justiça e vida digna que não tem um milésimo das regalias daqueles estrangeiros nacionais que defenderam (ou quase) o verde-louro da flâmula brasileira nos campos da Alemanha?…

Seu Joaquim que me desculpe, mas a coisa por aqui não está nem um pouco do jeito que ele sonhou: Não se ouve mais sua composição passional de uma beleza inenarrável, ecoando nos lares e escolas na semana da Pátria. Não se vê mais o lábaro estrelado nas casas, edifícios e repartições públicas, tremulando por amor à nossa “mãe gentil”. Perdeu-se a consciência deste florão, pedra preciosa da América. Apagou-se o “sol do novo mundo” no total descaso por este “gigante pela própria natureza”, que adormece, “deitado em berço”, já não tão “esplendido”, “ao som do mar e à luz do céu profundo”, esperando para despertar no dia em que seus filhos retomem “da justiça, a clava forte” e percam a vontade incessante de fugir da luta por uma Pátria amada… Mais amada e idolatrada. Salve! Salve!…

Márcio Roberto Goes
Impávido, colosso e modesto

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