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Nonoscada

Publicado em:
23/05/2008 – www.cacador.net
24/05/2008 – Jornal Informe

A cada dia que passa, sinto-me mais orgulhoso de pertencer a um país que fala e escreve a Língua mais bonita e fascinante do mundo: “a última flor do Lácio”, de Olavo Bilac; Língua oficial de nove países, com mais de duzentos e quinze milhões de falantes nativos; Quinta Língua mais falada no mundo e a terceira do ocidente; A nossa querida, amada e idolatrada Língua Portuguesa, que durante sua história andou pelos cinco continentes e em cada um deles adquiriu novos sotaques, dialetos e características bem particulares, tendo atualmente dois padrões reconhecidos internacionalmente: O Português brasileiro e o Português europeu.

Este idioma, derivado do Latim vulgar, distribuindo-se em dez classes gramaticais, tornou-se, como toda Língua bem estruturada, num constante objeto de pesquisa e por isso um gerador de dúvidas para quem fala e escreve: motivo pelo qual temos inúmeras gramáticas cheias de teorias que servem para nos ajudar a escrever o idioma que falamos desde o berço… Devo salientar que nenhum gramático é um gênio, também nenhum deles teve a oportunidade de conhecer os mais diversos dialetos vivos e presentes em cada recanto deste “mundão de meu Deus” em que se tem presente a nossa Língua.

Desta forma, nós, os falantes nativos da “última flor do Lácio” (inclusive os professores de Português), constantemente nos deparamos com situações que nos deixam com dúvidas cruéis a respeito da ortografia… Dia desses, ao participar de uma reunião pedagógica na escola municipal em que atuo como professor ACT, enquanto esperávamos o início por parte do corpo administrativo, uma ilustre colega, ao tentar passar uma receita de bolo para outra companheira, sente-se obrigada a parar de escrever em virtude de uma palavrinha fácil de falar, mas geradora de incertezas ao escrever. Sem hesitar, resolve partilhar sua dúvida com os demais professores:

– Como se escreve noz-moscada?

As respostas foram as mais diversas possíveis: Seria com “z”, ou “s”?… Com hífen ou sem?… Junto ou separado?… E arriscamos: “nosmoscada”, “nozmoscada”, “nos-moscada”, “noz-moscada”… Houve até quem arriscou dizer que se escrevia “nonoscada”. Perfeitamente possível, já que vem de encontro com muitos dialetos falados em nosso país, classificados por alguns como variações lingüísticas.

A discussão só terminou quando um dos professores resolveu consultar o dicionário e constatou aquilo que a maioria presente já havia convencionado como certo: “noz-moscada”, um substantivo composto por “noz” (o fruto da nogueira) e “moscada” (feminino de moscado, que quer dizer: aromático), o que resulta numa noz cheirosa… Sendo ele um sujeito pró-ativo, pesquisou também o plural: “nozes-moscadas”.

A dúvida acabou, mas o assunto continuou e minha imaginação fértil tentava procurar uma maneira de incluir a nova palavra no PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola, afinal as leis são escritas com palavras tão bonitinhas e difíceis de se cumprir, porque não incluir: nozes-moscadas, assim mesmo no plural, no regimento interno?… Chique né?… Melhor ainda, que tal mudar o nome do educandário para: Escola Municipal de Educação Básica Nozes-moscadas?… Ficaria lindo no portal.

Márcio Roberto Goes
Bonito e moscado

Um Comentário

  1. Alisson
    Alisson 30 de maio de 2008

    Hehe!!!
    Eu já tinha lido este texto seu… e ví a charge rsrsrsrs
    é vocÊ né?
    Com certeza é você, ficou muito bom este desenho!
    Tem que dá os parabéns pro cara!!!

    Valeu, um abraço!

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