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O AMOR É CEGO


Dizem que o amor é cego… Pois deve ser o meu amor pela educação que não me deixa ver tanto vandalismo e depredação na Escola de Educação Básica Wanda Krieger Gomes, onde leciono quarenta horas semanais, pelo menos não com a intensidade e a freqüência que se comenta diariamente.
Até agora não precisei de escolta policial, nem colete à prova de bala para trabalhar. Não recebi nenhum tipo de ameaça nem fui agredido… Alguns episódios, como danos a automóveis e desrespeito a professores acontecem, naquele educandário, com a mesma periodicidade que em qualquer outra escola pública de Caçador, ou seja, são fatos comuns que podem ser resolvidos via direção e funcionários e os mais graves são levados para as autoridades competentes, basta observar o grande número de boletins de ocorrência registrados por diretores de escola. Sei disso, porque estive por dois anos muito perto da administração de uma delas. Estes fatos são tão comuns que acontecem até em escolas no centro de Caçador e nem por isso são motivos de comentários (mal)falados de pessoas que ainda não se deram ao luxo de constatar in loco o que acontece, realmente dentro de uma escola.
Não vejo tanta barbaridade assim naquela escola… Ah!… Já havia me esquecido. Estou cego de amor pela educação, jamais poderia ver defeitos no ser amado, porém vejo muitas coisas que os cegos de ódio jamais conseguiriam, em hipótese alguma, ver:
Vejo uma escola nova e moderna, com pouco mais de um ano de funcionamento, muita erosão na entrada do estacionamento, um muro caindo por causa do aterro (eu acho…) e algumas salas de aula já sem porta (aliás, há muito tempo se promete resolver o problema das portas e tudo o que se viu até agora, foram duas pessoas medindo os “buracos”… Poxa vida!… O tamanho do buraco nós já sabemos, só queremos tampá-lo antes que chegue o inverno), que apesar de ainda não estar completamente estruturada (mas já era tempo de estar), atende, na medida do possível e do impossível, uma comunidade que por muito tempo ficou esquecida pelas autoridades, trata-se do maior bairro de Caçador, e o maior portador de necessidades especiais em se tratando de dignidade e cidadania.
Vejo a polícia militar empenhada em manter a tranqüilidade dentro e fora da escola, e atendendo prontamente as emergências…
Vejo uma direção que se empenha em ajudar e resolver os mais complexos problemas de aprendizado e relacionamento comuns em qualquer escola de educação básica…
Vejo alunos que saem de casa com materiais à mão, e na mente, muita sede de conhecimento, que a escola está, mesmo aos trancos e barrancos, conseguindo saciar…
Vejo professores que não recebem vale-transporte, se deslocando, sabe Deus com que dificuldades, de um lado a outro da cidade para cumprir seu dever, trabalhando em uma escola que começou da estaca zero e evolui pedagogicamente a olhos vistos, diariamente, graças ao trabalho incansável de sua equipe sempre unida no objetivo de levar educação de qualidade àquela comunidade, mesmo sem a estrutura prometida, esperada e merecida,…
No passado, já vi a Escola de Educação Básica Wanda Krieger Gomes, em cinco salas emprestadas de outra escola pública, que apesar de muitos esforços não conseguia oferecer a estrutura de que necessitava… Hoje alguns enxergam destruição e depredação no novo prédio… Minha cegueira de amor, porém, ainda permite ver uma equipe empenhada na partilha e na construção do maior tesouro da humanidade: o conhecimento. Outros podem ver Vanda-lismo, eu vejo só Wanda… Outros podem ver destruição, eu vejo só amor pela educação… Mas o amor é cego… graças a Deus!
Márcio Roberto Goes
Cego de amor!

Um Comentário

  1. Leandro Souza de Matos
    Leandro Souza de Matos 13 de Abril de 2007

    De forma geral, nós temos uma facilidade muito grande de criticar (muitas vezes de forma não construtiva), apontar defeitos e esperar (somente esperar) uma solução dos problemas por parte das autoridades competentes. É por esse motivo que as vezes os problemas se arrastam por muito tempo sem solução. Há muita reclamação e pouca ação. Sem dúvida, todos têm o direito de reclamar, mas reclamar só por reclamar, simplesmente apontar os defeitos e os problemas sem contribuir com a solução e ainda os distorcendo às vezes, não leva à lugar algum. Tem que existir o comprometimento, a luta pela solução dos problemas. Reclamar é fácil, lutar pela sonhada mudança e assumir compromissos por ela, já não é tão fácil assim. Já dizia uma conhecida música: “Indignação indigna, indigna inação”. Bom seria se todos fossem “cegos de amor” por alguma causa.

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