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Não sou jornalista

Certo dia em que fui a um certo supermercado: destes que têm de tudo, desde xampu até pneu, encontro com um atendente que tenta me vender uma cafeteira… E conseguiu, mas isso não vem ao caso… O que me chamou a atenção foi o papo dele, confundindo minha profissão e minha função por aqui :

“Você ganha bem, é jornalista!”…

Bem estamos diante de dois equívocos: Primeiro que a maioria dos jornalistas não está “nadando no dinheiro”, com exceção daqueles que estão no horário nobre das grandes redes de televisão e rádio. Segundo que, apesar de ter um jornalista na família, não sou um deles. Minha formação acadêmica é Licenciatura em letras: Língua Portuguesa, Literatura e língua Espanhola, ou seja, sou professor de profissão e escritor de coração. Ao contrário do que se pensa, nunca tive honorários escrevendo, sou colunista, nada mais… E meu único pagamento é o reconhecimento dos leitores cada vez que os encontro por aí e sou abordado para ouvir comentários sobre meus textos, ou recebo mensagens no correio eletrônico, comentando sobre meus escritos…

Num destes comentários, ouvi de um transeunte o seguinte: “Mude de profissão, você não serve para jornalista, é muito enrolado.”… Outro ainda declarou ser um leitor assíduo de minhas “reportagens”…

Pois bem, vou repetir com todas as letras: Não sou jornalista!… O que escrevo não é reportagem, é crônica, este gênero literário que se aproveita de um momento corriqueiro para romancear e feito para quem quer gostar de ler… Não tenho compromisso com a notícia denotativa, e sim com a análise subjetiva dela, quando se torna conveniente ao gosto do escritor… Deixo as notícias imparciais para os jornalistas. Eu faço literatura, cujo compromisso maior é a arte de usar as palavras, apesar de muitos estudiosos dizerem que a crônica também faz parte do jornalismo…

O que me deixa realizado nisso tudo e me faz tolerar estes comentários é que aquilo que escrevo tem utilidade, faz algumas pessoas pensarem e analisarem os fatos e ideias que as rodeiam, formando uma opinião sobre o assunto, ainda que seja contrária à minha…. Quando chegar o dia em que meus textos não sirvam mais para fazer, sobretudo os jovens estudantes, lerem, analisarem, formarem opinião e escreverem sobre o assunto abordado, deixo de escrever… Quando este dia chegar, será o fim de minhas palavras e das palavras de todos aqueles que escrevem…

Quando as reticências, abundantes entre minhas palavras, não provocarem o pensamento para a análise, aposentarei este teclado e usarei meu computador apenas para xeretar a vida dos outros no Orkut…

Por hora, devo dizer que este dia ainda não chegou, portanto, continuarei escrevendo, apesar de muitas pessoas me confundirem com jornalista… Tudo bem! Muita gente confunde médicos e advogados com doutores, mesmo quando estes não têm um doutorado em seus currículos…Se para meus amigos de imprensa isso não for problema, então, não me dói nada ser chamado de jornalista, porém não o sou… não o sou…

Márcio Roberto Goes

www.cacador.net

www.portalcacador.com.br

Jornal Informe – O diário Regional

Um Comentário

  1. CHAVES
    CHAVES 4 de março de 2010

    Parabens pelos seus textos, vc representa bem a formação dos professores da antiga UNC hoje UNIARP. Tua dedicação como professor em ensinar de forma correta e coerente aos adolecentes de hoje, coisa que não é facil, torna cada vez mais louvavel a profissão de professor e engrandece nossos ‘cursos’ > de formação pedagogica.

    Chaves
    Depto Financeiro – UNIARP

    Obs: (teu primo….abraço Jovem e muito SUCESSO)

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