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O abraço proibido

Imagem: www.google.com.br
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 Quem não gosta de um abraço?… Mas não aquele abraço de quem não quer abraçar, meio de lado, de compadre. Estou falando de abraço mesmo, de corpo inteiro… Abraço de urso, compartilhado, fraterno, confortante até… Quem não gosta de dar e receber abraços?… Eu gosto, aliás é muito difícil viver sem…

Tem gente que não tem coragem de abraçar, não aprendeu em casa, nunca viu um abraço de verdade, por isso não o pratica. Lamentável!… O abraço pode curar muitas doenças da alma. O abraço amigo nas horas desafortunadas da vida, o abraço de pai e de mãe pra filho, de irmãos, da reconciliação, do perdão, da celebração, do amor… O abraço apaixonado, ousado, porém não menos fraterno…

Desde que me tornei professor, pratico a terapia do abraço com meus alunos e, tenho certeza que os conheço melhor por isso, afinal, um abraço revela muito da personalidade e eles sentem-se mais próximos e confiantes em relação a minha pessoa, pelo menos a maioria. Nos amamos como seres humanos e não apenas como educador e educando… Porém, como tem aqueles alunos que já vêm ao meu encontro de braços abertos, têm aqueles que rejeitam o ato de abraçar durante todo o ano letivo. Infelizmente, nem todos entendem as intenções de um “abraçador” despretensioso.

Por muitas vezes, tentaram proibir o meu abraço na escola, fui duramente criticado e aconselhado a cuidar quem e como abraçar, sob o pretexto de não ser compreendido por algumas alunas que poderiam distorcer as intenções… Felizmente, nunca tive problemas em relação a isto com alunas adolescentes, o meu problema maior é com adultos “bem resolvidos” que enxergam chifres em cabeça de cavalo, julgam o ato sem ter conhecimento do contexto… Existem pessoas que preferem condenar os outros a renderem-se ao abraço: um ato simples que revela uma pessoa humilde e sincera diante dos demais…

Mas agora, finalmente fui derrotado. Meu abraço está proibido, aliás o meu só não, o de todos… E não foi direção de escola, chefia imediata, colegas, ou qualquer outra pessoa mal-amada que fez tamanha atrocidade com os seres humanos. Foi um ser minúsculo, invisível, terrível e desumano que tem nome e sobrenome: H1N1…

Por causa da presença deste intruso microscópico, estamos proibidos de manifestar carinho. Cumprimento, só de longe e quando pegar na mão, lavá-la imediatamente com água e sabão e desinfetá-la com álcool gel. Demonstrações de carinho viraram falta de higiene e risco para a saúde… Até o abraço da paz está proibido nas Igrejas… Nem a Paz de Jesus escapou da Influenza A.

Algumas pessoas dizem, e isto tem fundamento, que trata-se de mais uma doença fabricada pelo capitalismo para obter algum tipo de lucro brincando com a vida das pessoas, como aconteceu com a AIDS e com o vírus ebola. Na verdade, se foi ou não fabricada, neste momento não influencia em nada as consequências. A verdade é que existem pessoas perdendo a vida, aliás o número parece ser muito maior que o divulgado, e o remédio para este mal está patenteado por algumas empresas e só elas podem comercializá-lo… Coisa de capitalismo selvagem… Por hora, devemos guardar as demonstrações de carinho e amor para um momento mais oportuno e saudável, quando enfim receberemos a carta de alforria para o abraço.

 

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe – O diário Regional

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